BBC
| British Broadcasting Corporation | |
|---|---|
Logotipo usado desde 2021 | |
| Nome(s) anterior(es) | British Broadcasting Company |
| Empresa de capital aberto | |
| Atividade | Meios de comunicação social, radiodifusão pública |
| Fundação | 18 de outubro de 1922 (como British Broadcasting Company) 1 de janeiro de 1927 (como British Broadcasting Corporation) |
| Fundador(es) | Governo do Reino Unido |
| Sede | Broadcasting House, Londres, Inglaterra, Reino Unido |
| Área(s) servida(s) | Todo o mundo |
| Pessoas-chave | Samir Shah (presidente) Matt Brittin (Diretor-geral) |
| Empregados | |
| Produtos | Televisão Rádio Cinema Internet |
| Serviços | |
| Ativos | |
| Receita | |
| LAJIR | |
| Renda líquida | |
| Website | www |
A British Broadcasting Corporation[a] (BBC) é uma emissora de serviço público britânica com sede na Broadcasting House, em Londres, Inglaterra. Criada originalmente em 1922 como British Broadcasting Company, evoluiu para sua forma atual, com o nome atual, em 1º de janeiro de 1927. É a mais antiga e a maior emissora local e global em estatura e número de empregados, com um quadro total de 22 mil funcionários.
A BBC foi estabelecida por uma carta régia,[2] e opera de acordo com um acordo firmado com o secretário de Estado da Cultura, Mídia e Esporte.[3] Seu trabalho é financiado principalmente por uma taxa anual de licença de televisão,[4] cobrada de todos os domicílios, empresas e organizações britânicos que utilizam qualquer tipo de equipamento para receber ou gravar transmissões de televisão ao vivo ou para usar o serviço de streaming da BBC, o iPlayer.[5] A taxa é definida pelo governo britânico, aprovada pelo Parlamento,[6] e usada para financiar os serviços de rádio, televisão e internet da BBC que cobrem as nações e regiões do Reino Unido. Desde 1º de abril de 2014, ela também financia o BBC World Service (lançado em 1932 como BBC Empire Service), que transmite em 43 idiomas desde 2026.[7]
Parte da receita da BBC vem de sua subsidiária comercial BBC Studios (anteriormente BBC Worldwide), que vende programas e serviços da BBC internacionalmente e também distribui o serviço internacional de notícias em língua inglesa 24 horas da BBC, o BBC News, além do BBC.com, fornecido pela BBC Global News Ltd.[8][9]
Desde sua criação, em 18 de outubro de 1922, a BBC desempenha um papel de destaque na vida e na cultura britânicas.[10] Informalmente, às vezes é chamada de the Beeb ou Auntie.[11][12] Em 1923, lançou a Radio Times (subtitulada "The official organ of the BBC"), a primeira revista de programação de radiodifusão; a edição de Natal de 1988 vendeu 11 milhões de exemplares, tornando-se a edição de uma revista britânica mais vendida da história.[13]
História
[editar | editar código]1920–1922: O nascimento da radiodifusão britânica
[editar | editar código]A primeira transmissão pública ao vivo da Grã-Bretanha foi realizada a partir da fábrica da Marconi Company, em Chelmsford, em junho de 1920. Ela foi patrocinada por Alfred Harmsworth, 1.º Visconde Northcliffe, do Daily Mail, e contou com a famosa soprano australiana Nellie Melba. A transmissão de Melba despertou a imaginação do público e marcou um ponto de virada na atitude dos britânicos em relação ao rádio.[14]:47 No entanto, esse entusiasmo popular não era compartilhado nos círculos oficiais, nos quais se considerava que tais transmissões interferiam em importantes comunicações militares e civis. No fim de 1920, a pressão desses setores e a inquietação entre os funcionários da autoridade de licenciamento, o General Post Office (GPO), foram suficientes para levar à proibição de novas transmissões a partir de Chelmsford.[14]:50
Em 1922, porém, o GPO já havia recebido quase 100 pedidos de licença de radiodifusão[15]:110 e decidiu revogar a proibição após uma petição apresentada por 63 associações de rádio, que reuniam mais de 3 mil membros.[14]:50–97 Desejando evitar a mesma expansão caótica observada nos Estados Unidos, o GPO propôs conceder uma única licença de radiodifusão a uma empresa pertencente conjuntamente a um consórcio dos principais fabricantes de receptores de rádio, que seria conhecida como British Broadcasting Company e foi constituída em 18 de outubro de 1922.[16] John Reith, um calvinista escocês, foi nomeado seu diretor-geral em dezembro de 1922, poucas semanas depois de a empresa realizar sua primeira transmissão oficial.[15]:110 L. Stanton Jefferies foi seu primeiro diretor de música.[17] A empresa seria financiada por royalties sobre a venda de aparelhos receptores de rádio da BBC fabricados por produtores nacionais autorizados.[18] Até hoje, a BBC procura seguir a diretriz reithiana de "informar, educar e entreter".[19]
1923–1926: De empresa privada a corporação de serviço público
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Os arranjos financeiros logo se mostraram inadequados. As vendas de aparelhos foram decepcionantes, pois amadores construíam seus próprios receptores e ouvintes compravam aparelhos concorrentes sem licença.[14]:146 Em meados de 1923, as discussões entre o GPO e a BBC haviam chegado a um impasse, e o Postmaster General encomendou ao Comitê Sykes uma revisão da radiodifusão.[20] O comitê recomendou uma reorganização de curto prazo das taxas de licença, com maior fiscalização para enfrentar as dificuldades financeiras imediatas da BBC, além de uma participação maior da empresa na receita das licenças dividida entre ela e o GPO. A medida seria seguida por uma taxa única de licença de dez xelins para financiar as transmissões.[20] O monopólio de radiodifusão da BBC foi explicitado para toda a duração de sua licença vigente, assim como a proibição de publicidade. Para evitar concorrência com os jornais, Fleet Street convenceu o governo a proibir boletins de notícias antes das 19h, e a BBC foi obrigada a obter todas as notícias de agências externas.[20] A Radio Times, a primeira e mais longeva revista de programação de rádio e televisão do mundo, foi lançada por Reith em setembro de 1923.[13] A primeira edição, subtitulada "The official organ of the BBC", custava dois pence nas bancas e rapidamente esgotou sua tiragem de 250 mil exemplares.[21]
Em meados de 1925, o futuro da radiodifusão voltou a ser analisado, desta vez pelo Comitê Crawford. Àquela altura, sob a liderança de Reith, a BBC havia formado um consenso favorável à continuidade de um serviço unificado (monopolista) de radiodifusão, mas ainda era necessário mais dinheiro para financiar a rápida expansão. Os fabricantes de aparelhos de rádio estavam ansiosos para deixar o consórcio deficitário, e Reith queria que a BBC fosse vista como um serviço público, e não como uma empresa comercial. As recomendações do Comitê Crawford foram publicadas em março do ano seguinte e ainda estavam sendo analisadas pelo GPO quando a greve geral de 1926 no Reino Unido começou, em maio. A greve interrompeu temporariamente a produção dos jornais e, com a suspensão das restrições aos boletins noticiosos, a BBC repentinamente se tornou a principal fonte de notícias durante a crise.[15]:117
A crise colocou a BBC em uma posição delicada. Por um lado, Reith tinha plena consciência de que o governo poderia exercer a qualquer momento seu direito de assumir o controle da BBC e transformá-la em porta-voz governamental caso a emissora saísse da linha; por outro, estava preocupado em manter a confiança do público, aparentando agir de forma independente. O governo estava dividido sobre como lidar com a BBC, mas acabou confiando em Reith, cuja oposição à greve refletia a do próprio primeiro-ministro. Embora Winston Churchill quisesse, em particular, assumir o controle da BBC para usá-la "da melhor maneira possível", Reith escreveu que o governo de Stanley Baldwin queria poder dizer "que eles não assumiram o controle [da BBC], mas sabem que podem confiar em nós para não sermos realmente imparciais".[22] Assim, a BBC recebeu margem suficiente para perseguir os objetivos do governo, em grande parte da maneira que ela própria escolhesse. Os apoiadores da greve apelidaram a BBC de BFC, de British Falsehood Company. Reith anunciou pessoalmente o fim da greve, ocasião que marcou recitando "Jerusalem", de Blake, como símbolo de que a Inglaterra havia sido salva.[23]
Embora a BBC tenda a caracterizar sua cobertura da greve geral destacando a impressão positiva criada pelo tratamento equilibrado das opiniões do governo e dos grevistas, Seaton descreveu o episódio como a invenção da "propaganda moderna em sua forma britânica".[15]:117 Reith argumentou que a confiança conquistada por meio de "notícias autenticamente imparciais" poderia então ser utilizada. Notícias imparciais não eram necessariamente um fim em si mesmas.[15]:118
A BBC saiu fortalecida da crise, que consolidou uma audiência nacional para suas transmissões, e o governo posteriormente aceitou a recomendação do Comitê Crawford (1925–26) de que a British Broadcasting Company fosse substituída por uma organização não comercial criada por carta da Coroa: a British Broadcasting Corporation.[20]
1927–1939
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A British Broadcasting Corporation passou a existir em 1º de janeiro de 1927, e Reith — recém-nomeado cavaleiro — foi designado seu primeiro diretor-geral. Para representar seu propósito e seus valores (declarados), a nova corporação adotou o brasão de armas, incluindo o lema "Nation shall speak peace unto Nation".[26]
Os ouvintes de rádio britânicos tinham poucas opções além da abordagem de programação da BBC. Reith era visto como um executivo de postura moralista, que pretendia transmitir "tudo o que há de melhor em todos os campos do conhecimento, do esforço e da realização humana" e tratava a programação em termos morais ou éticos, defendendo "um elevado tom moral" como algo "obviamente de importância primordial".[27] Reith conseguiu erguer uma forte barreira contra um rádio de estilo mais tabloide e irrestrito, voltado apenas a atrair a maior audiência possível (e receita publicitária). Não havia publicidade paga na BBC; toda a receita vinha de um imposto sobre aparelhos receptores. O público de perfil mais erudito, porém, apreciava muito a programação.[28] Em uma época em que emissoras americanas, australianas e canadenses atraíam grandes audiências torcendo por equipes locais com transmissões de beisebol, rúgbi e hóquei, a BBC enfatizava um serviço voltado a uma audiência nacional, e não regional. Regatas, tênis e corridas de cavalos recebiam boa cobertura, mas a BBC relutava em gastar seu tempo de transmissão severamente limitado com longas partidas de futebol ou críquete, independentemente de sua popularidade.[29]

John Reith e a BBC, com o apoio de a Coroa, determinavam as necessidades universais da população da Grã-Bretanha e transmitiam conteúdo de acordo com esses padrões percebidos.[30] Reith censurava efetivamente tudo o que considerasse prejudicial, direta ou indiretamente.[31] Ao recordar seu período na BBC, em 1935, Raymond Postgate afirmou que os locutores da BBC eram obrigados a apresentar, para aprovação, um rascunho da transmissão pretendida. Esperava-se que adaptassem seu conteúdo para acomodar idosos modestos e frequentadores de igreja ou membros do clero.[32] Até 1928, artistas que se apresentavam na BBC, tanto cantores quanto "falantes", deveriam evitar citações bíblicas, imitações e referências clericais, menções à bebida ou à Lei Seca nos Estados Unidos, material vulgar ou duvidoso e alusões políticas.[31] A BBC excluía de suas transmissões músicas e músicos estrangeiros populares, ao mesmo tempo que promovia alternativas britânicas.[33] Em 5 de março de 1928, Stanley Baldwin, o primeiro-ministro, manteve a censura a opiniões editoriais sobre políticas públicas, mas permitiu que a BBC tratasse de questões religiosas, políticas ou industriais controversas.[34] As séries de "palestras" políticas resultantes, destinadas a informar a Inglaterra sobre temas políticos, foram criticadas por membros do Parlamento, entre eles Winston Churchill, David Lloyd George e Austen Chamberlain. Os opositores dessas palestras afirmavam que elas silenciavam as opiniões de parlamentares não indicados pelos líderes partidários ou pelos whips, sufocando assim opiniões independentes e não oficiais.[34] Em outubro de 1932, policiais da Metropolitan Police Federation marcharam em protesto contra uma proposta de redução salarial. Temendo dissidência dentro da força policial e apoio público ao movimento, a BBC censurou sua cobertura dos acontecimentos e transmitiu apenas declarações oficiais do governo.[34]
Ao longo da década de 1930, as transmissões políticas foram monitoradas pela BBC.[35] Em 1935, a emissora censurou as transmissões de Oswald Mosley e Harry Pollitt.[34] Mosley era líder da União Britânica de Fascistas, e Pollitt, do Partido Comunista da Grã-Bretanha. Ambos haviam sido contratados para realizar uma série de cinco transmissões sobre a política de seus partidos. A BBC, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores britânico, suspendeu a série e acabou cancelando-a sem informar o público.[35][34] Alguns políticos também sofreram censura. Em 1938, Winston Churchill propôs uma série de palestras sobre política e assuntos internos e externos britânicos, mas foi censurado.[35] A censura do discurso político pela BBC deu início ao fechamento do debate político que se manifestaria nas ondas de rádio da emissora durante a guerra.[35] O Ministério das Relações Exteriores sustentava que o público não deveria saber de seu papel na censura.[34] Entre 1935 e 1939, a BBC tentou unificar as ondas de rádio do Império Britânico, enviando funcionários ao Egito, à Palestina, à Terra Nova, à Jamaica, à Índia, ao Canadá e à África do Sul.[36] Reith visitou a África do Sul e fez lobby por programas de rádio estatais, aprovados pelo Parlamento da África do Sul em 1936.[36] Um programa semelhante foi adotado no Canadá. Por meio da colaboração com esses centros estatais de radiodifusão, Reith exerceu influência sobre a cultura do império da Grã-Bretanha até sua saída da corporação, em 1938.[36]
As transmissões experimentais de televisão começaram em 1929, usando um sistema eletromecânico de 30 linhas desenvolvido por John Logie Baird.[37] Transmissões regulares limitadas com esse sistema começaram em 1932, e um serviço ampliado (hoje chamado BBC Television Service) passou a operar a partir do Alexandra Palace em novembro de 1936, alternando entre um sistema mecânico Baird aperfeiçoado de 240 linhas e o sistema totalmente eletrônico de 405 linhas Marconi-EMI, desenvolvido por uma equipe de pesquisa da EMI liderada por Sir Isaac Shoenberg.[38] A superioridade do sistema eletrônico levou ao abandono do sistema mecânico no início do ano seguinte, tornando o sistema Marconi-EMI o primeiro sistema de televisão totalmente eletrônico do mundo a ser usado em radiodifusão regular.[39]
A primeira obra de ficção científica exibida pela televisão, uma dramatização da peça teatral R.U.R. de Karel Čapek, foi ao ar em 11 de fevereiro de 1938, transmitida pela BBC.[40] R.U.R. foi a obra que apresentou pela primeira vez a palavra "robô", termo criado por Josef Čapek, irmão do autor [41] (ver: Irmãos Čapek).
