💵 O volume ajustado de transações com stablecoins atingiu um novo recorde de US$ 1,78 trilhão em junho, avanço de cerca de 62% sobre os US$ 1,10 trilhão de maio, segundo o painel Visa Onchain Analytics. O número renovou a máxima histórica da série, empatando com o pico anterior registrado em fevereiro, e reforça o papel desses ativos como infraestrutura de pagamentos e liquidação on-chain.
Stablecoins são criptomoedas atreladas a uma moeda de referência, quase sempre o dólar, mantendo preço estável. Servem para pagamentos, remessas e liquidação de operações sem a volatilidade típica do mercado cripto.
Os dados ajustados da Visa buscam filtrar ruídos das blockchains, como atividade de bots e transferências entre exchanges, isolando o uso econômico real. Em junho, a USDC, da Circle, respondeu por cerca de 67% do volume, com US$ 1,21 trilhão, enquanto a USDT, da Tether, ficou com 32% (US$ 576 bilhões). A USDT ainda lidera em valor de mercado, mas perdeu o topo do volume ajustado.
No primeiro semestre de 2026, o volume acumulado chegou a US$ 8,82 trilhões, já acima dos US$ 5,8 trilhões de todo o ano de 2024 e a apenas US$ 2 trilhões do recorde de 2025. A virada histórica também impressiona pela composição. Em 2020, a USDT respondia por quase 90% do volume ajustado; agora a fatia se inverteu a favor da Circle.
Entre as redes, a Base liderou junho com US$ 565 bilhões, à frente do Ethereum (US$ 562 bilhões), com a Tron em terceiro. O avanço da Base mostra a força das redes de segunda camada e de infraestruturas mais baratas para movimentação de stablecoins.
O recorde vem acompanhado de maior aproximação com bancos. A BNY tornou a USDC a primeira stablecoin em sua plataforma de custódia de ativos digitais, e o Standard Chartered passou a oferecer emissão e resgate via Dubai. A Visa contabiliza mais de US$ 272 bilhões em stablecoins em circulação e US$ 10,2 trilhões em volume nos últimos 12 meses, enquanto um consórcio com Visa, Mastercard e Coinbase prepara a Open USD para disputar o mercado.
🏛️ A Strategy, de Michael Saylor, vendeu 3.588 Bitcoins por US$ 216 milhões para financiar dividendos de ações preferenciais e repor caixa, reduzindo suas participações para 843.775 BTC, segundo formulário 8-K enviado à SEC. As vendas ocorreram a preços médios entre US$ 59.256 e US$ 60.773, e marcam a segunda operação relatada da empresa desde uma transação fiscal de 2022, depois de a companhia ter divulgado a venda de 32 BTC no início de junho.
O movimento aplica na prática a nova estrutura de capital anunciada em 29 de junho, batizada de “Digital Credit Capital Framework”. Pela primeira vez, a Strategy autorizou formalmente a monetização de seu tesouro em Bitcoin para fins específicos, incluindo a venda de até US$ 1,25 bilhão para sustentar a reserva em dólar, além de até US$ 1 bilhão para recompra de títulos de crédito digital e outro US$ 1 bilhão em recompra de ações. A empresa reforça que não é obrigada a vender, mas passou a ter aval do conselho para fazê-lo quando julgar mais vantajoso do que emitir novas ações.
A estrutura também elevou a taxa da preferencial STRC para 12% e fixou uma reserva em dólar de US$ 2,55 bilhões, com política de manter caixa para ao menos 12 meses de dividendos e juros. O ponto de atenção está no próprio STRC, um dos principais mecanismos de captação da empresa, que negociava a US$ 88,70, cerca de 11,3% abaixo do valor nominal de US$ 100. Cotações abaixo do par limitam a capacidade de levantar recursos por esse instrumento e podem pressionar a Strategy a subir ainda mais a taxa de dividendos.
