Tudo bem por aí? Aqui é Natali e queria dizer que não tem sido fácil para quem gosta muito de usar Ypê (por favor, façamos um minuto de silêncio). Continuemos: o clube do livro mais cheiroso do mundo – o d’AzMina – celebrou suas bodas de papel (pesquisei no google qual era a de 1 ano) e lemos As Malditas. Foi um encontro edição de colecionador, mas se você não estava, calma, outros virão. E aí para participar é só apoiar em catarse.me/azmina. Entrando hoje você ganha 30% de desconto no livro As Malditas e em outra obra da mesma autora. E vamos de news, que a de hoje tem muita coisa!!! Desde a máquina de destruição de casamentos, oportunidades, eventos, Cazarré (de novo ele), Rafa Kalimann e documentários novos imperdíveis para pensar gênero e desigualdades de diferentes perspectivas. Bora lá?
Cazarré é viciado em passar vergonha
O ator participou do programa GloboNews Debate esta semana, junto da psicanalista Vera Iaconelli e o consultor em equidade de gênero e raça Ismael dos Anjos. E a Globo sabia bem o que estava fazendo porque eu nunca vi esse bofe falando nada com sentido (que não estivesse num roteiro de novela). Na lista de destroços palavriados estava a afirmação de que os homens vêm sendo colocados no centro de discursos negativos apenas por serem do sexo masculino, no que ele levou um fecho de Vera. Como se não fosse suficiente, ele abriu a boca e falou o absurdo: “mulheres matam mais que homens”. Eu acho que se você assina essa news já sabe que isso NÃO é verdade.
Há duas semanas levei pra reunião de conteúdo d’AzMina: como abordar essa onda de feminicídio sem causar ainda mais danos. Em um país onde os casos já ganham intensa repercussão devido à extrema violência envolvida. Mas, voltando à Cazarré, protagonista deste parágrafo, apesar do vexame, talvez ele não tenha saído tão perdedor assim do debate.
A cada 5h e 25min
No Brasil, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos nos primeiros três meses de 2026. Entre janeiro e março, foram 399 casos, uma alta de 7,55% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Nem todo mundo entende o que sofreu
Apenas 4% das mulheres responderam afirmativamente à pergunta se sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (2025). Ao serem apresentadas a exemplos de tipos de abuso, o número passou a ser 29%. Os dados completos estão acessíveis no Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma iniciativa da GN, do Senado e do Instituto Natura.
📣Nesta edição d’AzMina na Área, Débora destaca a importância do fortalecimento de projetos como o PenhaS, que não têm financiamento garantido. Tais projetos existem pela dedicação de pessoas em mantê-los. O PenhaS é o aplicativo de enfrentamento à violência contra a mulher do Instituto AzMina, mas também realiza outras atividades para ampliar o alcance e a conscientização sobre o tema.
Protagonista na abolição
Espero que nessa altura do campeonato todo mundo saiba que a Princesa Isabel não foi a responsável pela libertação dos escravizados. Essa narrativa apaga o protagonismo negro, especialmente de mulheres negras. O 13 de maio é o momento para lembrarmos disso. Conheça 5 mulheres negras que contribuíram para a abolição da escravatura.
Desserviço em alta
O deputado estadual Anderson Moraes enviou para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro um projeto que cria o prêmio Cássia Kis, para homenagear pessoas que “lutaram pelos direitos das mulheres”. A ideia do nome veio porque a atriz demonstrou “coragem [transfobia] ao expressar suas convicções”. Chegamos ao ponto que crimes estão sendo premiados e homenageados.
Sempre um banheiro
A Câmara Municipal de São Luís promulgou uma lei que impede mulheres trans de usarem banheiros, vestiários e espaços similares destinados ao público feminino em instituições públicas e privadas da capital maranhense. O presidente da Casa, Paulo Victor, oficializou a medida após o prefeito Eduardo Braide não sancionar o Projeto de Lei nº 201/2023 no prazo legal. A proposta, aprovada em dois turnos em abril de 2025, é de autoria do vereador Marquinhos (União Brasil).
