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Ao Deus Desconhecido · Jul 2, 2024

Short Content, Short Self

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Natanael Gama · Ao Deus Desconhecido

O consumo de vídeos curtos, que aparecem sem solicitação numa torrente contínua, está a estupidificar-nos. 
Diante deste conteúdo, o nosso cérebro fica como se entrasse numa máquina de lavar em modo de centrifugação, sendo violentamente levado para as extremidades, ou seja, para o seu lado primal, para a epiderme da mente, para a mera reação.

O conteúdo varia entre o hipnótico e o excitante, entre o humorístico e o dramático, entre o real e o falso, entre o assustador e o relaxante. E aí seguimos nós nessa montanha-russa de emoções, infinita, até ficarmos com o cérebro em papa ou adormecermos com o telemóvel em cima da cara. 

Estes conteúdos não ficam devidamente registados na nossa memória. Aliás, ninguém é capaz de falar do que viu após uma hora de swiping, e, por isso, ninguém pode apelar ao lado alegadamente instrutivo destes vídeos.

O denominado short content — conteúdo de curta duração — está a competir com todo o outro tipo de conteúdos que potencialmente poderíamos estar a consumir: filmes, música, literatura. E, mais lamentável ainda, também nos rouba tempo que poderíamos usar com interações no mundo real, com pessoas de carne e osso.

Os conteúdos lentos — chamemos assim àqueles conteúdos que demoram a consumir — forçam-nos a engajar uma maior parte de nós nesse consumo. Por oposição à tal centrifugação (fuga do centro), centram-nos.
Permitem-nos aprender de facto, sentir com propriedade e motivar pensamentos e conversas profícuas, coisas que fazem de nós seres humanos mais belos e menos facilmente enredados por publicidade e populistas.

Em vez de chapinhar, devemos mergulhar; de outra forma, estamos fadados à estupidificação, à alienação e à aridez espiritual. As nossas almas estão em jogo diante desses espelhos negros — os ecrãs dos nossos dispositivos. 

Adolescentes deprimidos, viciados em dopamina, doutrinados por memes e crentes de fake-news. Eis o admirável mundo novo!

O ímpeto para começar um movimento amish 2.0 é real, mas, antes de fugirmos, talvez possamos fazer alguma coisa a este respeito. Partilhem as vossas ideias e sentimentos nos comentários!

Read the original on aodeusdesconhecido.substack.com

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