BBC versus outros meios de comunicação
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O sucesso da radiodifusão provocou animosidades entre a BBC e meios já estabelecidos, como teatros, salas de concerto e a indústria fonográfica. Em 1929, a BBC reclamou que os agentes de muitos comediantes se recusavam a assinar contratos para transmissões, por temerem que isso prejudicasse o artista "tornando seu material batido" e "reduzisse o valor do artista como intérprete visível de music hall". Por outro lado, a BBC estava "profundamente interessada" em cooperar com as gravadoras que, "nos últimos anos ... não demoraram a fazer discos de cantores, orquestras, bandas de dança etc. que já haviam demonstrado sua capacidade de conquistar popularidade pelo rádio". As peças radiofônicas eram tão populares que, em 1929, a BBC havia recebido 6 mil manuscritos, a maioria escrita para o palco e de pouco valor para a radiodifusão: "Dia após dia, chegam manuscritos e quase todos voltam pelo correio com uma nota dizendo 'Lamentamos etc.'".[42] Na década de 1930, as transmissões musicais também gozavam de grande popularidade, como as variadas e descontraídas apresentações do BBC Theatre Organ no St George's Hall, em Londres, por Reginald Foort, que ocupou oficialmente o cargo de organista de teatro da equipe da BBC entre 1936 e 1938.[43]
Segunda Guerra Mundial
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As transmissões televisivas foram suspensas de 1º de setembro de 1939 a 7 de junho de 1946, durante a Segunda Guerra Mundial, e coube aos locutores da BBC Radio, como Reginald Foort, manter elevado o moral da população. A BBC transferiu a maior parte de suas operações de rádio para fora de Londres, primeiro para Bristol e depois para Bedford. Concertos eram transmitidos a partir do Bedford Corn Exchange; a Trinity Chapel, na St Paul's Church, Bedford, serviu de estúdio para o Daily Service — um serviço religioso diário de 15 minutos transmitido pela primeira vez pela BBC em 1928 e que continua até hoje — entre 1941 e 1945. Nos dias mais sombrios da guerra, em 1941, o arcebispo de Cantuária e o arcebispo de Iorque foram a St Paul's para transmitir ao Reino Unido e ao mundo durante o Dia Nacional de Oração.[44] Entre os funcionários da BBC durante a guerra estava George Orwell, que passou dois anos na emissora.[45]
Durante seu período como primeiro-ministro na guerra, Winston Churchill proferiu 33 importantes discursos radiofônicos de guerra, todos transmitidos pela BBC no Reino Unido.[46] Em 18 de junho de 1940, o general francês Charles de Gaulle, exilado em Londres como líder da França Livre, fez um discurso transmitido pela BBC conclamando o povo francês a não se render aos nazistas.[47] Em outubro de 1940, as princesas Elizabeth e Margaret fizeram sua primeira transmissão de rádio para o programa Children's Hour da BBC, dirigindo-se a outras crianças evacuadas das cidades.[48]
Em 1938, John Reith e o governo do Reino Unido, especificamente o Ministério da Informação, criado para a Segunda Guerra Mundial, elaboraram um aparato de censura diante da inevitabilidade da guerra.[49] Graças aos avanços da BBC na tecnologia de ondas curtas, a corporação conseguia transmitir para o mundo inteiro durante a Segunda Guerra Mundial.[50] Na Europa, o Serviço Europeu da BBC reunia inteligência e informações, em inglês, sobre os acontecimentos correntes da guerra.[49][51] Funcionários regionais da BBC, conforme o contexto geopolítico de suas regiões, censuravam adicionalmente o material que seria coberto em suas transmissões. Nada podia ser acrescentado além dos itens noticiosos previamente determinados.[49][51] Por exemplo, o Serviço Polonês da BBC sofreu forte censura pelo receio de prejudicar as relações com a União Soviética. Temas controversos — como a disputada fronteira polaco-soviética, a deportação de cidadãos poloneses, as prisões de membros da Armia Krajowa e o massacre de Katyn — não eram incluídos nas transmissões em polonês.[52] Transmissões de rádio americanas também eram veiculadas por toda a Europa nos canais da BBC. Esse material passava pelo departamento de censura da BBC, que monitorava e editava a cobertura americana de assuntos britânicos.[50] Em 1940, músicas de compositores de países inimigos eram censuradas em todas as transmissões da BBC. Ao todo, foram censurados 99 compositores alemães, 38 austríacos e 38 italianos. A BBC argumentava que, assim como as línguas italiana e alemã, a inclusão de compositores inimigos irritaria os ouvintes.[53] Potenciais locutores considerados portadores de ideologias pacifistas, comunistas ou fascistas não tinham permissão para aparecer nas ondas da BBC.[54] Em 1937, um oficial de segurança do MI5 recebeu um escritório permanente dentro da organização. Esse oficial examinava os arquivos de possíveis subversivos políticos e marcava os arquivos daqueles considerados riscos à segurança da organização, colocando-os em uma lista negra. Isso muitas vezes era feito com base em fundamentos espúrios; ainda assim, a prática continuaria e se ampliaria durante os anos da Guerra Fria.[55][56]
Final do século XX
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Circulou amplamente o mito urbano de que, quando o serviço de televisão da BBC foi retomado após a guerra, o locutor Leslie Mitchell teria começado dizendo: "Como eu estava dizendo antes de sermos interrompidos tão rudemente ...". Na verdade, a primeira pessoa a aparecer quando as transmissões recomeçaram foi Jasmine Bligh, que disse: "Boa tarde a todos. Como estão? Lembram-se de mim, Jasmine Bligh...?"[58] A União Europeia de Radiodifusão foi fundada em 12 de fevereiro de 1950, em Torquay, tendo a BBC entre as 23 organizações de radiodifusão fundadoras.[59]
A concorrência à BBC foi introduzida em 1955, com a rede de televisão comercial e de operação independente Independent Television (ITV). No entanto, o monopólio da BBC sobre os serviços de rádio persistiu até 8 de outubro de 1973, quando, sob o controle da recém-renomeada Independent Broadcasting Authority (IBA), a primeira estação de rádio local independente do Reino Unido, a LBC, entrou no ar na região de Londres. Em consequência do relatório de 1962 do Comitê Pilkington, no qual a BBC foi elogiada pela qualidade e variedade de sua produção, enquanto a ITV foi duramente criticada por não oferecer programação de qualidade suficiente,[60] decidiu-se conceder à BBC um segundo canal de televisão, a BBC Two, em 1964, e renomear o serviço existente como BBC One. A BBC2 utilizava o padrão de maior resolução de 625 linhas, que havia sido padronizado em toda a Europa. A BBC2 passou a transmitir em cores em 1º de julho de 1967 e foi acompanhada pela BBC1 e pela ITV em 15 de novembro de 1969. As transmissões de 405 linhas em VHF da BBC1 (e da ITV) continuaram, por compatibilidade com receptores de televisão mais antigos, até 1985.