Apesar da mudança de postura, a Bernstein classificou uma venda forçada como improvável, apontando caixa suficiente para 17 meses de obrigações e dívida equivalente a apenas 13% do colateral em Bitcoin, com o próximo grande vencimento apenas no terceiro trimestre de 2028. A casa manteve a meta de US$ 150 mil para o BTC até o fim do ano e descreveu a Strategy como uma “força de equilíbrio” diante das saídas de US$ 5,5 bilhões dos ETFs de Bitcoin acumuladas em 2026.
Saiba mais sobre a Strategy e Bitcoin Treasury Companies aqui:
🔐 O setor de criptomoedas registrou 344 ataques no primeiro semestre de 2026, com perdas de US$ 1,3 bilhão, segundo relatório da CertiK. O número de incidentes ficou estável ante os 345 do mesmo período de 2025, mas o prejuízo caiu 46,8%, na comparação com os US$ 2,47 bilhões do ano anterior, quando o hack da Bybit sozinho custou US$ 1,45 bilhão.
O principal vetor foram carteiras comprometidas, com US$ 444,5 milhões perdidos em apenas 33 incidentes. Ataques de phishing somaram US$ 366,3 milhões em 63 casos, e falhas de código lideraram em quantidade, com 204 ocorrências, mas a menor cifra do trio, US$ 151,6 milhões. Grandes hacks isolados, como Kelp DAO (US$ 291,3 milhões) e Drift Protocol (US$ 280 milhões), explicam parte da concentração de perdas.
A CertiK destacou a mudança de padrão no phishing, com menos ataques e valores maiores por golpe. Apenas quatro casos de engenharia social responderam por US$ 310,1 milhões, ou 85% de todo o phishing [golpe virtual onde criminosos fingem ser agentes confiáveis] do período. O relatório também apontou hackers norte-coreanos entre as ameaças mais sofisticadas, com foco crescente em infraestrutura institucional e lavagem cross-chain.
Saiba mais sobre o incidente da Bybit aqui:
🇧🇷 A Polícia Federal deflagrou a Operação Véu de Maia para investigar lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa ligados à exploração ilegal de apostas de quota fixa, as bets.
A apuração coloca o uso de criptoativos no centro do esquema, com foco na remessa irregular de valores ao exterior. A operação partiu de informações da Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, que apontou 87 empresas suspeitas de atuar como interpostas pessoas.
Os agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão em seis cidades de três estados, em Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul. A suspeita é de que as empresas dessem aparência de legalidade a recursos gerados por plataformas sem autorização, antes da conversão em criptoativos e do envio ao exterior. Em Canoas, os policiais encontraram quatro armas sem registro e prenderam um suspeito em flagrante.
A ação ocorre em meio ao aperto sobre o mercado de apostas, no qual apenas empresas licenciadas, com domínio bet.br e outorga de R$ 30 milhões, podem operar desde janeiro de 2025. Estimativas da H2 Gambling Capital apontam que o mercado clandestino movimentou R$ 16,3 bilhões em 2025, enquanto estudo da LCA para o IBJR sugere participação entre 41% e 51% do total, com giro de R$ 26 bilhões a R$ 39 bilhões.
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10:35 PM · Jul 6, 2026 · 587 Visualizações
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🗓 Eventos na semana que impactam o mercado de criptoativos
• Bitcoin (BTC) opera perto de US$ 63.200 (+8,0% em 7 dias), recuperando as perdas do fim de junho, quando tocou US$ 58,5 mil em 30/06. O mercado global soma cerca de US$ 2,24 trilhões de capitalização, com a leitura de sentimento na zona de medo (índice Fear & Greed entre 15 e 44 conforme a fonte). Semana de dados macro fracos e fluxo institucional ainda hesitante.
• Altcoins lideraram o repique da semana. ETH volta a US$ 1.770 (+12,8% em 7d), SOL a US$ 80,90 (+10% em 7d) e XRP a US$ 1,13 (+8,5% em 7d). Movimento típico de alívio após semanas de saídas, mas sem confirmação de tendência.
