Tem um bom tempo que eu uso IA no meu dia a dia, e uma coisa ficou clara: a ferramenta sozinha não resolve nada. O que faz diferença é entender como você funciona antes de decidir como a IA vai entrar na sua vida.
É exatamente isso que eu aprendi nesses últimos meses usando a Claudinha — que é como eu chamo o Claude, da Anthropic. Não é ela que tem que se adaptar a mim. Sou eu que preciso entender o meu próprio workflow para aí, sim, deixar ela trabalhar dentro dele.
E foi isso que eu fui fazer de forma mais estruturada recentemente. Reorganizei tudo. E quis registrar aqui pra quem também está tentando usar IA de forma mais estratégica (e menos ansiosa).
Eu não sou expert em IA. Assisti muitos vídeos, li artigos, fui entendendo aos poucos. E nesse processo, testei algumas ferramentas antes de decidir que a Claudinha é a que funciona melhor pra mim e pro tipo de demanda que eu tenho.
Uso o Claude Desktop na maior parte do tempo. Só vou ao navegador quando vou usar o Claude Design — que é uma ferramenta nova ainda, então não tenho muito pra falar sobre ela ainda.
No desktop, trabalho em três espaços principais: o chat, o coworking e o code. E cada um tem uma função diferente no meu processo.
O chat é o espaço de conversas mais rápidas e genéricas. Você joga lá uma informação, ela gera, você baixa ou deixa ali mesmo. Funciona bem pra coisas pontuais — mas não é onde eu concentro meu trabalho mais estruturado.
O coworking — que a própria Anthropic ainda chama de beta, mas eu não estou mais vendo esse selinho — é o espaço que eu mais estou usando agora e onde vou concentrar as mudanças. É onde você conecta pastas do seu computador (ou do Drive, que é o que eu uso porque trabalho em dois computadores). A Claudinha acessa esses arquivos e trabalha com eles de forma mais contextualizada.
A lógica é simples: se eu preciso que ela tenha algo na memória e vou acessar isso com frequência → chat com projetos. Se eu preciso que ela acesse arquivos específicos que também estão no meu computador → coworking.
O code é uma área diferenciada. Eu uso muito, mas principalmente dentro do VS Code, pelo Claude Code, porque prefiro trabalhar com a mão na massa do código de verdade. Não vou fingir que uso esse espaço do jeito que talvez eu deveria — então vou deixar esse assunto pra outro momento.
Pra montar minha estrutura, eu fiz o seguinte: fui no chat, abri um projeto, e pedi pra a Claudinha me fazer perguntas pra me ajudar a criar minha forma ideal de uso. Ela fez um questionário interativo — e isso, aliás, é uma das coisas que mais me fez me apegar a ela. Não é um texto pra copiar e colar: é algo que você responde no próprio fluxo da conversa.
Com as minhas respostas, ela gerou um diagnóstico de uso e uma sugestão de estrutura de pastas. Eu obedeci em parte. Porque eu faço o que eu quero.
A estrutura que faz sentido pra mim hoje:
Pasta de negócio — onde fica um documento MD chamado sobre. Esse arquivo contém meu modelo de negócio, meu círculo de ouro, diferenciais, posicionamento. A instrução que eu dou pra ela é: sempre que eu perguntar algo sobre estratégia de negócio, vai nesse documento primeiro, lê quem eu sou e o que eu faço, e aí me responde. Isso evita que ela me dê respostas genéricas.
Pasta de conteúdo — com subpastas separadas pra YouTube e Substack. Dentro delas, arquivos MD com público-alvo, linha editorial, estratégia. Tudo escrito, documentado, disponível pra ela consultar quando eu precisar criar alguma coisa.
Pasta de produtos — para os projetos que estou desenvolvendo. Cada projeto tem sua própria pasta com guideline básico, MVP inicial e instruções específicas. A ideia é que quando eu abrir um projeto e disser “o projeto X precisa de tal coisa”, ela vai lá, lê o contexto e responde de forma muito mais precisa.