A noite nos causa medo
O medo de ser violentada fez com que 4 em cada 10 mulheres deixassem de sair à noite no último ano, segundo o Datafolha. Infelizmente, eu estou incluída nessa estatística. Sempre me pergunto quanto da minha juventude deixei de viver por medo. Enquanto isso, só 29,8% dos homens dizem que o receio da violência causou mudanças em sua rotina noturna.
LANÇAMENTOS BAFOS PRA ACOMPANHAR 🎉
AzMina na telona
Em breve estreia nosso primeiro documentário no cinema! Em Guardiãs do Futuro acompanhamos três mulheres pernambucanas duramente afetadas pela crise climática e pelo racismo ambiental. As histórias mostram que discutir clima também é discutir gênero, raça, classe, território e direito à vida. Em breve vem exibição! Fique atenta a esta news e ao nosso insta para não perder as informações sobre o lançamento.
Antes que apague
Com data de lançamento prevista para 26 de maio, a obra “Antes que apague”, de Natalia Timerman, descreve a relação entre mãe e filha marcada por um passado doloroso. Diagnosticada com Alzheimer, a mãe da narradora perde, em velocidade assombrosa, os traços que definem sua identidade. No luto antecipado desse apagamento, vêm à tona revelações inesperadas sobre o passado materno.
O teto e a tela
A pesquisa “O Teto e a Tela: conversas sobre cuidado, tecnologia e famílias periféricas”, realizada com mães e cuidadoras da zona sul de São Paulo e de Diadema, discute como a ausência de políticas públicas de cuidado, infraestrutura urbana e espaços de lazer impacta a relação das famílias periféricas com as telas e a tecnologia.
Sonhar sem espetáculo
A zine “Quando não há espetáculo, sonhamos”, produzida a partir da oficina de escrita criativa realizada durante o projeto “O Teto e a Tela”, convidou mães e cuidadoras periféricas a transformarem suas experiências em palavras, como forma de registrar a vida e os sentimentos.
That’s the point?
Desde que saiu o primeiro episódio do documentário, “Tempo Para Amar”, o nome de Rafa Kalimann tem pipocado nas redes sociais e manchetes. A obra fala do relacionamento dela e do cantor Nattan, da gravidez e do nascimento da filha Zuza. A questão é: Rafa compartilha a ausência do bofe nesse período, que curtia com amigos enquanto ela enfrentava uma depressão. É de se esperar que muita gente critique a atitude do cantor. Porém, Rafa apareceu pra defender ele. Nunca entendi como funciona a cabeça dos famosos. Se expõe, conta dificuldades, as pessoas tomam partido, elas reaparecem pra dizer que as pessoas entenderam errado :/
Máquina de destruição de casamentos
O Projeto da Misoginia, está sendo atacado por uma campanha de desinformação coordenada. Adivinha por quem? Sim, os políticos de direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador Lucas Pavanato (PL). Entre a lista de absurdos está que o projeto funcionaria como uma “máquina de destruição de casamentos”, ou que vai até criminalizar quem pergunte se uma mulher está de TPM.
IA Ética… será?
Catharina Doria, com quase 600 mil seguidores, utilizava suas redes sociais para explicar a diferença entre imagens reais e as criadas por inteligência artificial, alertar sobre postar fotos de crianças e discutir outros temas tecnológicos. E pode ter sido este justamente o tema central de seu trabalho — os limites da decisão automatizada — que ela perdeu duas de suas contas na rede social nas últimas semanas, sob a justificativa de violar as diretrizes da Meta.
“E parece tragicômico que eu sou especialista em IA ética e uma IA possa destruir a minha vida. Influencer de IA ética é banida por IA”, disse à BBC News Brasil.
