A economia mundial é construída sobre o pressuposto do crescimento. Investidores compram ações, colocando esperança na sua valorização, e os CEO’s são despedidos, caso não haja aumento de lucros.
Como é óbvio, não é sensato esperar um crescimento infinito num mundo finito. As mega-empresas criam estratégias para continuar o crescimento:
a) Mudam-se fábricas para países onde a mão de obra é barata. Ou seja, fecham-se fábricas de um dia para outro, mandando centenas de trabalhadores dedicados para o desemprego, e toma-se partido das fracas leis laborais e ambientais dos países em desenvolvimento onde se implantam as novas fábricas.
b) Inova-se. Bom, nem tanto assim. Criam-se iterações anuais, mudando ligeiramente o design e adicionando novas cores, para criar nos consumidores a sensação de desatualização e consequente desejo de consumir. Micro-avanços são vendidos como saltos gigantes e novos updates excluem os aparelhos mais antigos. Fazem-se produtos que não podem ser reparados ou que têm um prazo de validade propositadamente curto. A tal obsolescência programada. Criam-se aparentes necessidades respondidas por novos produtos, que muitas vezes acabam abandonados após umas poucas utilizações.
c) Se isto não resultar, aumentam-se os preços. De forma concertada, numa lógica de cartel, claro, eliminando a dinâmica da concorrência. Aproveitam-se as narrativas do momento: a pandemia, a guerra, a crise — e alavancam-se os preços. Criam-se esquemas obtusos, fidelizações, subscrições, letras pequeninas nos enormes contratos, que somos obrigados a aceitar sem qualquer negociação.
d) Se ainda assim nada disto resultar, pede-se dinheiro aos contribuintes, já tão explorados. Pede-se ao Estado para salvar uma empresa privada, eliminando mais uma dinâmica do apregoado mercado liberal. A cartada do mercado liberal é usada apenas quando convém. Como diz Noam Chomsky: “Socializam-se os custos e privatizam-se os lucros.”
Daqui a umas décadas, a iminente estagnação da população mundial, colocará uma enorme pressão sobre as empresas, cujo crescimento deve muito ao aumento populacional. Por isso, Elon Musk, pai de 12, tem sido um vocal apologista da geração de filhos.
Vai chegar o dia, e não está assim tão longe, em que o verde, o sinal de mais e as montanhas do gráfico vão dar lugar ao vermelho, ao menos e ao precipício. Os que estão no topo terão acesso a informação privilegiada e talvez saiam atempadamente, o resto, que acreditou, ingenuamente, que se pode ganhar dinheiro sem trabalhar, vai perceber, já tarde, que foram unicamente usados para fazer crescer empresas, que não querem saber de mais nada senão crescer.

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