A partir de 1964, uma série de estações de rádio pirata (começando pela Radio Caroline) entrou no ar e acabou forçando o governo britânico a regulamentar os serviços de rádio de modo a permitir serviços nacionais financiados por publicidade. Em resposta, a BBC reorganizou e renomeou seus canais de rádio. Em 30 de setembro de 1967, o Light Programme foi dividido na Radio 1, dedicada continuamente à música "popular", e na Radio 2, voltada a músicas de audição mais leve.[61] O programa "Third" tornou-se a Radio 3, oferecendo música clássica e programação cultural. O Home Service tornou-se a Radio 4, com notícias e conteúdo não musical, como programas de perguntas, leituras, dramas e peças. Além dos quatro canais nacionais, uma série de estações locais de rádio da BBC foi criada em 1967, incluindo a Radio London.[62] Em 1969, foi criado o departamento BBC Enterprises para explorar marcas e programas da BBC em produtos comerciais derivados. Em 1979, ele se tornou uma sociedade limitada integralmente controlada, a BBC Enterprises Ltd.[63]
Em 1974, foi introduzido o serviço de teletexto da BBC, o Ceefax, inicialmente criado para fornecer legendas, mas posteriormente desenvolvido como serviço de notícias e informações. Em 1978, funcionários da BBC entraram em greve pouco antes do Natal, interrompendo a transmissão dos dois canais e unificando as quatro estações de rádio em uma só.[64][65] Desde a desregulamentação do mercado britânico de televisão e rádio na década de 1980, a BBC passou a enfrentar maior concorrência do setor comercial (e da emissora de serviço público financiada por publicidade Channel 4), sobretudo em televisão por satélite, televisão a cabo e serviços de televisão digital. No fim da década de 1980, a BBC iniciou um processo de desinvestimento, separando e vendendo partes de sua organização. Em 1988, vendeu a Hulton Press Library, um arquivo fotográfico adquirido da revista Picture Post pela BBC em 1957. O arquivo foi vendido a Brian Deutsch e hoje pertence à Getty Images.[66] Em 1987, a BBC decidiu centralizar suas operações na equipe administrativa, unindo pela primeira vez as divisões de rádio e televisão e coordenando conjuntamente as atividades dos departamentos de notícias e atualidades sob a nova diretoria.[67] Durante a década de 1990, esse processo continuou com a separação de determinados braços operacionais da corporação em unidades autônomas, porém subsidiárias integrais, com o objetivo de gerar receita adicional para a produção de programas. A BBC Enterprises foi reorganizada e relançada em 1995 como BBC Worldwide Ltd.[63] Em 1998, estúdios da BBC, transmissões externas, pós-produção, design, figurinos e perucas foram separados na BBC Resources Ltd.[68]
A BBC Research & Development desempenhou papel importante no desenvolvimento de técnicas de radiodifusão e gravação. A BBC também foi responsável pelo desenvolvimento do padrão estéreo NICAM. Nas últimas décadas, vários canais e estações de rádio adicionais foram lançados: a Radio 5 foi lançada em 1990 como estação esportiva e educacional, mas foi substituída em 1994 pela BBC Radio 5 Live, que se tornou uma estação ao vivo após o sucesso do serviço Radio 4 na cobertura da Guerra do Golfo de 1991. A nova estação seria dedicada a notícias e esportes. Em 1997, o canal de notícias contínuas BBC News (canal de televisão) foi lançado nos serviços de televisão digital; no ano seguinte, a BBC Choice foi lançada como o terceiro canal de entretenimento geral da BBC. A BBC também comprou o The Parliamentary Channel, que foi renomeado BBC Parliament. Em 1999, a BBC Knowledge foi lançada como canal multimídia, com serviços disponíveis no recém-lançado serviço digital de teletexto BBC Text (posteriormente renomeado BBC Red Button) e na BBC Online. O canal tinha finalidade educacional, que mais tarde foi modificada para incluir documentários.
2000–2011
[editar | editar código]Mudanças de canais e de marca
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Em 2002, vários canais de televisão e rádio foram reorganizados. A BBC Knowledge foi substituída pela BBC Four, que se tornou o canal de artes e documentários da BBC. A CBBC (canal de televisão), que desde 1985 funcionava como uma faixa de programação sob o nome Children's BBC, foi dividida entre CBBC e CBeebies, voltada a crianças mais novas, e os dois novos serviços ganharam canais digitais: o CBBC Channel e o CBeebies Channel.[69] Além dos canais de televisão, foram criadas novas estações de rádio digital: BBC Radio 1Xtra, BBC Radio 6 Music e BBC Radio 4 Extra. A BBC 1Xtra era uma estação irmã da Radio 1 e se especializava em música negra contemporânea, a BBC 6 Music em gêneros de música alternativa e a BBC7 em programação de arquivo, conteúdo falado e infantil.[70]
Nos anos seguintes, alguns canais foram reposicionados para se adequar a uma marca mais ampla: em 2003, a BBC Choice foi substituída pela BBC Three, com programação para adultos jovens e documentários de realidade de forte impacto; a BBC News 24 tornou-se o BBC News (canal de televisão) em 2008; e a BBC Radio 7 tornou-se a BBC Radio 4 Extra em 2011, com novos programas complementando os transmitidos pela Radio 4. Em 2008, foi lançado outro canal, a BBC Alba, um serviço em gaélico escocês.[71]
Em 2006, a BBC HD foi lançada como serviço experimental, tornando-se oficial em dezembro de 2007. O canal transmitia simultaneamente, em alta definição, programas da BBC One, BBC Two, BBC Three e BBC Four, além de reprises em HD de alguns programas antigos. Em 2010, foi lançado um simulcast em alta definição da BBC One, a BBC One. O canal utiliza versões em HD da programação da BBC One e versões ampliadas de programas que ainda não são produzidos em alta definição. A BBC HD encerrou suas atividades em março de 2013 e foi substituída pela BBC Two HD no mesmo mês.[72]
O Inquérito Hutton de 2004 e o relatório subsequente levantaram questionamentos sobre os padrões jornalísticos e a imparcialidade da BBC. Isso levou à renúncia de integrantes da alta direção, entre eles o então diretor-geral Greg Dyke. Em janeiro de 2007, a BBC divulgou a ata da reunião do conselho que levou à renúncia de Dyke.[73]
Venda de divisões
[editar | editar código]Durante essa década, a corporação começou a vender várias de suas divisões operacionais a proprietários privados. A BBC Broadcast foi separada como empresa independente em 2002[74] e, em 2005, vendida ao Macquarie Capital Alliance Group, com sede na Austrália, e à Macquarie Bank Limited, passando a se chamar Red Bee Media.[75] Os setores de tecnologia da informação, telefonia e tecnologia de radiodifusão da BBC foram reunidos em 2001 na BBC Technology Ltd,[74] posteriormente vendida à empresa alemã Siemens IT Solutions and Services (SIS).[76] A SIS foi depois adquirida da Siemens pela empresa francesa Atos (empresa).[77] Outros desinvestimentos incluíram a BBC Books (vendida à Random House em 2006);[78] a BBC Outside Broadcasts Ltd (vendida em 2008 à Satellite Information Services);[79] Costumes and Wigs (cujo acervo foi vendido em 2008 à Angels Costumes);[80] e BBC Magazines (vendida à Immediate Media Company em 2011).[81] Após as vendas das operações externas e dos figurinos, o restante da BBC Resources foi reorganizado como BBC Studioworks, que continua existindo como subsidiária integral da BBC.
Creative Futures
[editar | editar código]Em 7 de março de 2005, o diretor-geral Mark Thompson lançou o projeto "Creative Futures" para reestruturar a organização.[82] Uma greve em maio de 2005 com mais de 11 mil trabalhadores da BBC, motivada por uma proposta de cortar 4 mil empregos e privatizar partes da corporação, interrompeu grande parte da programação regular da BBC.[83][84]
O plano para o futuro da BBC resultante do projeto foi publicado em 25 de abril de 2006.[85][86][87] Em 18 de outubro de 2007, Thompson anunciou um plano de seis anos, "Delivering Creative Futures", que incluía a fusão do departamento de atualidades da televisão em uma nova divisão chamada "News Programmes".[88][89] Segundo Thompson, o anúncio, feito em resposta a um déficit de financiamento de £ 2 bilhões, produziria "uma BBC menor, porém mais preparada" para a era digital, por meio de cortes na folha de pagamento e da venda, em 2013, do Television Centre.[90] Os planos incluíam a redução de 2.500 postos, com 1.800 demissões, a consolidação das operações de notícias, uma redução de 10% na produção de programas e a venda do edifício emblemático do Television Centre, em Londres.[88]
Congelamento da taxa de licença
[editar | editar código]Em 20 de outubro de 2010, o Chanceler do Tesouro George Osborne anunciou que a taxa de licença de televisão seria congelada no nível vigente até o fim da carta então em vigor, em 2016. O mesmo anúncio revelou que a BBC assumiria integralmente os custos de operação do BBC World Service e do BBC Monitoring, antes cobertos pelo Ministério das Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento, e financiaria parcialmente a emissora galesa S4C.[91][b]
Desde 2011
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Novos cortes foram anunciados em 6 de outubro de 2011 para que a BBC alcançasse uma redução total de 20% em seu orçamento após o congelamento da taxa de licença em outubro de 2010. As medidas incluíam cortar 2 mil postos de trabalho e transferir outros mil funcionários para o complexo MediaCityUK, em Salford; levar a BBC Three exclusivamente à internet em 2016; compartilhar mais programas entre estações e canais; compartilhar boletins radiofônicos de notícias; aumentar as reprises na grade, inclusive durante todo o período diurno da BBC Two; e reduzir parte da programação original. A BBC HD foi encerrada em 26 de março de 2013 e substituída por um simulcast em alta definição da BBC Two; no entanto, programas de destaque, outros canais e o financiamento integral de CBBC e CBeebies seriam preservados.[92][93][94] Diversas instalações da BBC foram vendidas, incluindo a New Broadcasting House, na Wilmslow Road, em Manchester. Muitos departamentos importantes foram transferidos para a Broadcasting House, no centro de Londres, e para MediaCityUK, em Salford, especialmente após o fechamento do BBC Television Centre em março de 2013.[95] Em 16 de fevereiro de 2016, o serviço televisivo BBC Three foi descontinuado e substituído por uma plataforma digital de mesmo nome, voltada ao público jovem adulto com webséries e outros conteúdos.[96][97]
Sob a nova carta régia instituída em 2017, a corporação deve publicar um relatório anual para a Ofcom descrevendo seus planos e suas obrigações de serviço público para o ano seguinte. Em seu relatório de 2017–18, divulgado em julho de 2017, a BBC anunciou planos de "reinventar" sua produção para competir melhor com serviços comerciais de streaming como a Netflix. Esses planos incluíam ampliar a diversidade de conteúdo na televisão e no rádio, aumentar significativamente os investimentos em conteúdo digital infantil e ampliar os investimentos no País de Gales, na Escócia e na Irlanda do Norte para "enfrentar o desafio de refletir e representar melhor um Reino Unido em transformação".[98][99] Desde 2017, a BBC também financia o Local Democracy Reporting Service, com até 165 jornalistas empregados por organizações independentes de notícias para cobrir questões de democracia local em regime de pool de imprensa.[100]
Em 2016, o diretor-geral da BBC, Tony Hall, anunciou uma meta de economia de £ 800 milhões por ano até 2021, equivalente a cerca de 23% da receita anual da taxa de licença. Como justificativa, foram citados a necessidade de assumir o custo de £ 700 milhões das licenças gratuitas de televisão para aposentados com mais de 75 anos e o rápido aumento dos custos de dramas e cobertura esportiva. A duplicação de gastos administrativos e de conteúdo seria reduzida, e a BBC News passaria por uma revisão.[101][102]