DICONAS CULTURAIS DA REDATORA PREFERIDA DE VCS 😎
Aqui não entra luz
O documentário de Karol Maia traz trabalhadoras domésticas de quatro estados para falar sobre como a arquitetura segrega, sustenta hierarquias e o que significa tentar mudar esse destino. Entre os materiais de campanha, o manual “Como Lavar Louças” é lindo e reflete sobre o trabalho doméstico e as estruturas que organizam essas relações no Brasil. Você confere onde assistir aqui.
Um mundo que prioriza pessoas ouvintes
“Surda”, da diretora Eva Libertad, estreou ontem nos cinemas. O filme acompanha Angela, uma mulher surda enfrentando os novos desafios da maternidade sendo a cena do parto uma das mais marcantes: construída a partir de relatos reais de mulheres que enfrentaram violência obstétrica por falta de comunicação com a equipe médica. Tema que a AzMina já reportou: a ausência de intérpretes de LIBRAS no pré-natal e no parto ainda expõe mulheres surdas a riscos graves.
Reflexões incisivas
Nesta coletânea inédita de reflexões incisivas, Susan Sontag se debruça sobre diferentes mecanismos de opressão feminina, explorando temas como envelhecimento, beleza e liberdade.
/// ARTISTA DA EDIÇÃO ///
Lourdes Grobet (1940-2022) foi uma das fotógrafas mais relevantes do México, reconhecida por documentar a luta livre, identidades populares e diferentes movimentos sociais a partir de um olhar atento e profundamente político. Seu trabalho foi marcado por questionar as hierarquias entre “alta” e “baixa” cultura, dando visibilidade a comunidades e expressões tradicionalmente marginalizadas.
La Briosa, da série A Dupla Luta, 1981, faz parte de uma série dedicada às mulheres lutadoras mexicanas.
Mães atípicas
Mães atípicas periféricas enfrentam exaustão, abandono e sobrecarga financeira. Muitas estão fora do mercado de trabalho por assumirem sozinhas cuidados intensivos. As políticas públicas são limitadas e insuficientes, para elas e seus filhos. Embora muito se fale sobre as mães que cuidam de filhos neudivergentes, existem também casos em que as mães possuem essa condição.
A maioria em casos de violência
Mães são maioria nos casos de violência contra a mulher. Segundo levantamento do DataSenado de 2025, 74% das mulheres que sofreram violência no país tinham um ou mais filhos. A situação já é devastadora pela violência em si, mas também pelo que representa para esses filhos: mais de 11 milhões de mulheres criam os filhos sozinhas.
Para conferir. É preciso levar as mães solo da invisibilidade para as políticas públicas.
Uma tática de controle antiga
O termo “violência vicária” pode parecer novo, mas a prática de agredir ou ameaçar familiares e amigos para atingir a mulher é uma tática de controle antiga.
/// OPORTUNIDADES E EVENTOS ///
Bolsas para as mães pesquisadoras
A CAPES lançou o Programa Aurora, oferecendo 300 bolsas de pós-doutorado no Brasil, de R$ 5,2 mil mensais por 24 meses, para mães pesquisadoras. Podem se inscrever professoras grávidas a partir do 2º trimestre, mães de crianças de até dois anos, ou com adoção/guarda formalizada há até dois anos. Para mães de filhos com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento, não há limite de idade da criança.
Trema aberta
Estão abertas as inscrições para o “TREMA - Encontro de Mulheres, Tradução e Mundo Editorial”, com o tema “Maternidades, cuidado e trabalho (re)produtivo”. O evento discutirá a atuação feminina na produção de livros, tradução, edição e na formação de leitores, destacando como o mundo editorial é sustentado por mãos de mulheres, desde a criação até a (re)produção de leitores em casa e até mesmo em penitenciárias.
Pode se inscrever até 01 de setembro.
O evento será no Centro MariAntonia da USP (Rua Maria Antônia, 258/294, São Paulo).
Beijocas,
Nos vemos sexta que vem :*
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