A Europa enfrenta uma crise demográfica. Por um lado a média do número de bebés por mulher está nos 1.34 (bastante abaixo dos 2.1 necessários para evitar o decréscimo populacional), por outro a esperança média de vida tem vindo a aumentar (quase mais 20 anos desde os anos 50). Isto conduz à tal pirâmide demográfica invertida, onde poucas pessoas em idade ativa terão de sustentar muitas em idade não ativa.
Sem que haja pessoas suficientes a trabalhar para manter o estado social, por meio dos impostos, as reformas desaparecem e os serviços degradam. Também haverá uma escassez de trabalhadores em quase todos os setores o que poderá comprometer a sua eficiência e aumentar severamente o seu custo.
Uma das soluções pode passar por permitir a entrada de imigrantes de países com excedente de população ativa e muito desemprego, que colmatariam as falhas no tecido laboral destes países envelhecidos. E é o que tem vindo a acontecer, em larga escala, em toda a Europa.
Isto precisa ser dito com clareza: Não são só os imigrantes que beneficiam em vir para os nossos países à procura de uma vida melhor, nós beneficiamos com a entrada de pessoas jovens no nosso país, especialmente se vierem enquanto família e gerarem descendência.
Apesar de no papel estas medidas parecerem perfeitas, na prática não é assim tão simples. Isto prende-se com o facto de talvez termos achado, precocemente, que o sonho multi-culturalista já estava realizado no mundo. Todavia muitas destas pessoas que entram, não têm as mesmas práticas, os mesmos valores e os mesmos costumes dos que os já cá estão.
Isto por um lado conduz a atritos sociais, criados por parte dos nativos, que querem defender os costumes e valores com que construíram o seu apelativo país, por outro, leva ao afastamento e criação de guetos por partes dos imigrantes que procuram, fora da sua terra, lugares onde manter vivos os seus costumes e tradições.
Não estou a falar de um racismo latente (que também existe), mas do entendimento que certos modos de vida são incompatíveis com os nossos valores: por exemplo a forma como percebemos o lugar da mulher na sociedade.
Devido à velocidade e intensidade que estes fenómenos ocorrem parece estar a haver, em todas as latitudes, um fechamento político a esta realidade. O que poderá comprometer a estabilidade demográfica dos nossos países e também acirrar as relações diplomáticas com outros países. O sonho do mundo ser um cartaz da Benetton dos anos 90 parece estar, estranhamente, a ficar mais distante.

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