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Com carinho, Anna. · May 1, 2026

Comentando vídeos e conteúdos que me tocaram em abril + 1 nova ferramenta de trabalho.

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Anna Gaudêncio · Com carinho, Anna.

E lá vamos nós para maio. Esse mês minha mente borbulhou buscando manter o equilíbrio entre trabalho, vício de tela e muita frustração e instabilidade financeira. Por isso, quero começar o mês resgatando conteúdos que me ajudaram a aquecer o coração e voltar aos trilhos, com a esperança de que tragam a você o mesmo efeito.

ps.: trago levezas, mas também tem polêmicas, não necessariamente nessa ordem.

Material de divulgação do filme

Faço parte do grupo que fala “sou fã de Michael Jackson desde criança”. Minha memória mais antiga do Rei do Pop foi assistindo Moonwalker (1988) um filme conceito que ele fez com vários clipes. Claro que se tratava de uma reprise que o SBT exibia nos anos 90, eu devia ter entre 10 e 12 anos. Eu era tão fã do cara que pedi a Deus pra ele me avisar quando Michael morresse, curiosamente, foi meu ex namorado que tinha o mesmo nome do cantor que me deu a notícia de sua morte. Dito isso, acho que fica claro que tenho uma história e ligação afetiva com ele. Então, o filme Michael, lançado em 23 de abril, me tinha como público-alvo porque eu amei a experiência de vê-lo no cinema.

Porém, sabemos que os vídeos de critica detonam o filme — cá pra nós foi o que me deu mais gás pra pagar R$ 65 contos pra assistir ao lado da minha mãe. Enquanto alguns dizem que esse deveria ser um filme mais profundo, monstrando a excentricidade e grandiosidade do artista, outros dizem que quem é fã vai amar pela experiência musical que Michael sempre foi mestre em entregar. Eu digo que foda-se a profundidade, será que a gente só tem que ir ao cinema pra assistir algo pra se aprofundar ou elaborar um TCC mental? De tudo o que assisti sobre esse filme meu conteúdo favorito foi o do canal EntreMigas, ****afinal no fundo, “se você gostou, você venceu”.

Como mulher cis e hétero (e aqui está uma frase típica dos anos 2020) estou no mapa da fome por medo de me deparar com um cara fruto dos redpills. Assistir o vídeo que o Atila lançou essa semana sobre a origem e verdadeiro significado do termo “Macho alfa” foi maravilhoso, melhor ainda foi ler os comentários de homens apoiando cada palavra. Sinal que ainda há esperança pra nós.

Alguns tópicos interessantes sobre o assunto:

  1. Origem equivocada: O termo surgiu de estudos limitados com galinhas em 1921

  2. Lobos na natureza: Diferente do mito, alcateias são unidades familiares lideradas por pais, não por um “alfa” que venceu combates. Detalhe, o autor, o pesquisador David Mech, que popularizou o termo “macho alfa” em seu livro The Wolf, de 1970 passou anos tentando corrigir essa visão, chegando a solicitar que a obra não fosse mais impressa para evitar a propagação do conceito equivocado.

  3. Chimpanzés e política: Estudos de Frans de Waal mostram que a liderança em primatas é complexa, baseada em alianças, prestígio e diplomacia, não apenas força.

  4. Arrependimento dos pesquisadores: Tanto os pesquisadores que estudaram lobos quanto chimpanzés criticam o uso distorcido de seus trabalhos para promover dominação física.

  5. O fator Bonobo: Parentes próximos dos chimpanzés, os bonobos vivem em sociedades matriarcais pacíficas, onde o status é influenciado pela linhagem materna e relações sexuais, contradizendo a visão agressiva.

  6. O que é atraente de verdade: Estudos sobre atratividade indicam que mulheres valorizam características como confiança, assertividade e cuidado com os outros, rejeitando agressividade e violência. Como mulher aprovo essa parte. Por mais Ciclopes e menos Woverines (menos na era Morrison, entendedores entenderão).

Conteúdo extra: Carlos Bezerra Jr comentando sobre “a forja e o tipo correto de masculinidade de que deveríamos falar.”

“Porque q jesus que eu conheço não nasceu numa forja, ele nasceu numa manjedoura. ele não veio com martelo, ele veio com toalha. ele ajoelhou nọ chão e lavou pe, pé sujo, pé cansado, pé de homem. jesus chorou em público, abraçou crianças, conversou com mulheres excluídas, perdoou que estava pregando ele na cruz e antes de morrer ainda cuidou da própria mãe. esse é o homem mais forte que existiu! pra mim essa é a referencia de masculinidade cristã. e a força dele não era dominar era se entregar.”

Dito isso, daqui pra frente é mais leve, prometo.

Desde que ganhei meu primeiro computador eu me descobri apaixonada pelo digital. Mas, ao longo dos anos, entendi que esse tem sido um relacionamento toxico não só pra mim, mas pra uma geração inteira de viciados em telas. E isso tem mesmo me levado a buscar, estudar e incentivar as pessoas a entrar no movimento offline. O problema é quando você entende que essa vida não é pra todo mundo e que ainda podemos cair na armadilha de performar esse estilo de vida só pra você gastar mais dinheiro.

Nesse vídeo o Rodrigo de Lorenzi, vulgo, o moço do vinho, comenta sobre o assunto com pontos que ficaram horas na minha mente. Por exemplo:

  • O Paradoxo do Analógico: Sabe quando você vê um vídeo de uma pessoa falando sobre como tem vivido offline, mas ela tá se filmando lendo e postando isso em uma plataforma online? No caso, produzindo conteúdo constantemente. Meio que contraditório não acha?