Em setembro de 2019, a BBC lançou a Trusted News Initiative para trabalhar com empresas de notícias e de redes sociais no combate à desinformação sobre eleições nacionais.[103][104]
Em 2020, a BBC anunciou uma meta de economia de £ 80 milhões por ano na BBC News até 2022, envolvendo a redução de cerca de 520 postos. A diretora de notícias e atualidades da BBC, Fran Unsworth, afirmou que haveria novos avanços em direção à radiodifusão digital, em parte para reconquistar o público jovem, e maior compartilhamento de repórteres para impedir que equipes distintas cobrissem as mesmas notícias.[105][106] No mesmo ano, a BBC informou um déficit de £ 119 milhões devido a atrasos nos planos de redução de custos, e o fim iminente dos £ 253 milhões restantes de financiamento para licenças de aposentados aumentaria as pressões financeiras.[107]
Em março de 2023, a BBC esteve no centro de uma controvérsia política envolvendo o comentarista de futebol Gary Lineker, depois que ele criticou nas redes sociais a política de asilo do governo britânico. Lineker foi afastado de sua função no Match of the Day, mas reintegrado após receber apoio maciço de seus colegas. O escândalo foi agravado pelas ligações entre o presidente da BBC, Richard Sharp, e o Partido Conservador.[108]
Em abril de 2023, Richard Sharp renunciou à presidência depois que um relatório concluiu que ele não havia declarado possíveis conflitos de interesse decorrentes de seu papel na facilitação de um empréstimo ao primeiro-ministro Boris Johnson.[109][110] Dame Elan Closs Stephens foi nomeada presidente interina em 27 de junho de 2023, devendo liderar o conselho da BBC por um ano ou até a nomeação de um novo presidente permanente.[111] Samir Shah foi posteriormente nomeado, com início em 4 de março de 2024.[112] Em outubro de 2024, foi anunciado que a BBC e a Sky Sports haviam assinado um acordo para transmitir a temporada 2025–26 da FA Women's Super League.[113]
Em maio de 2025, o diretor-geral da BBC, Tim Davie, afirmou que havia planos de desligar as transmissões tradicionais na década de 2030 e migrar para a distribuição inteiramente online dos programas.[114]
Em novembro de 2025, após o vazamento de um relatório que alegava viés sistêmico dentro da BBC, Tim Davie renunciou ao cargo de diretor-geral, juntamente com Deborah Turness, diretora executiva de notícias da organização.[115]
Em 16 de dezembro de 2025, o governo britânico analisou um livro verde com novas formas de financiar a BBC, como substituir a licença de televisão por publicidade ou por um modelo de assinatura.[116]
Em 25 de março de 2026, o ex-executivo do Google Matt Brittin foi nomeado novo diretor-geral.[117]
Em 15 de abril de 2026, a BBC anunciou o corte de até 2 mil postos de trabalho — suas maiores demissões em mais de uma década — para reduzir os custos em cerca de 10% (aproximadamente £ 500 milhões) ao longo dos dois anos seguintes.[118]
Governança
[editar | editar código]A BBC é uma corporação constituída por carta, independente de intervenção direta do governo, com suas atividades supervisionadas desde abril de 2017 pelo BBC Board e reguladas pela Ofcom.[119][120] O presidente é Samir Shah.[112]
Carta e Acordo
[editar | editar código]A BBC é uma empresa de radiodifusão pública que opera sob uma carta real. A carta é a base constitucional da BBC e estabelece o objeto, a missão e as finalidades públicas da corporação.[121] Ela enfatiza o serviço público, a independência editorial (limitada)[c], proíbe publicidade nos serviços domésticos e determina que a BBC deve "procurar evitar impactos adversos sobre a concorrência que não sejam necessários para o cumprimento efetivo da Missão e a promoção das Finalidades Públicas".[123]
A carta também estabelece que a BBC está sujeita a um acordo adicional entre ela e o secretário de Estado da Cultura, e que sua licença de operação deve ser definida pela Ofcom, um órgão regulador externo. Anteriormente, o secretário de Estado do Interior era responsável tanto pelo acordo quanto pela licença, e as funções regulatórias cabiam ao BBC Trust, mas a carta de 2017 alterou esses arranjos de 2007.[124]
A carta também descreve os arranjos de governança e regulamentação da BBC como corporação estatutária, incluindo o papel e a composição do BBC Board. A carta atual entrou em vigor em 1.º de janeiro de 2017 e deverá expirar em 31 de dezembro de 2027; o acordo tem a mesma vigência.[121]
BBC Board
[editar | editar código]O BBC Board foi formado em abril de 2017. Ele substituiu o órgão de governança anterior, o BBC Trust, que por sua vez havia substituído o conselho de governadores em 2007. O conselho define a estratégia da corporação, avalia o desempenho do conselho executivo da BBC na prestação de seus serviços e nomeia o diretor-geral. A Ofcom é responsável pela regulamentação da BBC. Samir Shah exerce a presidência desde 4 de março de 2024.[120][125]
Divisões operacionais
[editar | editar código]A corporação possui as seguintes divisões internas responsáveis pelo conteúdo e pelas operações da BBC:[126][127]
- Content, chefiada por Charlotte Moore, é responsável pelos canais de televisão da corporação, incluindo o comissionamento de programas.
- Nations and Regions, chefiada por Rhodri Talfan Davies, é responsável pelas divisões da corporação na Escócia, Irlanda do Norte, País de Gales e nas regiões inglesas.
Divisões comerciais
[editar | editar código]A BBC também opera várias divisões comerciais de sua propriedade integral:
- A BBC Studios é a antiga unidade interna de produção televisiva; abrange Entertainment, Music & Events, Factual e Scripted (drama e comédia). Após uma fusão com a BBC Worldwide em abril de 2018, também passou a operar canais internacionais e a vender programas e produtos no Reino Unido e no exterior para obter receita adicional, que retorna aos programas da BBC. Ela é mantida separada da corporação devido à sua natureza comercial.
- A BBC News é responsável pela produção e distribuição de seu canal comercial global de televisão. Trabalha em estreita colaboração com a divisão BBC News, mas não é administrada por ela, e compartilha as instalações e a equipe da corporação. Também trabalha com a BBC Studios, distribuidora do canal.
- A BBC Studioworks também é separada e oficialmente possui e opera algumas das instalações de estúdio da BBC, como o BBC Elstree Centre, alugando-as para produções de dentro e de fora da corporação.[128]
Política de verificação pelo MI5
[editar | editar código]Desde pelo menos a década de 1930 até a década de 1990, o MI5, serviço de inteligência interna britânico, realizou a verificação de candidatos a empregos na BBC, em uma política destinada a excluir pessoas consideradas subversivas.[129][130] Em 1933, o executivo da BBC coronel Alan Dawnay começou a se reunir com o chefe do MI5, sir Vernon Kell, para trocar informações informalmente; a partir de 1935, foi estabelecido um acordo formal pelo qual candidatos a empregos seriam secretamente investigados pelo MI5 quanto a suas opiniões políticas, sem seu conhecimento.[129] A BBC adotou uma política de negar à imprensa qualquer sugestão de que tal relação existisse (a própria existência do MI5 não foi oficialmente reconhecida até a Security Service Act 1989).[129]
Essa relação ganhou maior atenção pública depois que um artigo de David Leigh e Paul Lashmar apareceu no The Observer em agosto de 1985, revelando que o MI5 verificava nomeações e conduzia operações a partir da Sala 105 da Broadcasting House.[129][131] Na época da revelação, a operação era dirigida por Ronnie Stonham. Um memorando de 1984 revelou que as organizações na lista negra incluíam o Partido Comunista da Grã-Bretanha, o Socialist Workers Party, o Workers Revolutionary Party e a Militant tendency, da extrema esquerda, bem como a National Front e o Partido Nacional Britânico, da extrema direita. Uma associação com um desses grupos poderia resultar na rejeição de uma candidatura a emprego.[129]
Em outubro de 1985, a BBC anunciou que encerraria o processo de verificação, exceto para algumas pessoas em cargos superiores, bem como para os responsáveis pelo Wartime Broadcasting Service de emergência (em caso de guerra nuclear) e funcionários do BBC World Service.[129] Em 1990, após a Security Service Act 1989, a verificação foi ainda mais limitada aos responsáveis pela radiodifusão em tempo de guerra e aos que tinham acesso a informações secretas do governo.[129] Michael Hodder, que sucedeu Stonham, mandou os arquivos de verificação do MI5 para os BBC Archives em Reading.[129]
Finanças
[editar | editar código]A BBC tem o segundo maior orçamento entre as emissoras sediadas no Reino Unido, com despesas operacionais de £4,722 bilhões em 2013/14,[132] em comparação com £6,471 bilhões da Sky UK em 2013/14[133] e £1,843 bilhão da ITV no ano civil de 2013.[134]
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Receita
[editar | editar código]O principal meio de financiamento da BBC é a licença de televisão, que custava £169,50 por ano por domicílio em abril de 2024.[135] Essa licença é necessária para receber legalmente transmissões televisivas em todo o Reino Unido, nas Ilhas do Canal e na Ilha de Man. Não é necessária licença para possuir uma televisão usada para outros fins, nem para aparelhos apenas de rádio (embora uma licença separada para estes também fosse exigida de domicílios sem televisão até 1971). O custo da licença de televisão é definido pelo governo e aplicado pela legislação penal. É concedido um desconto de 50% a pessoas registradas como cegas ou com deficiência visual grave,[136] e a licença é totalmente gratuita para qualquer domicílio que tenha uma pessoa de 75 anos ou mais recebendo crédito previdenciário.[137]
A BBC realiza a cobrança e a fiscalização da taxa de licença sob o nome comercial "TV Licensing". A receita é recolhida de forma privada pela Capita, uma agência externa, e depositada no Fundo Consolidado do governo central, em um processo definido pela Communications Act 2003. Os recursos são então alocados pelo Department for Culture, Media and Sport (DCMS) e pelo Tesouro e aprovados pelo Parlamento por meio de legislação. Receitas adicionais são pagas pelo Department for Work and Pensions para compensar licenças subsidiadas de pessoas elegíveis com mais de 75 anos.
A taxa de licença é classificada como imposto,[138] e sua evasão é crime. Desde 1991, a cobrança e a fiscalização da taxa de licença são responsabilidade da BBC em seu papel de autoridade de licenciamento de televisão.[139] A BBC realiza vigilância (principalmente por meio de subcontratados) em imóveis (sob a égide da RIPA) e pode realizar buscas em uma propriedade mediante mandado de busca.[140] Segundo a TV Licensing, 216.900 pessoas no Reino Unido foram flagradas assistindo televisão sem licença em 2018/19.[141] A evasão da taxa de licença representa cerca de um décimo de todos os processos julgados nos tribunais de magistrados, correspondendo a 0,3% do tempo dos tribunais.[142]
A receita proveniente de atividades comerciais e das vendas no exterior do catálogo de programas aumentou substancialmente nos últimos anos,[143] com a BBC Worldwide contribuindo com cerca de £243 milhões para a atividade principal de serviço público da BBC.[144]
Segundo o Relatório Anual da BBC de 2018/19, sua receita total foi de £4,889 bilhões, uma redução em relação a £5,062 bilhões em 2017/18 — em parte devido a uma redução gradual de 3,7% no financiamento governamental de licenças gratuitas para pessoas com mais de 75 anos,[144] distribuída da seguinte forma:
- £3,690 bilhões em taxas de licença cobradas dos domicílios;
- £1,199 bilhão proveniente dos negócios comerciais da BBC e de subsídios governamentais, alguns dos quais seriam encerrados em 2020.
