dos meus 17 até uns 22 fui militante feminista em coletivos na minha cidade no interior de santa catarina. não era tão interior assim vai, tem 200 mil habitantes, mas no brasil isso já é interior. e se você for de esquerda e feminista, é mil vezes mais interior. participar da militância era uma ótima forma de conhecer pessoas interessantes na época, hoje em dia, passo longe (muito estresse, muito intelectualismo). mas eu adorava conviver naqueles espaços e encontrar mulheres adultas fascinantes, que tinham aquela aura especial (que talvez eu tenha hoje). uma mistura de raiva e desejo por mudar o mundo, mas com um toque de leveza, de sabedoria, de quem entendeu que nem tudo está nas nossas mãos.
uma dessas mulheres me fascina até hoje. ela era tão inteligente, tão profunda e tão calma. eu acho pessoas calmas absolutamente fascinantes. não julgo quem tem um jeito mais extrovertido ou intenso (mentira, às vezes eu julgo sim, não conseguir se regular a ponto de conseguir ouvir as pessoas ao seu redor a ponto de precisar falar compulsivamente me irrita principalmente se você tem mais de 35 anos), mas eu adoro quem me passa calma. quem tem uma postura de que não precisa provar nada, não precisa registrar tudo, não precisa se defender.
essa mulher tinha duas tatuagens no pulso. “só viver explica” em um, e “nada disso importa” em outro. e essas frases me marcam até hoje. se você vive pra mudar o mundo, se você vive estudando e compreendendo as dinâmicas e códigos do sistema o tempo todo, precisa aprender a descansar, precisa aprender que só VIVER explica certas coisas.
por mais que eu ame ser absolutamente controladora (sol, lua e vênus em escorpião, marte em virgem), eu entendi que existe algo sagrado e muito potente em experiências que te vulnerabilizam. encontrar e conversar com pessoas que você não gosta tanto assim. corrigir julgamentos ao encontrar alguém pela segunda vez. se permitir ser vista sendo boba, julgando, interpretando errado. nem tudo é matemático. o desconforto é necessário. você pode descobrir coisas MÁGICAS em situações embaraçosas.
mulheres, se permitam viver.
a vida não é só sobre fazer a coisa certa. eu sempre falo sobre a importância de saber direcionar sua energia pra aquilo que seja realmente benéfico pra você, sobre saber ir embora de situações abusivas, sobre ter BRIO pra se guiar pra fora da roda de hamster da validação masculina. mas existe tanta coisa no meio disso tudo que a teoria não explica.
por mais que eu me mova nesse mundo material em direção a inspirar mulheres, minha vida não é só sobre isso. me percebo caindo numa certa rigidez, numa certa necessidade de matematizar tudo, transformar tudo em teoria, ordem, pensamento. mulheres inteligentes, cuidado com isso. nem tudo precisa ser explicado e existe um certo prazer em não saber tudo e se vulnerabilizar perante o desconhecido.
e por isso eu amo festas. festas são meu momento de sair da rigidez mental. são momentos de pensar outros pensamentos, de pensar pensamentos de outras pessoas. são momentos de perder um pouco do controle, não pensar tanto em como estou me comportando. tenho pena quando vejo mulheres hiper vigilantes em festas, preocupadas demais com a roupa ou a maquiagem, preocupadas demais em tentar provar que estão felizes, mas no fundo, estão esperando um homem prestar atenção nelas. festar é um momento de viver, de se conectar com pessoas que você nunca imaginaria encontrar. é o momento de admirar pessoas sendo vulneráveis.
descansem, bebam cerveja, passem vergonha, se permitam não saber.
obrigada por me ler. se quiser acompanhar meus vídeos e insights mais de perto, me segue no instagram venusexilada. também tenho um podcast (mais íntimo, com episódios longos) onde falo sobre amor romântico, espiritualidade, astrologia e filosofo sobre a vida, disponível no youtube também. e se quiser se consultar comigo, link aqui.

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