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In.pulso · Jan 2, 2026

In.pulso

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Ana Lúcia Gonçalves Munzner · In.pulso

Há momentos na vida em que algo pulsa por dentro, pedindo movimento – mesmo quando ainda não sabemos para onde ir.

Chamei este espaço de In.pulso porque ele nasce exatamente daí:

De uma força impulsionadora interna que pede escuta antes de pedir resposta, que pede movimento para sair da estagnação, que pede disciplina e rigor como receita para transformação.

Escrever, para mim, nunca foi apenas sobre organizar ideias. Sempre escrevi de forma caótica e intuitiva: às vezes caminho ouvindo um podcast e paro para fazer anotações, sublinho livros e escrevo comentários nas margens das páginas. Aos poucos, fui percebendo que a escrita era uma forma de me manter em contato com o que está vivo – especialmente quando a vida fica confusa, intensa ou silenciosa demais.

Trauma não é o que nos aconteceu. É o que aconteceu dentro de nós quando não tivemos apoio suficiente para atravessar experiências intensas. O sistema nervoso se desorganiza e, como resposta de sobrevivência, se desconecta.

Durante muito tempo, tentei compreender a mim mesma e aos outros quase exclusivamente pela via racional. Minha formação inicial foi em engenharia. Escolhi um caminho que fosse aprovado e bem aceito pelo meu sistema familiar e social — hoje reconheço isso também como um sintoma de trauma.

Trabalhei em ambientes altamente estruturados, fiz meu mestrado na Alemanha na área de planejamento urbano e, logo depois, assumi um cargo de liderança em um contexto internacional bastante complexo. Tive sucesso profissional, segurança financeira e até status diplomático quando fui enviada pelo governo alemão para um projeto de consultoria na Zâmbia.

Por fora, tudo funcionava.

Por dentro, algo não fechava.

Esse descompasso se intensificou após uma crise no trabalho e perdas importantes, que dispararam a dor da depressão e do luto.

Foi assim que, aos poucos, fui me aproximando do campo do desenvolvimento humano e, mais especificamente, do trabalho com trauma – não como tema acadêmico, mas como experiência encarnada.

Minha transição profissional passou por muitas áreas que me encantavam, mas sem estabilidade financeira por muito tempo. Faltava algo fundamental: a permissão interna. Vivi anos escravizada pela síndrome da impostora. Mas essa é uma história que posso contar em outro momento – e ela tem tudo a ver com trauma. Mas aqui, quero compartilhar o que me levou a trabalhar com trauma.

Busquei diferentes tipos de terapia. Algo melhorava, mas um padrão sempre retornava: eu tentava resolver tudo pela razão. Não me permitia sentir. Não havia conexão com o corpo. A mente não parava; parecia separada do resto de mim. A raiva nunca era metabolizada e surgia de forma desorganizada em situações de estresse e conflito. Eu esses padrões e bloqueios nos meus clientes também e mesmo os processos de transformação de liderança e treinamentos mais bem desenhados acabavam sendo engavetados. A mudança não se sustentava.

Com o tempo, percebi que muitos padrões que não mudavam eram, na verdade, respostas adaptativas inteligentes a contextos relacionais difíceis. Eu não tinha ideia de que tudo isso tinha a ver com trauma até conhecer o trabalho do Dr. Gabor Maté. Foi avassalador descobrir em uma de suas palestras, de forma simples e prática, como funciona a conexão entre mente, corpo e emoções. Compreendi que o trauma fica armazenado no corpo e que, por operar em grande parte no inconsciente, não pode ser tratado apenas por abordagens baseadas na fala ou no cognitivo-comportamental. No meu caso, essas terapias reforçavam justamente meu mecanismo de defesa: escapar para o mental.

Mais tarde, em minha formação profissional com o Dr. Gabor Maté, compreendi algo essencial: todos os meus sintomas e comportamentos eram tentativas de adaptação – bem como os de meus clientes. E que ninguém se transforma à força – apenas quando há segurança, acolhimento e compaixão.

Aprendi que o trauma acontece em relação – e que a cura, quando acontece, também é relacional.

Aprendi que consciência sem corpo não sustenta mudança.

Que tentar construir vínculo sem verdade adoece, porque se torna incongruente.

E que presença tem potencial mais transformador do que qualquer técnica.

Meu trabalho hoje é atravessado por abordagens contemporâneas da ciência do trauma, como Compassionate Inquiry, Internal Family Systems, Experiência Somática e Teoria Polivagal. Todas elas compartilham um mesmo ponto central: a disposição de estar com o que é, no momento presente – sem escapar, sem romantizar, sem forçar.

Este espaço não substitui terapia, nem promete respostas definitivas. Não espere receitas rápidas ou manuais de cura.

Este Substack oferece algo mais simples e, talvez, mais raro: companhia honesta no caminho. A possibilidade de dialogar com quem escuta – sem julgar.

É um lugar de escrita lúcida para pessoas que desejam atravessar seus processos de transformação de forma consciente. Um espaço para nomear a verdade com cuidado, porque isso, por si só, já é um gesto de reparação.

Se você, assim como eu, de tanto tentar entender, começou a sentir no corpo aquilo que pede escuta, siga comigo. Vamos aprender juntos.

Uma escrita que une verdade, vulnerabilidade e responsabilidade emocional.

Não para ensinar como viver – mas para ajudar a não se abandonar enquanto se vive.

Que In.pulso seja…

…um espaço não para convencer, mas para acompanhar quem reconhece.

…um gesto pequeno e contínuo de presença.

…um instrumento para retornar à sua essência.

Foto: Luiza Johnson

Algumas perguntas que atravessam este espaço - Os dilemas que mais encontro em terapia.

· Por que sei o que preciso fazer, mas não consigo?

· E se ansiedade e depressão não fossem o problema, mas a tentativa de solução?

· Quem eu sou quando o trabalho deixa de me definir?

· Estagnação é falta de coragem — ou excesso de sobrevivência?

· O que acontece no corpo quando pensamos em mudar de carreira?

Siga me acompanhando e vamos explorar esses e muitos outros temas!

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Read the original on anamunzner.substack.com

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