Uma tecnologia é útil na medida em que expande as potencialidades do ser humano, permitindo-o realizar mais eficientemente os seus desígnios. A tecnologia deve ser sempre coadjuvante e nunca usurpar o trabalho que seja significativo para o homem.
A minha crítica à Inteligência Artificial (IA) vai precisamente neste sentido: ela tem sido desenvolvida mais com interesses económicos em mente do com os interesses das pessoas. Nós queremos tecnologia que nos lave a loiça e nos liberte tempo para criar arte, e não tecnologia que nos roube trabalho gratificante, mas que nos deixe a pilha de loiça por lavar na pia.
Por esta razão, celebro duas conquistas recentes da IA. Numa delas, a IA foi usada, de facto, para fazer algo que os humanos não conseguem fazer (eficazmente); noutra, a IA foi usada para fazer algo que os humanos não querem fazer.
Uma IA da Google, feita originalmente para jogar Go, foi adaptada para realizar um trabalho importantíssimo, mas inglório, dispendioso e extenuante para humanos. A AlphaFold1 revelou com grande precisão a estrutura de milhões de proteínas, acelerando repentinamente a descoberta destas estruturas, que são literalmente os blocos de construção da vida. Isto poderá ter um grande impacto na descoberta de novas curas de doenças, na criação de medicamentos mais eficazes, no cultivo mais eficiente de alimentos e até na aceleração de processos de degradação de plástico. Espantoso!
O outro uso positivo de IA chama-se Daisy2 e consiste num chatbot que emula a voz de uma avozinha confusa e simpática. Esta avozinha é usada em linhas telefónicas para consumir o tempo e a paciência a scammers que, desta forma, não estão realmente a enganar pessoas. A responsável é a empresa de telecomunicações britânica O2, que criou este chatbot de áudio em tempo real, especificamente para lidar com burlões. Basta reportar o número fraudulento e eles tratam do resto. Excelente!
Afinal, a IA pode não ser um desastre completo, desde que seja usada da forma certa, pois claro.

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