• ETFs spot de BTC encerraram um streak de 10 dias de saídas — que drenou US$ 2,73 bi no período — com US$ 221,7 milhões de entrada líquida na quinta (02/07), o maior dia em dois meses. Atenção ao detalhe: o FBTC (Fidelity) puxou com quase US$ 166 mi, enquanto o IBIT (BlackRock) seguiu negativo (-US$ 40 mi), no 11º dia seguido de saída. No ano, o IBIT acumula US$ 5,4 bi de saídas líquidas — rotação entre emissores, não retorno uniforme de capital institucional.
• Strategy (MSTR) vendeu 3.588 BTC por US$ 216 milhões em 06/07 para pagar dividendos, reduzindo a tesouraria para 843.775 BTC. A empresa lançou um novo arcabouço de crédito digital, com reserva em dólar de US$ 2,55 bi e recompra de até US$ 1 bi em ações — sinal de gestão de capital mais defensiva, e não mais o "comprar todo trimestre" agressivo de antes.
• Solana (SOL) ganha tração institucional. Os ETFs spot de SOL registraram cerca de US$ 33 mi de entrada semanal, com o produto da Bitwise já negociando na NYSE e rendimento de staking em torno de 5% como diferencial frente ao BTC.
• Desbloqueios de tokens somam mais de US$ 1,98 bi em julho. O Hyperliquid (HYPE) liberou cerca de US$ 630 mi em 06/07; à frente na semana, o destaque é o Rain (RAIN), com aproximadamente US$ 812 mi em 11/07.
• Regulação (CLARITY Act) entra em janela crítica. O projeto de estrutura de mercado avançou no Comitê de Bancos do Senado (15 a 9, em maio) e aguarda votação em plenário, mas o recesso de 4 de julho e o de agosto apertam o calendário. Impasses sobre linguagem de conflito de interesse seguem como o maior obstáculo.
• Estrutura — leitura de curto prazo neutra a levemente positiva. O repique de preço e a virada de fluxo nos ETFs animam, mas ambos precisam de confirmação em múltiplas semanas; com sentimento em medo e desbloqueios pesados, o viés segue de cautela.
• EUA — o payroll de junho (divulgado em 02/07) veio fraco, com apenas 57 mil vagas contra 115 mil esperadas, e revisões negativas de 74 mil em abril/maio. O desemprego caiu a 4,2%, mas por queda na participação da força de trabalho (mínima desde 2021). Mercado de trabalho esfriando, o que reforça o debate sobre cortes.
• EUA (Fed) — a taxa segue em 3,50%–3,75% após o FOMC de junho. Na quarta (08/07) saem as atas do FOMC, foco da semana para calibrar o tom sobre juros. Consenso ainda é de manutenção na reunião de fim de julho — pesquisa Reuters aponta 72 de 102 economistas prevendo juros parados no restante de 2026.
• Brasil — o Copom cortou a Selic a 14,25% em 17/06 (terceiro corte de 0,25 p.p.). O IPCA de junho seguiu perto de 4,6% em 12 meses, ainda acima do teto de 4,5% da meta. Juro real elevado mantém o real relativamente firme, mas a inflação persistente limita o ritmo de afrouxamento.
• Petróleo — WTI perto de US$ 68,50 e Brent abaixo de US$ 71, na mínima desde fevereiro. Os fluxos pelo Estreito de Hormuz superaram 10 milhões de barris/dia, aliviando o prêmio de guerra dos meses anteriores.
• Geopolítica — trégua entre EUA e Irã ainda instável. Trump acusou Teerã de violar o cessar-fogo com ataques de drones no Estreito, e as conversas de paz no Catar foram adiadas pelo funeral do ex-líder supremo Ali Khamenei, a partir de 04/07. Risco de reprecificação rápida do petróleo caso a tensão escale.
• Leitura geral — semana de dados leves nos EUA (foco nas atas do FOMC e nos pedidos de auxílio-desemprego), com o payroll fraco reacendendo apostas em cortes. Petróleo mais barato e Hormuz normalizando reduzem a pressão inflacionária de curto prazo, mas a geopolítica no Oriente Médio segue como principal fonte de volatilidade para risco. Para cripto, o cenário é de repique técnico buscando confirmação em meio a sentimento de medo e oferta pesada de desbloqueios.
