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e-mails, não enviados. · Aug 19, 2026

#11 Nós somos nós mesmos o tempo todo? Quem eu estou enganando... a eles ou a mim mesma?

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ᥲᥒᥒᥱ ꪆৎ · e-mails, não enviados.

Há alguns dias, tive uma conversa que me fez pensar bastante. Tive essa mesma discussão em momentos diferentes, uma com uma amiga próxima e outra com meu namorado. Ter o mesmo diálogo com pessoas distintas me fez perceber algo: dificilmente somos nós mesmos o tempo todo.

Você deve estar se perguntando: “O que você quer dizer com isso, Anne?”

A verdade é que nunca mostramos 100% de quem somos para todo mundo. Criamos filtros e escolhemos a versão que cabe em cada relação. Você pode ser mais reservada com uma amiga por falta de intimidade e, ao mesmo tempo, completamente aberta com outra. É curioso pensar que cada pessoa que passa pela nossa vida conhece uma versão única de nós.

Isso não significa que somos falsos ou mascarados. É apenas a nossa mente buscando segurança e conexão nos níveis certos. Mas, às vezes, me pego pensando: no meio de tantas versões espalhadas por aí, qual delas é a mais real? Será que existe uma versão “definitiva” de nós mesmos, ou somos justamente a soma de todas essas facetas que mostramos aos outros?

No fim das contas, esses filtros são a forma como nos protegemos e também como nos entregamos. Mostramos o nosso lado mais leve para alguns, o mais vulnerável para outros e o mais reservado para quem ainda está chegando. O bonito disso é perceber que quem realmente nos ama aprende a juntar esses pedaços — e nos acolhe por inteiro, sem precisar de filtro nenhum.

Se eu olhasse para trás, veria um rastro de pedaços meus espalhados pelo caminho. Existem amigos do passado que já tiveram o melhor de mim, mas que hoje só guardam a lembrança de uma versão que nem existe mais. Por outro lado, tenho a sorte de ter amigos por perto que chegam muito perto de me decifrar; não me conhecem por inteiro, mas guardam partes imensas e valiosas de quem eu sou.

No entanto, existe um lugar onde o filtro simplesmente deixa de existir. O homem que eu amo me conhece de uma forma que ninguém mais consegue — tão bem quanto eu mesma me conheço.

É uma sensação estranha essa de ter que se filtrar. Às vezes, no meio de uma roda de conversa ou de uma interação rápida, me pego segurando um pensamento, engolindo uma risada mais espalhafatosa ou medindo as palavras só para não me expor além da conta.

Estranho mesmo é perceber a energia que gastamos erguendo essas barreiras para nos proteger. Fica aquela sensação incômoda de estar performando uma versão simplificada de si mesma, como se a gente estivesse sempre a um passo de ser “demais” ou “de menos” para os outros. Ter que se podar para caber na expectativa de alguém é exaustivo.

a vida vai nos ensinando a selecionar onde vale a pena colocar energia e onde é melhor deixar a cortina fechada. Não precisamos nos entregar por inteiro em todas as esquinas, e tudo bem.

Read the original on anneliesericci.substack.com

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