A taxa de licença, contudo, tem sido alvo de críticas. Argumenta-se que, em uma era de disponibilidade por múltiplas transmissões e múltiplos canais, a obrigação de pagar uma taxa de licença já não é apropriada. O uso, pela BBC, da empresa privada Capita para enviar cartas a imóveis que não pagam a taxa foi criticado, sobretudo porque houve casos em que essas cartas foram enviadas a imóveis cujos pagamentos estavam em dia ou que não precisavam de licença de televisão.[145]
A BBC usa campanhas publicitárias para informar os clientes sobre a obrigação de pagar a taxa de licença. Campanhas anteriores foram criticadas pelo deputado conservador Boris Johnson e pela ex-deputada Ann Widdecombe por apresentarem um tom ameaçador e linguagem destinada a assustar os inadimplentes para que pagassem.[146][147] Clipes de áudio e transmissões televisivas são usados para informar os ouvintes sobre o abrangente banco de dados da BBC.[148] Há diversos grupos de pressão fazendo campanha sobre a questão da taxa de licença.[149]
Em 2023, cerca de meio milhão de domicílios no Reino Unido cancelaram sua licença de televisão, impulsionados por mudanças nos hábitos de consumo e pressões financeiras. Como resultado, a BBC registrou queda de receita, e o número de domicílios que pagavam a taxa caiu para 23,9 milhões.[150]
A maior parte da produção comercial da BBC vem de seu braço comercial BBC Worldwide, que vende programas no exterior e explora marcas importantes para produtos licenciados. Das vendas de 2012/13, 27% se concentraram nas cinco principais "supermarcas": Doctor Who, Top Gear, Strictly Come Dancing (conhecido internacionalmente como Dancing with the Stars), o arquivo de programas de história natural da BBC (reunido sob a marca BBC Earth) e a marca de guias de viagem Lonely Planet (posteriormente vendida).[151]
Em abril de 2026, a BBC anunciou que cortaria entre 1.800 e 2.000 empregos, citando a necessidade de economizar £500 milhões nos dois anos seguintes.[152]
Patrimônio
[editar | editar código]A Broadcasting House, em Portland Place, no centro de Londres, é a sede oficial da BBC. Abriga as redes nacionais e internacionais de rádio da BBC (BBC Radio 1, BBC Radio 1Xtra, BBC Asian Network, BBC Radio 2, BBC Radio 3, BBC Radio 4, BBC Radio 4 Extra, BBC Radio 6 Music e BBC World Service), com exceção da BBC Radio 5 Live e da BBC Radio 5 Sports Extra, que transmitem da MediaCityUK, em Salford, desde 2011. Também é a sede da BBC News, que se transferiu do BBC Television Centre para o edifício em 2013. Na fachada há estátuas de Prospero e Ariel, personagens da peça A Tempestade, de William Shakespeare, esculpidas por Eric Gill. A renovação da Broadcasting House começou em 2002 e foi concluída em 2012.[153]
Até seu fechamento no fim de março de 2013, a BBC Television funcionava no Television Centre, uma instalação de televisão construída especificamente para esse fim, inaugurada em 1960 e situada em White City, 6 km a oeste do centro de Londres.[154] Ao longo dos anos, a instalação recebeu diversos convidados e programas famosos, e seu nome e imagem são familiares a muitos britânicos. Nas proximidades, o complexo White City Place abriga vários escritórios de programas no Centre House, Media Centre e Broadcast Centre. Foi nessa área, em torno de Shepherd's Bush, que trabalhava a maioria dos funcionários da BBC.
Como parte de uma grande reorganização dos imóveis da BBC, toda a operação da BBC News foi transferida do News Centre, no BBC Television Centre, para a Broadcasting House reformada, criando o que foi descrito como "um dos maiores centros de transmissão ao vivo do mundo".[155] O BBC News (canal de televisão) e a BBC News International mudaram-se para o local no início de 2013.[156] A Broadcasting House também abriga atualmente a maior parte das estações nacionais de rádio da BBC e o BBC World Service. A maior parte desse plano envolveu a demolição das duas extensões do pós-guerra e a construção de uma nova ala,[157] projetada por Sir Richard MacCormac, da MJP Architects. A mudança concentrou as operações londrinas da BBC e permitiu a venda do Television Centre.[158]
Além do esquema acima, a BBC passou a produzir mais programas fora de Londres, envolvendo centros de produção como Belfast, Cardiff, Glasgow, Newcastle e, especialmente, a Grande Manchester, no âmbito do projeto "BBC North". Diversos departamentos importantes — entre eles BBC North West, BBC Manchester, BBC Sport, BBC Children's, CBeebies, Radio 5 Live, BBC Radio 5 Sports Extra, BBC Breakfast, BBC Learning e a BBC Philharmonic — transferiram-se de suas antigas instalações em Londres ou na New Broadcasting House, em Manchester, para as novas instalações de produção de 200 acres (80 ha) da MediaCityUK, em Salford, que fazem parte da grande divisão BBC North Group e formam a maior concentração de funcionários da BBC fora de Londres.[159][160]

Além dos dois principais locais em Londres (Broadcasting House e White City), há outros sete importantes centros de produção da BBC no Reino Unido, especializados principalmente em diferentes tipos de produção. Cardiff abriga a BBC Cymru Wales, especializada em produção de dramas. Aberto desde 2012 e com sete novos estúdios, Roath Lock[161] é conhecido por sediar produções como Doctor Who e Casualty. A Broadcasting House Belfast, sede da BBC Northern Ireland, especializa-se em dramas e comédias originais e participou de muitas coproduções com empresas independentes, sobretudo com a Raidió Teilifís Éireann, da República da Irlanda. A BBC Scotland, sediada na Pacific Quay, em Glasgow, é uma grande produtora de programas para a rede, incluindo vários programas de perguntas e respostas. Na Inglaterra, as regiões maiores também produzem parte da programação.
Anteriormente, o maior centro de programação da BBC entre as regiões era a BBC North West. Atualmente, ela produz todos os programas religiosos e éticos da BBC, além de outros, como A Question of Sport. No entanto, essa operação seria incorporada e ampliada no projeto BBC North, que envolveu a mudança da região da New Broadcasting House, em Manchester, para a MediaCityUK. A BBC Midlands, sediada no Mailbox Birmingham, também produz dramas e abriga a sede das regiões inglesas e da programação diurna da BBC. Outros centros de produção incluem a Broadcasting House Bristol, sede da BBC West e, notavelmente, da BBC Studios Natural History Unit, e, em menor escala, Quarry Hill, em Leeds, sede da BBC Yorkshire. Há também muitos estúdios locais e regionais menores em todo o Reino Unido, que operam os serviços regionais de televisão e as estações da BBC Local Radio.
A BBC também opera vários centros de coleta de notícias em diferentes locais do mundo, que fornecem cobertura de suas regiões às operações nacionais e internacionais de jornalismo.
Gestão dos serviços de tecnologia da informação
[editar | editar código]Em 2004, a BBC terceirizou sua antiga divisão BBC Technology para a empresa alemã de engenharia e eletrônicos Siemens IT Solutions and Services (SIS), transferindo seus sistemas de TI, telefonia e tecnologia de radiodifusão.[76] Quando a Atos Origin adquiriu a divisão SIS da Siemens AG em dezembro de 2010 por €850 milhões (£720 milhões),[162] o contrato de suporte da BBC também passou para a Atos (empresa), e em julho de 2011 a BBC informou aos funcionários que seu suporte tecnológico passaria a ser um serviço da Atos.[77] Os funcionários da Siemens que trabalhavam no contrato da BBC foram transferidos para a Atos; os sistemas de tecnologia da informação da BBC passaram a ser administrados pela Atos.[163] Em 2011, a diretora financeira da BBC, Zarin Patel, declarou à Câmara dos Comuns e ao Comitê de Contas Públicas que, após críticas à gestão de grandes projetos de TI da BBC com a Siemens (como a Digital Media Initiative), a parceria da BBC com a Atos seria fundamental para gerar economias de cerca de £64 milhões no programa "Delivering Quality First".[164] Em 2012, o então diretor de tecnologia da BBC, John Linwood, manifestou confiança nas melhorias de serviço proporcionadas pela Atos e afirmou que a responsabilização dos fornecedores havia sido reforçada após algumas falhas tecnológicas de grande repercussão ocorridas durante a parceria com a Siemens.[165]
Serviços
[editar | editar código]Televisão
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A BBC opera vários canais de televisão no Reino Unido e internacionalmente. BBC One e BBC Two são seus principais canais. Outros incluem o canal voltado ao público jovem BBC Three,[d][168] o canal cultural e de documentários BBC Four, as versões britânica e internacional do canal BBC News, o canal parlamentar BBC Parliament e dois canais infantis, CBBC (canal de televisão) e CBeebies. A televisão digital está consolidada no Reino Unido, e a transmissão analógica foi totalmente encerrada Desde O primeiro parâmetro é necessário, mas foi fornecido incorretamente! de 2012[update].[169]
A BBC One é um serviço televisivo regionalizado que oferece janelas ao longo do dia para notícias locais e outros programas regionais. Essas variações são mais pronunciadas nas chamadas "Nations" da BBC — Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales —, onde a apresentação é feita principalmente de forma local na BBC One e na BBC Two e as grades podem diferir consideravelmente da rede nacional. Existem variações da BBC Two nessas nações; contudo, as regiões inglesas raramente dispõem atualmente desse tipo de janela, pois a programação regional existe apenas na BBC One. Em 2019, a versão escocesa da BBC Two encerrou as operações e foi substituída pela versão nacional em favor de um novo canal BBC Scotland. A BBC Two foi o primeiro canal a transmitir em 625 linhas, em 1964, e passou a oferecer um serviço regular limitado em cores em 1967. A BBC One fez o mesmo em novembro de 1969.

Um novo canal de televisão em gaélico escocês, a BBC Alba, foi lançado em setembro de 2008. Foi também o primeiro canal multigênero inteiramente originado na Escócia, com quase todos os seus programas produzidos no país. Inicialmente disponível apenas por satélite, desde junho de 2011 o serviço também pode ser recebido na Escócia pela Freeview e por televisão a cabo.[170]
Atualmente, a BBC opera transmissões simultâneas em alta definição (HD) de todos os seus canais nacionais, com exceção da BBC Parliament. Até 26 de março de 2013, existia um canal separado chamado BBC HD, no lugar da BBC Two. Ele foi lançado em 15 de maio de 2006, após um teste de 12 meses, tornou-se um canal regular em 2007 e exibia programas em HD simultaneamente à rede principal ou em reprises. A corporação produz programas nesse formato há muitos anos e afirmou que esperava produzir 100% de seus novos programas em HDTV até 2010.[171] Em 3 de novembro de 2010, foi lançada uma transmissão simultânea em alta definição da BBC One, chamada BBC One, e a BBC Two HD estreou em 26 de março de 2013, substituindo a BBC HD. O novo canal televisivo da Escócia, BBC Scotland, foi lançado em fevereiro de 2019.[172]
Na República da Irlanda, Bélgica, Países Baixos e Suíça, os canais da BBC estão disponíveis de diversas maneiras. Operadoras digitais e de cabo desses países distribuem vários canais da BBC, entre eles BBC One, BBC Two, BBC Four e BBC News. Na República da Irlanda, os telespectadores também podem receber os serviços da BBC pelo excedente de sinal de transmissores da Irlanda do Norte ou do País de Gales, ou por meio de "defletores" — transmissores na República que retransmitem sinais do Reino Unido,[173] recebidos pelo ar ou via satélite digital.
Desde 1975, a BBC também fornece seus programas de televisão ao British Forces Broadcasting Service (BFBS), permitindo que membros das Forças Armadas britânicas no exterior os assistam em quatro canais dedicados. A partir de 27 de março de 2013, o BFBS passou a transmitir versões da BBC One e BBC Two, incluindo programação infantil da CBBC (canal de televisão), além de programas da BBC Three em um novo canal chamado BFBS Extra.