Pasta de arquivo — onde vai tudo que eu tentei e não deu certo. Backups, experimentos, rascunhos abandonados. Não jogo fora porque nunca se sabe.
A Claudinha tem o que eles chamam de “habilidades” — e a propria palavra já explica: você ensina ela a entender contextos específicos do seu trabalho.
Eu tenho algumas habilidades configuradas que funcionam bem pra mim:
Execução semanal — essa é pessoal. Eu tenho TDAH e trabalho por conta própria desde 2015. O paradoxo clássico: sou a patroa e a funcionária. Como patroa, sei o que precisa ser feito. Como funcionária, às vezes não quero fazer. Então criei uma habilidade que faz a Claudinha ser minha patroa toda segunda-feira. Ela olha o Notion, vê o que está pendente, cria três metas principais para a semana e para cada meta, três pequenas ações. Isso me tira da paralisia. (E é bem mais barato do que contratar alguém só pra isso.)
Brand — ela precisa conhecer minha identidade visual e tom de voz. Isso é básico pra qualquer coisa de conteúdo que eu peça.
YouTube — canal é uma habilidade que eu não tenho naturalmente. Ela me ajuda com pauta, editorial, título, estrutura de roteiro.
Sobre conectores: uso principalmente o Notion, o calendário e o e-mail. Para ferramentas que mexem com dinheiro — como Stripe — a aprovação é manual mesmo, e faz sentido ser assim.
Sobre os agendamentos: eu escolho não usar. Parece contraditório, mas o motivo é objetivo: gasta crédito, e eu prefiro guardar o crédito para o trabalho de código. Então faço manualmente quando quero.
Uma coisa que quero deixar clara: eu não acredito que a IA vai fazer tudo por mim. Mas meu processo mudou.
Antes, eu seguia o design thinking raiz: pesquisa, entrevistas, síntese, criação, teste, iteração. Etapa por etapa.
Hoje, o que eu estou fazendo é: coleto as informações de pesquisa (porque essa parte precisa ser feita de qualquer jeito), dou um filtro nelas e peço pra ela gerar um MVP básico. Esse MVP vai ser imperfeito — nem sempre sai coisa boa. Mas ele me dá um esqueleto. E desse esqueleto eu consigo construir: tiro o que não serve, mantenho o que funciona, adiciono o que é meu.
Ela me dá uma base. Eu trabalho em cima.
Isso é diferente de deixar ela decidir. Ela não decide. Ela estrutura o ponto de partida para que eu não precise começar do zero toda vez.
Antes de fechar, uma coisa prática: pedi pra ela transformar todo o processo que eu fiz aqui em um quiz interativo. Se você quiser descobrir qual é a sua forma ideal de usar a Claudinha, tem um link na descrição do vídeo onde você pode responder e receber um resultado personalizado.
preciso que você me ajude a organizar nossa ambiente de trabalho. vou te dar uns temas e você vai gerar um questionário cujas respostas vão definir como vou organizar nossas pastas de projetos, quais habilidades preciso que você tenha e em que vou conectar você. podemos começar?
Não vai ser perfeito. Mas vai ser um começo. Procura julgar e adaptar ao seu jeitinho de trabalhar.
Tudo que eu aprendi nesse processo cabe em uma frase: a ferramenta não sabe nada sobre você se você não ensinar ela.
Não adianta pagar o plano Pro e abrir o chat esperando que ela adivinhe como você trabalha, qual é o seu negócio, quem é o seu público. Isso é trabalho seu. Mas quando você documenta isso — em arquivos MD, em habilidades configuradas, em projetos organizados — ela se torna uma extensão real do seu processo.
É isso que eu tô fazendo. Testando, ajustando, documentando.
Se você também está nesse processo, manda mensagem. A gente aprende junto.
Esse texto é parte da newsletter Com Carinho, Anna. Se alguém te mandou, assina aqui. É de graça e chega toda semana.

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