🇺🇸 Trump diz não haver “nada de ilegal” em seus ganhos de US$ 1,4 bilhão com cripto
Presidente americano afirmou à CNBC que os investimentos são geridos por terceiros e defendeu que os EUA precisam liderar em cripto para não perder a corrida tecnológica para a China. Sua fortuna saltou para US$ 6,3 bilhões na lista da Forbes.
🕵️ Usuários dos EUA são os maiores apostadores políticos da Polymarket apesar do bloqueio
Relatório da Allium aponta que norte-americanos lideram em volume e número de carteiras na plataforma global, mesmo barrados desde acordo de 2022 com a CFTC. Estudo estima entre US$ 10,6 bi e US$ 26,7 bi movimentados por eles em um ano.
🇰🇷 Coreia do Sul avalia medidas contra a Polymarket por preocupações com jogos de azar
Órgão regulador do país ouvirá a plataforma antes de decidir sobre um pedido de correção, deslocando o foco dos usuários para a própria empresa. A Polymarket afirma estar restrita em 33 países, incluindo o Brasil.
🥇 USDC ultrapassa Tether na disputa por volume de stablecoins, mostram dados da Visa
A stablecoin da Circle passou a dominar o volume ajustado de transações monitorado pela Visa, com cerca de 67% do total em junho, invertendo o cenário de 2020, quando a USDT respondia por quase 90%.
🏛️ Reserva de Bitcoin dos EUA segue sem definição enquanto agências disputam o comando
A Casa Branca admite ainda avaliar a “melhor estrutura” 16 meses após a ordem de Trump, com Tesouro e Comércio disputando a gestão. O governo detém cerca de 300 mil BTC, mas nenhuma legislação avançou.
🇦🇷 Ministério Público da Argentina contrata software de rastreio de cripto por cerca de US$ 94 mil
A empresa Vec venceu a licitação para fornecer a ferramenta forense, usada por unidades de cibercrime e combate à lavagem de ativos. Uma concorrente foi desclassificada por exceder em 36% o orçamento previsto.
📜 ABToken defende regulação principiológica e natureza jurídica das stablecoins
Em audiência na Câmara sobre o PL 4.308/2024, a entidade pediu que as stablecoins sigam classificadas como ativos virtuais e que a lei complemente o trabalho do Banco Central. A ABcripto reforçou a mesma posição.
🕶️ França prende casal que roubou € 1,5 milhão em cripto usando óculos com câmeras ocultas
A dupla teria capturado chaves privadas das vítimas durante uma falsa negociação imobiliária em Milão. Após um ano de investigação, a Justiça apreendeu três imóveis avaliados em € 1,9 milhão na Côte d’Azur.
📈 Criador das Bandas de Bollinger vê possível fim do bear market com reversão em “W”
John Bollinger identificou um padrão de fundo duplo “perfeitamente fractal” no gráfico do BTC e questiona se ele romperá a tendência de baixa vigente desde outubro de 2025. ETFs registraram a primeira entrada líquida em dez dias.
🤝 Binance integra a Anchorage Digital para ampliar custódia institucional
A parceria via acordo tripartite permite que clientes institucionais, inclusive no Brasil, acessem a liquidez da exchange mantendo ativos em custódia segregada e qualificada, separando execução e custódia como no modelo tradicional.
⛓️ Vitalik Buterin anuncia “Lean Ethereum”, reformulação do protocolo em 3 a 4 anos
O cofundador comparou a iniciativa à escala do Merge de 2022, com foco em segurança quântica, privacidade nativa e armazenamento de dados mais barato. A mudança prevê a eventual substituição de quase todos os componentes da rede.
Ascen Cripto@ascencripto
🟠 O valor de ativos do mundo real tokenizados on-chain chegou a US$ 31,6 bilhões Os RWA (ativos do mundo real) tokenizados em blockchain atingiram cerca de US$ 31,6 bilhões em junho de 2026, segundo a RWA.xyz.

10:00 AM · Jul 4, 2026 · 116 Visualizações

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