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filmesdearthur · Apr 12, 2026

O Drama (2026) | Amor em estado de paranoia

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A obsessão e o constrangimento dominam O Drama, que falha em desenvolver seus próprios conflitos.

Profundamente apaixonados e em meio aos preparativos finais para o grande dia do casamento, Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) têm sua felicidade ameaçada quando vêm à tona segredos que jamais poderiam imaginar.

Uma comédia mórbida marcada pelo constrangimento talvez seja a melhor forma de definir o filme de Kristoffer Borgli, que captura o casamento como um símbolo de reunião não apenas familiar, mas também social, uma tentativa de consolidar, diante de todos, um amor recíproco. No entanto, quando Emma revela um segredo oculto desde a adolescência, Charlie entra em choque absoluto, passando a questionar a índole da noiva. A partir daí, o espectador é lançado junto aos personagens em uma espiral paranoica, marcada pela desconfiança e pela incerteza. Charlie se pergunta se Emma realmente mudou, se deixou para trás impulsos que beiram o psicótico; enquanto ela, por sua vez, teme não apenas perdê-lo, mas também ser incapaz de sustentar o casamento.

A imprevisibilidade é o que sustenta o humor de O Drama, sobretudo a partir da perspectiva de Charlie, que se torna progressivamente obcecado em descobrir mais detalhes sobre o segredo de Emma. A dúvida o consome, ao passo que ela teme o julgamento não apenas dele, mas também do círculo social que os cerca. Quando o segredo é revelado diante do casal de amigos Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie), a reação expõe uma hipocrisia latente, especialmente por parte de Rachel, que também carrega seus próprios segredos inconfessáveis. É nesses momentos de confronto e diálogo que o filme revela camadas de seus personagens, ainda que preserve uma constante sensação de instabilidade sobre seus próximos passos.

Formalmente, a inquietação é traduzida por uma câmera instável e por uma montagem fragmentada, composta por cortes rápidos que comprimem a narrativa: os poucos dias que antecedem o casamento parecem se desenrolar em questão de horas. Embora esses elementos técnicos contribuam de maneira eficaz para a construção do desconforto e da obsessão, são as atuações que carregam boa parte dessa tensão. Ainda assim, o desempenho da dupla protagonista não se destaca como algo excepcional; cumprem seus papéis, mas sem grande potência.

Há, porém, uma fragilidade evidente no desenvolvimento dramático. Falta densidade aos personagens e às temáticas propostas, que muitas vezes são apenas insinuadas e não plenamente exploradas. O filme se dedica tanto a manter um ritmo frenético que negligencia momentos de respiro essenciais para a assimilação do conflito. Reitero, por exemplo, a obsessividade de Charlie, mas isso raramente se traduz em construção dramática convincente. O resultado é um distanciamento: certas reações soam desproporcionais ou pouco fundamentadas, comprometendo a verossimilhança.

Esse problema se acentua no desfecho. Quando a narrativa parecia encaminhar-se para uma possível subversão de expectativas, especialmente no que diz respeito à noção de culpa, o filme opta por uma conclusão abrupta e pouco coerente. Em vez de potencializar os conflitos estabelecidos, o encerramento os dilui, reforçando a sensação de que faltou fôlego e elaboração do conjunto.


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