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O Substack de Antonio Risério · Dec 22, 2025

UM RETRATO DA BAHIA

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Antonio Risério · O Substack de Antonio Risério

Naquele lugar outrora aprazível, hoje o PT faz o que quer. Manda & desmanda, há duas décadas. Ditatorialmente. E tem um gosto totalmente doentio na perseguição de adversários (nesse quesito, deixaram Antonio Carlos Magalhães para trás). Especialmente, se o adversário for de esquerda. E, mais especialmente ainda, se um dia apoiou o PT. Como no meu caso, que fui um dos muitos otários que acreditaram na mentira cósmica de que o partido representava “a ética na política”. Hoje, me caluniam sem o menor pudor – chamando-me, inclusive, de “bolsonarista”. Me impediram de escrever na imprensa local. Me impedem de trabalhar. A Bahia, hoje, é um estado semidemocrático. Porque não temos sequer empresariado de algum porte, que mantenha certa independência do poder. Não: o empresariado baiano é fraquíssimo (e numa comparação não com São Paulo, aviso, mas com Pernambuco). Fraquíssimo e medroso. Além disso, “todo mundo” aqui vive às custas do governo estadual – quando não, são funcionários públicos federais, a começar pelos professores universitários, comodamente instalados no aparelho ideológico de Estado. Ou seja: ninguém questiona nada.

O que não consigo entender é a razão de os petistas baianos se vangloriarem tanto do que não fazem. É pura (ou impura) mistificação marqueteira. Depois de vinte anos no poder, e à exceção de um trem suburbano (vulgo “metrô”) espalhafatoso e segregador, nada realizaram que seja realmente digno de nota. Pelo contrário. Vejam apenas alguns dos dados disponíveis, à guisa de ilustração. Em tudo que é importante, ficamos na rabeira do ranking nacional. De acordo com o relatório do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), publicado pelo Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, a Bahia está em último lugar no tópico da aprendizagem de língua portuguesa e matemática do ensino médio no país. Se estamos péssimos neste segmento (21º. lugar no ranking nacional), vamos de mal a pior também com relação ao trabalho: terceiro lugar no ranking do desemprego no país, atrás apenas de Pernambuco e Piauí. Já no quesito segurança pública, o Atlas da Violência divulgado em 2025 informa que, na conta do número de assassinatos por cada 100 mil habitantes, a Bahia é vice-campeã nacional, perdendo somente para o Amapá. Fracasso na educação, fracasso na geração de emprego, fracasso na segurança pública – portanto. Mas não para por aí. Temos, ainda, o tremendo fracasso social, desnudado pelos números relativos ao programa assistencialista Bolsa Família, herdado do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Aqui, a Bahia é imbatível. É o lugar onde se encontra o maior contingente de famílias beneficiárias do programa, em comparação com todas as demais unidades da federação brasileira. Cerca de 2 milhões e 500 mil famílias, conforme o levantamento mais recente. O nonsense da coisa é que petistas apresentam os números do fiasco como se fossem um retrato do sucesso. O governo estaria garantindo a sobrevivência da população mais pobre. Sim, está. Mas na base da esmola, não do trabalho. Desde o início, o PT definiu o Bolsa Família como programa assistencial de caráter efêmero, a ser superado pela implantação de “programas emancipatórios” (era este, por exemplo, o discurso já na gestão de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo). Dizia-se, então: o Bolsa Família vai dar o peixe, até que o programa emancipatório ensine a pescar. Mas os tais dos “programas emancipatórios” não foram implantados. Não interessa ao partido, que, com o Bolsa Família, mantém o eleitorado na coleira e no curral. Assim, a expansão supostamente imprevista do Bolsa Família demonstra que o governo baiano não resolveu nada do que prometia resolver – optando pela assistência à pobreza e não por sua superação. A pobreza, claro, vai crescendo a cada dia. Trata-se então do fracasso mais espetacular da coleção de fracassos do PT em duas décadas de desempenho pífio no comando do governo estadual.

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