Em muitas empresas, a cultura organizacional protege os agressores
Toda empresa dita séria diz que tem o aparto para proteger o trabalhador: canal de denúncias, política de integridade, código de conduta e compromisso contra assédio e discriminação… mas a gente sabe que na hora do “vamo vê”, a balança acaba pendendo pro lado mais forte (ou seja, do agressor).
Na Austrália, uma investigação na empresa de tecnologia e mineração Fortescue apura denúncias de assédio moral e sexual contra um executivo que, mesmo investigado, continuava trabalhando lá. Já no Brasil, o presidente do Grupo Trasmontano foi afastado depois que inúmeras profissionais denunciaram assédio sexual, importunação e racismo, com relatos de abusos que teriam se repetido por anos.
Esse “por anos” diz muita coisa, porque quando uma violência dura tanto tempo, sabemos que existe toda uma estrutura que protege os culpados e permite com que esse tipo de coisa aconteça.
Em outro caso, uma empresa foi condenada depois que uma trabalhadora sofreu comentários preconceituosos por causa do sotaque e da origem nordestina, sem que a companhia tomasse providências para interromper as ofensas.
Tudo isso aconteceu só nessa semana!
Esses casos mostram um padrão conhecido: a violência acontece, a empresa demora para agir, trata como episódio isolado, minimiza o problema ou só reage quando o caso chega na Justiça, na imprensa ou na crise de reputação. Até lá, quem denuncia precisa continuar trabalhando e ainda lidar com o medo de retaliação.
Não adianta ter canal de denúncia se as pessoas não confiam que algo vai acontecer depois. O que incentiva elas a falarem é saber que haverá uma investigação, que elas estarão protegidas e que a liderança será responsabilizada.
pesquisa Ethos de DE&I
Recém lançado, o relatório aponta que mais de 90% das empresas já colocam o tema no planejamento ou têm profissionais dedicados ao tema, mas menos de um terço atrela remuneração variável das lideranças aos resultados da agenda, mostrando que a pauta avança no discurso mais rápido do que nos incentivos. | Valor Econômico
empreender com peso extra
Entre as mulheres que empreendem, 61% apontam preconceito e falta de credibilidade como barreiras e 56% citam a exaustão da dupla jornada, enquanto 92% defendem iniciativas específicas de apoio ao empreendedorismo feminino. | UOL
longe do capital…
Mulheres ocupam só 34% dos cargos de alta liderança no mercado financeiro e seguem ainda mais sub-representadas nas áreas com maior poder de decisão sobre capital, risco e investimentos. | Exame
… mas perto da cadeira
Na indústria farmacêutica, 26% das empresas já têm mulheres no cargo de CEO, proporção bem acima da média de 5% observada no mercado em geral. | Valor Econômico
na onda
No Brasil, 17% das pessoas 50+ já usam ferramentas de IA, enquanto especialistas alertam que produtos e serviços digitais ainda são pouco pensados para as necessidades desse público. | Valor Econômico
semana ruim pra Meta
Empresa enfrenta críticas por falhas de segurança que vão de assédio com óculos inteligentes e exposição de adolescentes no Instagram, à manutenção de ataques racistas contra a Miss São Paulo. | Folha de S.Paulo, O Globo e CNN Brasil
racismo institucional
Justiça condena uma terceirizada e um supermercado a indenizar em R$ 20 mil um fiscal negro obrigado a cortar o cabelo e retirar a barba para trabalhar. | UOL
sem noção
Target pede desculpas e retira fantasia de Halloween acusada de evocar blackface. | Meio & Mensagem
finalmente
FIFA multa a Associação Argentina de Futebol em US$ 321 mil e determina jogos com estádio parcialmente fechado após episódios de racismo e discriminação cometidos pela torcida durante a Copa do Mundo. | Alma Preta
porta de entrada
Globo lança programa de formação remunerada para pessoas com deficiência. | G1
rompendo o silêncio
SBT lança campanha para disseminar a consciência sobre a violência de gênero. | Meio & Mensagem
talento de mãe
Hug e Coisa de Mãe criam frente de empregabilidade que conecta mais de 200 profissionais mães a vagas, projetos e freelas em empresas e agências do mercado de comunicação. | Meio & Mensagem
também é discriminação
Projeto de Erika Hilton propõe multa para casos de aporofobia e inclui práticas no trabalho, como negar emprego, demitir, impedir promoção ou impor condições piores por causa da pobreza ou vulnerabilidade social. | Congresso em Foco
avanço