Desde 2008, todos os canais da BBC podem ser assistidos online pelo serviço BBC iPlayer. Essa capacidade de transmissão online surgiu após experiências com streaming ao vivo de determinados canais no Reino Unido.[174] Em fevereiro de 2014, o diretor-geral Tony Hall anunciou que a corporação precisava economizar £100 milhões. Em março daquele ano, a BBC confirmou planos para transformar a BBC Three em um canal exclusivamente online.[175]
BBC Genome Project
[editar | editar código]Em dezembro de 2012, a BBC concluiu um projeto de digitalização que escaneou as grades de todos os programas da BBC em uma coleção completa de cerca de 4.500 exemplares da revista Radio Times, desde a primeira edição, de 1923, até 2009 (as grades posteriores já eram mantidas eletronicamente). O chamado "BBC Genome Project" tinha como objetivo criar um banco de dados online de sua programação. As grades dos dez meses anteriores seriam obtidas de outras fontes. Foram identificados cerca de cinco milhões de programas, envolvendo 8,5 milhões de atores, apresentadores, roteiristas e técnicos.[176] O projeto Genome foi aberto ao público em 15 de outubro de 2014, com correções de erros de OCR e alterações em grades anunciadas sendo feitas por colaboração coletiva.[177]
Rádio
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A BBC possui dez estações de rádio que atendem todo o Reino Unido, mais sete nas "regiões nacionais" (País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) e outras 39 estações locais em áreas definidas da Inglaterra. Das dez estações nacionais, cinco são as principais e estão disponíveis em FM ou AM, bem como em DAB e online: BBC Radio 1, voltada à música contemporânea e estilos populares e conhecida por sua parada musical; BBC Radio 2, que toca música adulta contemporânea, country e soul, entre muitos outros gêneros; BBC Radio 3, com música clássica e jazz, além de programas falados de caráter cultural à noite; BBC Radio 4, dedicada a notícias, conteúdo factual e outros programas falados, incluindo drama e comédia; e BBC Radio 5 Live, com notícias, esportes e programas de conversa 24 horas por dia.[178]

Além dessas cinco estações, a BBC opera outras cinco que transmitem apenas por DAB e pela internet. Criadas em 2002, elas complementam e ampliam as cinco principais. A BBC Radio 1Xtra é estação-irmã da Radio 1 e transmite música negra contemporânea e faixas urbanas. A BBC Radio 5 Sports Extra complementa a 5 Live e oferece cobertura esportiva adicional, inclusive de modalidades anteriormente não transmitidas. A BBC Radio 6 Music oferece gêneros musicais alternativos e destaca-se como plataforma para novos artistas. A BBC Radio 7, posteriormente renomeada BBC Radio 4 Extra, oferece dramas, comédias e programação infantil de arquivo. A última é a BBC Asian Network, que oferece música, programas de conversa e notícias para essa parcela da comunidade. Ela se desenvolveu a partir de rádios locais que atendiam certas áreas e, por isso, também está disponível em ondas médias em algumas partes das Midlands.
Além das estações nacionais, a BBC oferece 40 estações da BBC Local Radio na Inglaterra e nas Ilhas do Canal, cada uma nomeada e voltada a uma cidade e seus arredores (como a BBC Radio Bristol), a um condado ou região (como a BBC Three Counties Radio) ou a uma área geográfica (como a BBC Radio Solent, que atende a costa centro-sul). Outras seis estações transmitem nas chamadas "regiões nacionais" da BBC: País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte. São elas BBC Radio Wales (em inglês), BBC Radio Cymru (em galês), BBC Radio Scotland (em inglês), BBC Radio nan Gàidheal (em gaélico escocês), BBC Radio Ulster e BBC Radio Foyle, sendo esta última uma estação de desconexão regional da Radio Ulster para o noroeste da Irlanda do Norte.
Os canais nacionais da BBC no Reino Unido também são transmitidos nas Ilhas do Canal e na Ilha de Man (embora essas dependências da Coroa estejam fora do Reino Unido); nas primeiras há duas estações locais, BBC Radio Guernsey e BBC Radio Jersey. Não há, porém, uma rádio local da BBC na Ilha de Man, em parte porque a ilha há muito é atendida pela popular estação comercial independente Manx Radio, anterior à BBC Local Radio. Os serviços da BBC nas dependências são financiados por taxas de licença de televisão fixadas no mesmo nível das cobradas no Reino Unido, embora arrecadadas localmente. Isso é motivo de controvérsia na Ilha de Man, pois, além de não ter serviço da BBC Local Radio, a ilha também não dispõe de um noticiário televisivo local análogo ao oferecido pelo BBC Channel Islands.[179]

Para uma audiência mundial, o BBC World Service fornece notícias, atualidades e informações em mais de 40 idiomas, incluindo inglês, e está disponível em mais de 150 capitais, sendo a maior emissora internacional do mundo em área de recepção, seleção de idiomas e alcance de audiência.[180][181] É transmitido mundialmente por ondas curtas, DAB e internet, com audiência semanal estimada em 192 milhões de pessoas, enquanto seus sites recebem 38 milhões de pessoas por semana.[182] Desde 2005, também está disponível em DAB no Reino Unido, algo que antes não ocorria devido ao modo como era financiado. Após a revisão de gastos do governo em 2011, o serviço passou pela primeira vez a ser financiado pela taxa de licença.[183][184] Nos últimos anos, alguns serviços do World Service foram reduzidos: o serviço em tailandês terminou em 2006,[185] assim como os serviços em idiomas do Leste Europeu. Os recursos foram redirecionados para a nova BBC Arabic Television.[186]
Historicamente, a BBC foi a única emissora de rádio legal sediada na Grã-Bretanha continental até 1967, quando a University Radio York, então chamada Radio York, foi lançada como a primeira — e atualmente mais antiga — rádio independente legal do país. A BBC, porém, não tinha monopólio absoluto antes disso, pois várias estações do continente, como a Radio Luxembourg, transmitiam programas em inglês para a Grã-Bretanha desde a década de 1930, e a Manx Radio, sediada na Ilha de Man, começou a operar em 1964. Hoje, apesar do surgimento da radiodifusão comercial, as rádios da BBC permanecem entre as mais ouvidas do país. A Radio 2 possui a maior participação de audiência (até 16,8% em 2011–12), e as Radios 1 e 4 ocupavam o segundo e o terceiro lugares em alcance semanal.[187]
A programação da BBC também está disponível para outros serviços e em outros países. Desde 1943, a BBC fornece programação de rádio ao British Forces Broadcasting Service, que transmite em países onde tropas britânicas estão estacionadas. A BBC Radio 1 também é transmitida no Canadá pela Sirius XM (somente por streaming online). A BBC é patrona da Radio Academy, instituição beneficente registrada no Reino Unido que promove a excelência na radiodifusão.[188]
Notícias
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A BBC News é a maior operação de coleta de notícias por radiodifusão do mundo,[189] fornecendo serviços às rádios domésticas da BBC e a redes de televisão como a BBC News, a BBC Parliament e a BBC News International. As notícias também estão disponíveis no serviço BBC Red Button e na BBC News. A BBC desenvolveu ainda novas formas de acesso à BBC News, lançando o serviço BBC Mobile para celulares e PDAs, além de alertas por e-mail, televisão digital e computadores por meio do alerta de desktop.
Dados de audiência indicam que, durante grandes acontecimentos como os atentados de 7 de julho de 2005 em Londres ou eventos da família real, o público britânico recorre de forma predominante à cobertura da BBC em vez de seus concorrentes comerciais.[190] Em 7 de julho de 2005, dia dos ataques coordenados ao transporte público londrino, o site BBC Online registrou um pico histórico de largura de banda de 11 Gb/s ao meio-dia. A BBC News recebeu cerca de 1 bilhão de acessos totais naquele dia (incluindo imagens, texto e HTML), servindo cerca de 5,5 Terabyte de dados. Nos horários de pico, o site da BBC News recebeu 40 mil solicitações de páginas por segundo. No dia anterior, o anúncio de que Londres sediaria os Jogos Olímpicos de Verão de 2012 provocara um pico de cerca de 5 Gbit/s. O recorde anterior da BBC Online havia ocorrido com o anúncio do veredito de Michael Jackson, que utilizou 7,2 Gbit/s.[191]
Internet
[editar | editar código]A presença online da BBC inclui um amplo site de notícias e um arquivo. O primeiro serviço online oficial da BBC foi o BBC Networking Club, lançado em 11 de maio de 1994. O serviço foi relançado como BBC Online em 1997, depois renomeado BBCi e, em seguida, bbc.co.uk, antes de voltar à marca BBC Online. O site é financiado pela taxa de licença, mas usa tecnologia GeoIP, permitindo a exibição de anúncios quando acessado fora do Reino Unido.[192] A BBC afirma que o site é "o site de conteúdo mais popular da Europa"[193] e que 13,2 milhões de pessoas no Reino Unido visitam diariamente suas mais de dois milhões de páginas.[194]
O centro do site é a página inicial, com um layout modular. Os usuários podem escolher quais módulos e informações aparecem em sua página, personalizando-a. O sistema foi lançado pela primeira vez em dezembro de 2007, tornou-se permanente em fevereiro de 2008 e passou por algumas mudanças estéticas desde então.[195] A página inicial contém links para outros microssites, como BBC News, Sport, Weather, TV e Radio. Cada programa da BBC Television ou Radio recebe uma página própria, e programas maiores ganham microssites próprios; por isso, é comum que espectadores e ouvintes recebam URLs dos sites dos programas.

Outra parte importante do site permite assistir e ouvir ao vivo e durante sete dias após a transmissão grande parte da produção televisiva e radiofônica por meio da plataforma BBC iPlayer, lançada em 27 de julho de 2007. Inicialmente, o serviço usava tecnologia Peer-to-peer e DRM para disponibilizar conteúdo de rádio e televisão dos sete dias anteriores para uso offline por até 30 dias; posteriormente, o vídeo passou a ser transmitido diretamente. Além disso, por meio da participação no grupo Creative Archive Licence, o bbc.co.uk permitiu downloads legais de determinados materiais de arquivo pela internet.[196]
A BBC frequentemente inclui aprendizagem em seus serviços online, com iniciativas como BBC Jam, Learning Zone Class Clips, BBC WebWise e First Click, destinadas a ensinar as pessoas a usar a internet. O BBC Jam era um serviço online gratuito, entregue por conexões de banda larga e estreita, que oferecia recursos interativos de alta qualidade para estimular a aprendizagem em casa e na escola. O conteúdo inicial foi disponibilizado em janeiro de 2006; entretanto, o BBC Jam foi suspenso em 20 de março de 2007 após alegações apresentadas à Comissão Europeia de que prejudicava os interesses do setor comercial da indústria.[197]
Nos últimos anos, algumas grandes empresas online e políticos reclamaram que a BBC Online recebe financiamento excessivo da taxa de licença de televisão, o que dificultaria a concorrência de outros sites com a grande quantidade de conteúdo online sem publicidade oferecida pela BBC.[198] Alguns propuseram reduzir o valor da taxa destinado à BBC Online, substituí-lo por publicidade ou assinaturas, ou diminuir a quantidade de conteúdo disponível.[199] Em resposta, a BBC realizou uma investigação e colocou em andamento um plano para mudar a forma de oferecer seus serviços online. A BBC Online passaria a tentar preencher lacunas do mercado e encaminhar usuários para outros sites quando já houvesse oferta adequada. Por exemplo, em vez de fornecer informações e horários de eventos locais, direcionaria os usuários a sites externos que já oferecessem esses dados. Parte do plano envolveu fechar alguns sites e redirecionar recursos para reconstruir outras áreas.[200][201]
Em 26 de fevereiro de 2010, The Times afirmou que Mark Thompson, diretor-geral da BBC, propôs reduzir em 50% a produção online da corporação e em 25% o número de funcionários e o orçamento da área, numa tentativa de diminuir as operações da BBC e abrir mais espaço para concorrentes comerciais.[202] Em 2 de março de 2010, a BBC informou que reduziria em 25% os gastos com seu site e fecharia BBC 6 Music e Asian Network, como parte dos planos de Thompson para criar "uma BBC menor e mais enxuta para a era digital".[203][204]
Televisão interativa
[editar | editar código]BBC Red Button é a marca dos serviços de televisão interativa da BBC, disponíveis pela Freeview (televisão digital terrestre), bem como pela Freesat, Sky UK (satélite) e Virgin Media (cabo). Ao contrário do Ceefax, seu equivalente analógico, o BBC Red Button pode exibir gráficos coloridos, fotografias e vídeos, além de programas, e pode ser acessado a partir de qualquer canal da BBC. O serviço oferece notícias, previsão do tempo e esportes 24 horas por dia, além de recursos extras relacionados aos programas exibidos. Entre eles estão a participação dos espectadores em casa em programas de perguntas, a manifestação e votação de opiniões sobre temas, como ocorre em programas como Question Time. Em períodos com vários eventos esportivos, coberturas de modalidades ou jogos menos populares frequentemente são disponibilizadas no Red Button. Também são adicionados recursos sem relação direta com a programação corrente, como a exibição do episódio animado de Doctor Who, Dreamland, em novembro de 2009.[205]
Música
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A BBC emprega cinco orquestras próprias, um coro profissional e apoia dois coros amadores, sediados em instalações da corporação pelo Reino Unido:[206] a Orquestra Sinfônica da BBC, os BBC Singers e o BBC Symphony Chorus, em Londres; a BBC Scottish Symphony Orchestra, em Glasgow; a BBC Philharmonic, em Salford; a BBC Concert Orchestra, em Watford; e a BBC National Orchestra of Wales, em Cardiff. Também adquire algumas transmissões da Ulster Orchestra, em Belfast, e da BBC Big Band.