  • Tudo o que o capitalismo toca ele estraga: A ideia de desacelerar é maravilhosa, até você perceber que precisa comprar uma câmera digital pra não usar o celular ou ter uma estante de livros admirável. Além disso, para ser minimalista do jeito certo, você precisa jogar tudo fora e comprar as coisas “certas”. O menos tem que custar mais. Aaahh tah…

  • Para fugir do digital, você precisa do digital: O Instagram lançou um filtro de IA que faz sua foto parecer analógica. Ou pra que você viva o analógico em 2026 precisa fazer coisas do tipo, não apenas ouvir uma música, mas também performa ouvir música. O disco de vinil não é sobre o som. É sobre o que o disco diz sobre você quando aparece na foto.

  • O livro virou acessório: A capa importa mais que o conteúdo. A estante organizada por cor tem mais engajamento que a resenha. O leitor está virando símbolo de leitor.

  • A ciência confirma o analógico — mas não a estética: Ler no papel melhora a retenção. Menos abas, menos ansiedade. O problema é que a saúde mental não depende do Moleskine de R$ 80,00.

No final o Rodrigo pergunta o que achamos de tudo isso e a única coisa que me veio em mente foi o fato de que não posso me dar ao luxo de desaparecer do offline porque preciso ter um portfólio, um site e um feed básico nas redes sociais e no LinkedIn pra continuar pagando minhas contas. Enfim a hipocrisia…

“Quero dizer agora o oposto do que eu disse antes”. Porque no meio de tanta performance de vida analógica, tem uma coisa que a ciência, e minha intuição, já sabe: a mão no papel ainda faz algo que a tela não consegue imitar. Assistindo a **A escrita à mão em abandono: uma crise da inteligência?** senti ainda mais vontade de manter o hábito de escrever coisas que ninguém precisa ler direto num papel. E lá vai alguns pontos interessantes do vídeo:

1. A letra à mão revela o quanto você parou de usá-la Você pega na caneta e percebe: está destreinada. Menos firme. Como músculo que a gente esquece que tem até sentir a ausência.

2. Escrever à mão desacelera o cérebro — e isso é o ponto Não é romantismo. É neurociência. A escrita manual recruta regiões do cérebro que o digital simplesmente não acessa. Você retém mais. Pensa mais fundo. O autocorretor não pensa por você.

3. Países que abandonaram voltaram atrás Suécia, Finlândia, Califórnia. Testaram o modelo hiperdigitalizado nas escolas, avaliaram os impactos — e recuaram. Às vezes o futuro é dar um passo atrás com consciência.

4. Não saber escrever cursiva é não saber ler o passado A carta que seu avô escreveu pra sua avó. O caderno de receitas da sua bisavó. Se a caligrafia some, some também o fio que conecta presente e memória.

5. O que a IA não consegue fazer é exatamente isso Uma peça única. Imperfeita. Com a pressão específica da sua mão num dia específico. Isso não é replicável. Nunca vai ser.

Já passou por uma fase que nada dava certo na sua vida e você se vê retornando 5 casas pra cada 1 que avança? Então, é assim que estou ultimamente. Descendo degrau a baixo, voltando 10 casas pra começar de novo e de novo e de novo.

Ouvi no É Nóia Minha que o dono da Dia TV, Rafa Dias, passou pelo mesmo, tendo que voltar pra cidade natal e morar com os pais antes de começar o projeto que faria dele alguém que sente ter uma estabilidade na carreira é um tanto revigorante. Sinto que essa fase pode acabar pra mim também. Espero que acabe…

Minha mãe e eu somos pessoas bem diferente em alguns aspectos, principalmente quando se trata de religião. Como católica super praticante — inclusive no momento em que escrevo essa frase ela está na igreja montando os arranjos de flores pra missa —, ela adoraria que eu fosse tão religiosa como ela, coisa que definitivamente não sou.

Porém, seu esforço pra que eu amasse a figura de Jesus até que funcionou bem. O que mais me irrita é quando Ele é usado com desculpa pra justificar misoginia, superioridade masculina (como já citei), homofobia e qualquer tipo de preconceito e manobra de manipulação em massa para fins egoístas de poder. E foi por isso que aos 16 pra 17 anos parei de frequentar as missas e me vi tentando encontrar outro caminho pra espiritualidade que não passasse por certas pessoas.

Mas o que tenho em comum com minha mãe é o prazer de assistir coisas boas. Gostamos de jantar ou almoçar assistindo juntas e foi assim, que me vi dando o play na série The Chosen - Os Escolhidos. Eu pensava que estava fazendo algo por ela, mas essa série fez muito mais pela minha fé do que muitas das missas e retiros que frequentei na infância e adolescência. Eu me lembrei porque Jesus merecia ser amado.

Rever a série com ela, não só me prepara pra o lançamento da nova temporada no fim do ano, mas também aquece meu coração enquanto passo um tempo de qualidade ao lado da pessoa que mais amo nesse mundo.

Aparentemente ela ajuda a encontrar referencia de interfaces, vou testar e conto em breve o que achei.

Chego ao fim dessa edição num estado de aconchego que adoraria poder passar pra vocês. Choveu o dia todo, então estou vestida no meu pijama favorito com cheiro de roupa lavada, a casa está limpa o suficiente pra uma sexta a tarde, estou na sala com minha xícara de chá de baunilha e camomila digitando e assistindo Um Lugar Chamado Notting Hill. Colocaria uma fotografia aqui, mas guardei meu celular na gaveta da minha escrivaninha com o compromisso de quebrar o vício de rolar feed por hoje.

Te desejo um ótimo fim de semana nesse feriadão. Que a segunda feira te encontre renovada(o).

Até a próxima sexta.

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Read the original on annagaudencio.substack.com

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