Inglaterra reconhece oficialmente a misoginia médica como falha estrutural do sistema de saúde. | Folha de S.Paulo
pagar a conta
Comissão da Câmara aprova projeto que destina multas, indenizações e outras penalidades por racismo a políticas de promoção da igualdade racial. | UOL
guinada (pra baixo)
Grace Passô critica a atual gestão do Theatro Municipal de São Paulo por rejeitar adaptações voltadas a grupos minorizados e diz que a posição resgata uma visão colonial e racista sobre o que pode ser considerado arte. | Folha de S.Paulo
a conta do cuidado
Vera Iaconelli discute como mulheres chegam à aposentadoria carregando uma cobrança diferente entre carreira e filhos, com expectativas que seguem distribuídas de forma desigual. | Folha de S.Paulo
a conta é do Estado
Giovanni Harvey, do Fundo Baobá, defende que a reparação à população negra deve ser assumida pelo poder público e vê na reforma tributária um caminho para enfrentar desigualdades que ações afirmativas e investimento privado, sozinhos, não conseguem desmontar. | Folha de S.Paulo
difícil começar
Com IA assumindo tarefas antes feitas por profissionais em início de carreira, 40% dos CEOs planejam reduzir vagas juniores, enquanto especialistas alertam que o mercado corre o risco de exigir experiência de quem já não encontra espaço para aprender. | Meio & Mensagem
furando a bolha
Três jovens negros selecionados pelo Black Stem, programa do Fundo Baobá, conquistaram bolsas para estudar no exterior e ampliar a presença negra em espaços acadêmicos ainda pouco acessíveis e representativos. | Folha de S.Paulo
Há muito tempo, parte da produção artística de pessoas com transtornos mentais ou deficiência intelectual foi observada mais pelo diagnóstico clínico de quem criava do que pelo valor cultural daquilo que era criado. Uma Língua Nova, exposição que acaba de abrir na Galeria Estação, propõe inverter esse olhar.
Com cerca de 60 obras de sete artistas brasileiros e europeus, a mostra parte da ideia de que existem formas de perceber, imaginar e representar o mundo que não precisam se adequar aos códigos tradicionais da arte, nem aos da medicina. O título, inspirado na escritora Maura Lopes Cançado, ajuda a traduzir essa proposta: encontrar outras gramáticas, outras maneiras de construir imagens e outras possibilidades de existência.
A exposição é um convite para questionar quem determina o que é uma linguagem artística legítima e quantas criações deixamos de enxergar quando olhamos primeiro para os rótulos.
Serviço
Uma Língua Nova
Galeria Estação - Rua Ferreira Araújo, 625, Pinheiros, São Paulo
Até 26 de setembro de 2026
Segunda à sexta, das 11 às 19 horas; sábados, das 11 às 15 horas.
Sulwe tem a pele mais escura do que todas as pessoas de sua família e, por isso, cresce desejando ser diferente. No livro, a atriz Lupita Nyong’o transforma uma experiência profundamente ligada ao colorismo em uma história delicada sobre autoestima, pertencimento e beleza.
Sem simplificar um tema tão complexo, a narrativa mostra como padrões de beleza também são aprendidos e como eles podem afetar, desde muito cedo, a maneira como uma criança enxerga a si mesma. A jornada de Sulwe passa justamente pela descoberta de que aquilo que a fazia se sentir deslocada também faz parte de sua história, de sua identidade e de sua força.
É uma leitura bonita para conversar com crianças sobre representatividade e diversidade, mas também para provocar os adultos a pensar sobre as referências de beleza que continuam sendo apresentadas como universais.
Tem gente que fala de livros para indicar a próxima leitura e tem gente que usa os livros também como uma forma de ampliar a maneira como enxergamos o mundo. Mayra Sigwalt está mais perto do segundo grupo.
Criadora de conteúdo e escritora, ela compartilha leituras, reflexões sobre representatividade e discussões decoloniais, trazendo para o universo literário perspectivas que nem sempre ocupam o centro das conversas sobre cultura.
Mayra também é uma mulher indígena e autora de livros como O Roubo da Cuia e Não Quero Ser Índio. Seu conteúdo é uma boa porta de entrada para quem quer diversificar não apenas a lista de autores que lê, mas também as referências a partir das quais interpreta histórias, identidades e o próprio Brasil.
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Até a semana que vem!

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