Os The Proms são produzidos pela BBC todos os anos desde 1927, quando a corporação passou a financiar o popular festival de oito semanas de música clássica no verão após a editora Chappell and Co retirar seu apoio.[207] Em 1930, a recém-formada BBC Symphony Orchestra participou de todos os 49 Proms e, desde então, apresentou-se em todas as Last Night of the Proms. Os Proms são realizados no Royal Albert Hall desde 1941, e as orquestras e coros da BBC constituem a base do festival, respondendo por cerca de 40% a 50% das apresentações a cada temporada.[208]
Muitos músicos famosos de todos os gêneros se apresentaram na BBC, como The Beatles (Live at the BBC é um de seus muitos álbuns). A BBC também é responsável pela transmissão do Festival de Glastonbury e dos Festivais de Reading e Leeds e participa do Festival Eurovisão da Canção, representando o Reino Unido há mais de 60 anos.[209] A BBC também opera a divisão BBC Audiobooks, por vezes associada à Chivers Audiobooks.
Outros
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A BBC também opera outras iniciativas além da radiodifusão. Alguns programas são exibidos nos BBC Big Screens em locais centrais de várias cidades. A BBC e o Ministério das Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento administram conjuntamente o BBC Monitoring, que monitora rádio, televisão, imprensa e internet em todo o mundo. A BBC também desenvolveu vários computadores na década de 1980, principalmente o BBC Micro, criado no âmbito do BBC Computer Literacy Project, que antecipou a revolução dos microcomputadores e seus efeitos na economia, na indústria e na sociedade britânicas. O projeto acompanhou os objetivos e a programação educacional da corporação, começando com The Computer Programme, exibido em 1982.[211][212] O The National Museum of Computing em Bletchley Park usa BBC Micros em um programa para ensinar programação de computadores a estudantes.[213]
Em 1951, em parceria com a Oxford University Press, a BBC publicou The BBC Hymn Book, destinado a permitir que ouvintes de rádio acompanhassem os hinos transmitidos. O livro foi publicado com e sem música; a edição musical recebeu o título The BBC Hymn Book with Music.[214] A obra continha 542 hinos populares.
Ceefax
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A BBC ofereceu o primeiro serviço de teletexto do mundo, chamado Ceefax (quase homófono de "See Facts"), de 23 de setembro de 1974 a 23 de outubro de 2012 no canal analógico BBC1 e, posteriormente, na BBC2.[216] Ele exibia páginas informativas, como notícias, esportes e previsão do tempo. A partir da véspera de Ano-Novo de 1974, o Oracle, da ITV, tentou competir com o Ceefax. O Oracle encerrou suas atividades na véspera de Ano-Novo de 1992. Durante sua existência, o Ceefax atraiu milhões de espectadores até 2012, antes da transição digital no Reino Unido. Desde então, o Red Button Service da BBC oferece um sistema digital de informações que substituiu o Ceefax.[217]
BritBox
[editar | editar código]Em 2016, a BBC, em parceria com as emissoras britânicas ITV e Channel 4 (esta última posteriormente deixou o projeto), criou o "Project Kangaroo" para desenvolver um serviço internacional de streaming online que competisse com serviços como Netflix e Hulu.[218][219] Durante o desenvolvimento, "Britflix" foi cogitado como nome. O serviço, porém, acabou sendo lançado como BritBox em março de 2017. A plataforma online oferece um catálogo de programas clássicos da BBC e da ITV, além de disponibilizar vários programas pouco depois de sua transmissão no Reino Unido. Desde 2021[update], o BritBox estava disponível no Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália e, mais recentemente, África do Sul, com possibilidade de expansão para novos mercados.[220][221][222]
Atividades comerciais
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A BBC Studios é a subsidiária comercial integralmente controlada pela BBC, responsável pela exploração comercial dos programas e de outras propriedades da corporação, incluindo vários canais de televisão em todo o mundo.[223] Foi formada em 2018 com a fusão do braço comercial de produção da BBC e de seu braço internacional de distribuição, a BBC Worldwide, criada em 1995 após a reestruturação da antecessora BBC Enterprises. Antes disso, a venda de programas televisivos da BBC começou a ser administrada em 1958 com a criação do cargo de gerente comercial.[224] A atividade se expandiu até a criação, em 1960, do departamento Television Promotions (posteriormente Television Enterprises), sob um gerente-geral.[224]
A empresa possui e administra diversos canais comerciais em diferentes territórios e plataformas pelo mundo. Entre eles estão a BBC UKTV, voltada à Australásia, e, anteriormente, a BBC America (hoje integralmente pertencente à AMC Networks). A empresa transmite dois canais infantis: uma versão internacional do CBeebies e o BBC Kids, uma joint venture com a Knowledge Network Corporation. Também opera o BBC Earth, que distribui o conteúdo de história natural da BBC para países fora do Reino Unido, e o BBC Lifestyle, com programas sobre alimentação, estilo e bem-estar.[225] Além disso, a BBC Studios operou uma versão internacional do canal BBC HD.

A BBC Studios também distribui o canal internacional de notícias 24 horas BBC News. O canal é separado da BBC Studios para preservar seu ponto de vista neutro, mas é distribuído por ela. É a entidade sobrevivente mais antiga de seu tipo e possui 50 escritórios de notícias no exterior e correspondentes em quase todos os países do mundo.[227] Segundo levantamento oficial, está disponível em mais de 294 milhões de domicílios, número significativamente superior aos cerca de 200 milhões da CNN.[227] Além desses canais internacionais, a BBC Studios também é proprietária da rede UKTV, composta por sete canais. Eles exibem programas do arquivo da BBC: Alibi, dramas policiais; Dave (slogan: "The Home of Witty Banter"); Drama, dramas, lançado em 2013; Eden, natureza; Gold, comédia; W, entretenimento; e Yesterday, programação histórica.
Além desses canais, muitos programas da BBC são vendidos pela BBC Studios a emissoras estrangeiras, sendo especialmente populares comédias, documentários, dramas policiais (como Luther e Peaky Blinders) e dramas históricos. O formato de reality show de maior sucesso da BBC, Strictly Come Dancing — sob o título Dancing with the Stars — foi exportado para outros 60 países.[228][229] Entre as produções encomendadas e distribuídas pela BBC estão os curtas de comédia animada Wallace e Gromit, Wallace & Gromit: The Wrong Trousers e Wallace & Gromit: A Close Shave.[230] Os telejornais da BBC também aparecem todas as noites em muitas estações da PBS nos Estados Unidos, assim como reprises de programas como EastEnders, e na Nova Zelândia pela TVNZ 1.[231]

Além da programação, a BBC Studios produz materiais associados aos programas. A empresa manteve o braço editorial BBC Magazines, que publicava a Radio Times; lançada pela BBC em 28 de setembro de 1923, foi a primeira revista de programação de rádio e televisão do mundo.[232] A Radio Times cobre as grades de televisão e rádio britânicas, e sua edição de Natal de 1988 vendeu 11.220.666 exemplares, número certificado pelo Guinness World Records como a edição de revista britânica mais vendida da história.[233] Outras revistas relacionadas à programação da BBC incluem BBC Top Gear, BBC Good Food, BBC Sky at Night, BBC History, BBC Wildlife e BBC Music. A BBC Magazines foi vendida à Exponent Private Equity em 2011, que a fundiu com a Origin Publishing (anteriormente pertencente à BBC Worldwide entre 2004 e 2006) para formar a Immediate Media Company.[234]
A BBC Studios também publica livros associados a programas como Sherlock e Doctor Who pela marca BBC Books, selo editorial de propriedade majoritária da Random House. Álbuns de trilha sonora, singles — incluindo dois números um nas paradas britânicas originados de programas infantis da BBC, "Teletubbies say "Eh-oh!"", de Teletubbies, e "Can We Fix It?", de Bob, o Construtor —, audiolivros e trechos de transmissões radiofônicas também são vendidos sob a marca BBC Records, enquanto DVDs são comercializados e licenciados em grande quantidade no Reino Unido e no exterior sob a marca BBC Studios Home Entertainment.[235] Programas de arquivo e gravações de música clássica são vendidos sob a marca BBC Legends.[236]
Significado cultural
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Até o desenvolvimento, a popularização e o domínio da televisão, o rádio era o meio de radiodifusão do qual a população do Reino Unido dependia. Ele "chegava a todos os lares do país e, simultaneamente, unia a nação, um fator importante durante a Segunda Guerra Mundial".[237] A BBC introduziu em 1936 o primeiro serviço de televisão "de alta definição" do mundo, com 405 linhas. Suspendeu seu serviço televisivo durante a Segunda Guerra Mundial e até 1946, mas permaneceu a única emissora de televisão do Reino Unido até 1955, quando a Independent Television (ITV) começou a operar.[238] Isso marcou a transformação da televisão em um meio popular e dominante. Ainda assim, "durante toda a década de 1950, o rádio continuou sendo a fonte dominante de comédia transmitida".[238] Além disso, a BBC foi a única emissora de rádio legal até 1968, quando a University Radio York obteve sua primeira licença.[239]

Apesar do surgimento da televisão e do rádio comerciais, com a concorrência da ITV, Channel 4 e Sky, a BBC permaneceu um dos principais elementos da cultura popular britânica devido à obrigação de produzir programas de televisão e rádio para grandes audiências.[241][242] A chegada da BBC2, porém, também permitiu à BBC produzir programas para interesses minoritários nas áreas de drama, documentários, atualidades, entretenimento e esporte. Entre os exemplos citados estão as séries Civilisation, Doctor Who, I, Claudius, Monty Python's Flying Circus, Pot Black e Tonight. Outros exemplos em cada área aparecem na lista de 2000 do British Film Institute, a BFI TV 100, na qual a sitcom da BBC dos anos 1970 Fawlty Towers — com John Cleese como Basil Fawlty — ficou em primeiro lugar.[243] Descrita pelo The Telegraph como o primeiro "momento de bebedouro" da televisão, a adaptação de 1954 da BBC de Nineteen Eighty-Four causou forte impacto em uma audiência televisiva ainda emergente, chocada com a representação explícita de um regime totalitário que controlava a população.[244][245] Estreando na BBC em 1949, Benny Hill, com The Benny Hill Show, tornou-se o primeiro comediante britânico a ganhar fama pela televisão.[246] Duplas populares de comédia da BBC incluem Morecambe and Wise, cujo programa estreou em 1968, e The Two Ronnies, que estreou em 1971.[247] A sitcom de humor negro Blackadder, estrelada por Rowan Atkinson no papel-título, teve quatro séries entre 1983 e 1989.[248]
Top of the Pops, o programa musical semanal de maior duração do mundo, estreou em janeiro de 1964, com os Rolling Stones como primeiro grupo a se apresentar.[249] No ar desde 22 de agosto de 1964, Match of the Day é transmitido nas noites de sábado durante a temporada da Premier League.[250] Alguns programas da BBC tiveram impacto direto na sociedade. The Great British Bake Off, por exemplo, é creditado por revitalizar o interesse pela confeitaria no Reino Unido, com lojas relatando fortes aumentos nas vendas de ingredientes e acessórios para assar.[251] A exportação de programas da BBC por serviços como o BBC World Service e a BBC News, além dos canais operados pela BBC Studios, permite que públicos de todo o mundo consumam produções da corporação. Entre os programas de longa duração estão Desert Island Discs, transmitido no rádio desde 1942;[252] Sports Report, transmitido no rádio às 17h dos sábados durante a temporada de futebol desde janeiro de 1948 e com a mesma música-tema de Hubert Bath, sendo o programa esportivo de rádio de maior duração do mundo;[253][254] The Archers, transmitido no rádio desde 1951 e considerado o drama de maior duração do mundo;[255] e Panorama, exibido na televisão da BBC desde 1953 e considerado o programa jornalístico de televisão de maior duração do mundo.[256] A série de comédia de ficção científica de 1978 da Radio 4, The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, de Douglas Adams, que originou uma franquia de mídia, foi o primeiro programa de comédia radiofônica produzido em estéreo e inovou no uso de música e efeitos sonoros.[257] A transmissão de Wimbledon pela BBC é a parceria de radiodifusão esportiva de maior duração da história, iniciada no rádio em 1927 e na televisão em 1937.[258]

O Prêmios da Academia Britânica de Cinema (BAFTA) foi transmitido pela primeira vez pela BBC em 1956, com Vivien Leigh como apresentadora.[259] O equivalente televisivo, o British Academy Television Awards, é exibido exclusivamente pela BBC desde a cerimônia de 2007, que incluiu vitórias de Jim Broadbent (melhor ator) e Ricky Gervais (melhor desempenho em comédia).[260]
O termo "BBC English" foi usado como nome alternativo para a Received Pronunciation, e o English Pronouncing Dictionary usa "BBC Pronunciation" para identificar suas recomendações.[261] A própria BBC, contudo, passou a fazer maior uso de sotaques regionais para refletir a diversidade do Reino Unido, embora continue esperando clareza e fluência de seus apresentadores.[262] Desde seu início mais "formal", a BBC também se tornou mais inclusiva e passou a tentar atender aos interesses de todos os estratos sociais e de todas as minorias, pois todos pagam a taxa de licença.[263]
Termos coloquiais
[editar | editar código]Públicos domésticos britânicos mais velhos frequentemente se referem à BBC como "the Beeb", apelido cunhado por Peter Sellers durante uma reunião de 1972 do programa de comédia radiofônica dos anos 1950 The Goon Show, quando usou a expressão "Beeb Beeb Ceeb".[264] O nome foi depois encurtado e popularizado pelo DJ de rádio Kenny Everett.[265] As sessões de gravação de David Bowie na BBC foram lançadas como Bowie at the Beeb, enquanto as sessões da banda Queen foram lançadas como At the Beeb.[266] Outro apelido, hoje menos comum, é "Auntie" ("Titia"), que teria origem na antiga atitude de "Auntie knows best" ("a titia sabe o que é melhor") ou na ideia de tias e tios presentes ao fundo da vida cotidiana — possivelmente também em referência às "tias" e aos "tios" que apresentavam programas infantis nos primeiros anos —, na época em que John Reith, primeiro diretor-geral da BBC, estava no comando.[267] O uso de "Auntie" para a BBC é frequentemente atribuído ao disc jockey Jack Jackson.[11] Para celebrar o cinquentenário da BBC, a canção "Auntie" foi lançada em 1972.[268] O termo também apareceu no título do programa de erros de gravação da BBC Auntie's Bloomers, apresentado por Terry Wogan de 1991 a 2001.[269] Os dois apelidos também foram usados em conjunto como "Auntie Beeb".[270]
Logotipo e símbolos
[editar | editar código]Logotipos
[editar | editar código]Brasão de armas
[editar | editar código]| Brasão da British Broadcasting Corporation | |
|---|---|
| Imagem | |
| Adotado | 1927 |
| Timbre | Sobre um virol das cores, um leão passante de ouro, segurando na pata dianteira direita um raio em suas cores naturais.[275] |
| Virol | Um virol das cores.[275] |
| Escudo | De azul, um globo terrestre em suas cores naturais, circundado por um anel de ouro e sete estrelas de prata dispostas em orla.[275] |
| Suportes | Em cada lado, uma águia em suas cores naturais, com as asas voltadas para trás e coleira azul, da qual pende uma trompa de caça de ouro com cordão.[275] |
| Lema | Nation shall speak peace unto Nation[275] |
| Outros elementos | Distintivo — um raio em suas cores naturais, sobre o qual há um círculo negro inscrito com as letras BBC em ouro.[275] |
Controvérsias
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Ao longo de sua existência, a BBC enfrentou numerosas acusações relacionadas a diversos temas: a Guerra do Iraque, a Guerra de Gaza, política, ética e religião, além de financiamento e pessoal. Também esteve envolvida em diversas controvérsias por causa da cobertura de notícias e programas específicos. A BBC foi repetidamente acusada tanto de viés anti-Israel quanto de viés anti-palestino.[276][277]
Alegações de viés liberal e de esquerda
[editar | editar código]A BBC há muito enfrenta acusações de viés liberal e de esquerda.[278] Acusações de parcialidade contra o governo de Margaret Thatcher e o Partido Conservador eram frequentemente feitas por membros daquele governo, e a própria Margaret Thatcher considerava a cobertura jornalística da emissora tendenciosa e irresponsável.[279] Em 2011, Peter Sissons, importante apresentador de notícias da BBC entre 1989 e 2009, afirmou que "no núcleo da BBC, em seu próprio DNA, existe uma forma de pensar firmemente de esquerda".[280]
Outro apresentador da BBC, Andrew Marr, comentou que "a BBC não é imparcial nem neutra. Ela tem um viés liberal, não tanto um viés político-partidário. É melhor descrito como um viés cultural liberal". O ex-diretor da BBC Roger Mosey classificou-o como "liberal defensivo".[281][282][283] Em 2022, o presidente da BBC, Richard Sharp, disse que a BBC "de fato tem um viés liberal" e que a instituição estava "lutando contra isso".[284] Em novembro de 2025, alegações do The Daily Telegraph de que a BBC havia montado de forma enganosa um discurso de Donald Trump anterior ao ataque ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro em um documentário levaram vários executivos da BBC a renunciar, incluindo o chefe da corporação.[285]
Alegações de viés de direita
[editar | editar código]Escrevendo para The Guardian em 2018, o colunista de esquerda Owen Jones afirmou que "a verdade é que a BBC está cheia de direitistas"[286] e citou como exemplo de parcialidade a contratação do "ultra-thatcherista" Andrew Neil como apresentador político.[287] Em agosto de 2022, a ex-apresentadora da BBC Emily Maitlis afirmou que o membro do conselho Robbie Gibb, que havia trabalhado como consultor editorial do canal de direita GB News, e o ex-primeiro-ministro Boris Johnson, que o nomeara para o conselho, era um "agente ativo do Partido Conservador" com papel significativo na determinação da natureza da produção jornalística da corporação.[288] Em novembro de 2025, o líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, pediu a remoção de Gibb do conselho da BBC devido ao suposto papel dele na controvérsia de viés editorial de 2025.[289]
Uma pesquisa de opinião de 2018 da BMG Research constatou que 40% do público britânico considerava a BBC politicamente partidária, com divisão quase igual entre os que acreditavam que ela tendia à esquerda ou à direita.[290]
Acusações de viés em temas transgênero
[editar | editar código]A BBC foi acusada por políticos, veículos de comunicação, funcionários da própria emissora e defensores dos direitos trans de criar um "pânico moral" contra esses direitos e de apresentar transfobia mais ampla em sua cobertura,[291][292] com exemplos como o artigo "We're being pressured into sex by some trans women", no qual a BBC citou uma enquete em redes sociais de um grupo anti-trans para afirmar que mulheres transgênero pressionavam lésbicas a manter relações sexuais sob ameaça de serem rotuladas de transfóbicas.[293][294][295] Outros exemplos frequentemente citados são a política de "equilibrar" aparições de pessoas transgênero com ativistas de grupos críticos de gênero, seu manual de estilo, que exige que qualquer alegação de transfobia seja contestada pelo apresentador do noticiário, e sua política contra o uso do termo "cisgênero".[296][297]
A BBC também foi acusada por grupos críticos de gênero e por funcionários da corporação de apresentar viés pró-trans, principalmente por "não deixar claro que mulheres transgênero são biologicamente do sexo masculino".[298][299] Tais acusações sustentaram que a editoria LGBT da BBC teria sido "capturada por um pequeno grupo de pessoas" empenhado em promover uma agenda pró-trans.[293][300][301] Pouco depois, a BBC começou a publicar artigos que se referiam a mulheres trans como "homens biológicos que se identificam como mulheres".[302]
Ver também
[editar | editar código]Notas
[editar | editar código]- ↑ em português: Corporação Britânica de Radiodifusão
- ↑ Ao contrário dos outros departamentos da BBC, o BBC World Service havia sido financiado pelo Ministério das Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento (também conhecido como Foreign Office ou FCO), departamento do governo britânico responsável por promover os interesses do Reino Unido no exterior.
- ↑ A própria BBC escreveu sobre o assunto (por volta de 2005) que não pode "expressar sua própria opinião editorial sobre assuntos de atualidade ou questões de política pública", e que isso "não quer dizer, naturalmente, que programas controversos nunca sejam transmitidos, mas toma-se grande cuidado para garantir que os argumentos sejam bem equilibrados".[122]
- ↑ A BBC Three deixou de transmitir como canal de televisão linear em fevereiro de 2016, mas retornou à televisão em fevereiro de 2022.
Referências
[editar | editar código]- 1 2 3 4 5 «BBC Group Annual Report and Accounts 2023/24» (PDF). BBC. 24 de julho de 2024. Consultado em 12 de outubro de 2024. Cópia arquivada (PDF) em 5 de agosto de 2026
- ↑ Andrews, Leighton (2005). Harris, Phil; Fleisher, Craig S., eds. «A UK Case: Lobbying for a new BBC Charter». SAGE. The Handbook of Public Affairs: 247–48. ISBN 978-0-7619-4393-8. doi:10.4135/9781848608108.n16
- ↑ «BBC – Governance – Annual Report 2013/14». BBC. Consultado em 20 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 5 de julho de 2019
- ↑ «BBC Annual Report & Accounts 2008/9: Financial Performance». BBC. Consultado em 12 de fevereiro de 2010. Arquivado do original em 10 de fevereiro de 2010
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Fontes
[editar | editar código]Obras citadas
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Fontes primárias
[editar | editar código]- Sobre a BBC
- História da BBC
- Relatórios anuais da BBC – Cópias de todos os relatórios anuais da BBC desde o início do milênio.
- Milne, Alasdair. – The Memoirs of a British Broadcaster – História do caso do satélite espião Zircon, escrita por um ex-diretor-geral da BBC. Uma série de programas de rádio da BBC intitulada The Secret Society levou a buscas policiais na Inglaterra e na Escócia para apreender documentos como parte de uma campanha governamental de censura. – Coronet, 1989. ISBN 0-340-49750-5
