Um disclaimer importante: falo como uma paciente curiosa estudiosa apenas! Admiro e respeito imensamente todos os profissionais de saúde e recomendo que jamais deixe de buscar acompanhamento sério. Esta edição fala sob a perspectiva de tendências, narra experiências pessoais e traz fontes úteis, sem qualquer intuito de substituir a fala de um médico e/ou a individualização de um paciente.
Semana passada foi dedicada a uma das tarefas favoritas do meu ano: fazer meu checkup clínico (exames de sangue) e sentar na frente do meu médico e passear pelas páginas que apontam meus níveis de vitamina, marcadores inflamatórios e funcionamento metabólico – nem exames de menos nem de mais, apenas a garantia de acompanhar os parâmetros realmente importantes da minha saúde.
Há – quase – dez anos, desde que entrei nos meus anos “enta”, este hábito se soma a uma busca por estudos e materiais sérios, que me preparam para esta segunda metada da vida. E a cada dia enxergo mais que o grande presente que minha geração ganhou foi o conceito de healthspan (tempo de vida com qualidade) se sobressaindo à mera ideia de expectativa de sobrevivência em anos no calendário.
E não é por acaso que livros, perfis de internet, profissionais de saúde com vozes ativas e até dispositivos tecnológicos que medem todo tipo de funcionamento do corpo andam em alta: mais do que tendência confirmada de interesse (tendência infelizmente ainda limitada a uma bolha de privilégios, importante ressaltar em um país tão diverso), este comportamento é a resposta a uma geração que lida com pais idosos que não tiveram acesso aos mesmos hábitos, conhecimentos e prevenções. Sai a loteria genética e entra a epigenética, que é o comportamento dos nossos genes baseado em nosso estilo de vida; sai o “vivendo como se não houvesse amanhã” e entra o “eita, o amanhã chegou e nem percebi”.
Especialmente para quem também gosta do tema, um pot-pourri que compila leituras, insights e vivências nesta seara…
Checkup, por que fazer? Muito além de doenças, os exames de sangue ajudam a identificar deficiências, inflamações e, mais ainda, funcionamento metabólico que podem virar problemas só lá na frente. E, assim, corrigi-los com base em mudanças de rotina, ajustes nutricionais e, em alguns casos, suplementações simples que garantem viradas relevantes.
Saúde metabólica? Seguindo a linha do médico e autor americano Peter Attia, que em 2023 nos apresentou a medicina 3.0, de caráter mais preventivo do que curativo, com seu bestseller Outlive (resumão nesta edição)… mais e mais autores, médicos e estudos têm defendido que a origem de (quase) todas as doenças está em disfunções metabólicas. Acompanhar por meio de exames como seu corpo está lidando com macronutrientes e a quantas anda sua relação com açúcar ou inflamações antes que isto se transforme em problemas reais.
“Síndrome metabólica é definida pelos seguintes cinco critérios: pressão arterial elevada (>130/85), triglicerídeos elevados (>150 mg/dL), colesterol HDL baixo (<40 mg/dL em homens ou <50 mg/dL em mulheres), adiposidade central (circunferência da cintura >100cm em homens ou >90cm em mulheres) e glicemia de jejum elevada (>110 mg/dL).”, Peter Attia em Outlive.
Nunca é tarde para aderir a estes conceitos: comecei a estudar saúde e nutrição só quando cheguei aos 40, em 2016. Mas foi só oito anos depois, em 2024, que posso dizer que realmente coloquei em prática muitos dos conceitos aprendidos – e foi aí que dei um reset no meu corpo (tem detalhe por detalhe do reset na segunda metade desta edição da minha newsletter vizinha, a Amo 40+). Minha mãe começou a fazer musculação agora, aos quase 80. Não importa qual sua idade ou a de quem você ama, sempre há tempo de dar aquele primeiro passo rumo à longevidade com qualidade, autonomia e saúde real.
Dispositivos: medir ou não medir? Tem relógio, tem anel, tem pulseira, tem balança de bioimpedância caseira, tem “broche” que espeta no braço para monitorar glicose 24/7; tem como ter nota no sono, índice de capacidade cardiopulmonar, percentual de gordura e curva glicêmica na tela do celular a qualquer hora do dia. Mas será que todos estes avanços tecnológicos são necessários para pacientes saudáveis? E, mais, como separar o que soma e o que subtrai, trazendo mais ansiedade do que relevância. Cada caso é um caso e cada personalidade é diferente, mas minha experiência pessoal usando um monitor de glicose para experimentação, sem ser diabética nem ter qualquer questão com açúcar, me fez frear a minha própria (auto)competitividade curiosidade. Também desativei alertas de coração do relógio depois de ter sido assustada com meus batimentos em repouso naturalmente abaixo da média populacional – devidamente revirados por dois cardiologistas que disseram que isto era, no meu caso, um indicativo positivo de saúde cardíaca. É um limite tênue entre querer otimizar a saúde e transformar a curiosidade em neura, o que não é nem um pouco saudável. Inclusive, cá entre nós, acho aquele rapaz que gasta fortunas para “não morrer” tudo menos (emocionalmente) saudável.
"A diferença entre o remédio e o veneno é a dose.", Paracelso, médico e filósofo no século XVI
Exames: o que muitos médicos deixam de fora? Pela minha curiosidade pessoal (e paixão pelo significado de cada marcador), eu virei o ponto de encontro dos exames de sangue da família! #amo E um lance que acho curioso é ver que muitos médicos não dosam fatores importantes como homocisteína (marcador inflamatório que tem relação com risco cardiovascular), insulina (valioso para prever a resistência insulínica que pode levar a pré-diabetes do futuro) e as apoliproteínas (A e B) que compõem o nosso colesterol. Vale conversar com seu médico sobre estes exames. E mais importante: lembre-se sempre que os parâmetros do laboratório (aquele intervalo que indica suposta normalidade de cada resultado) nem sempre mostram valores ótimos, uma vez que as “médias” já estão, em muitos casos, adoecidas – e que em muitos casos exames precisam ser “lidos” com um olhar mais macro, que contempla o cenário geral de cada paciente.
Como me preparo, sob o olhar da prevenção, para a consulta do clínico geral: como já conheço meu corpo e já acompanho há quase uma década meus exames, aprendendo com meu médico o significado de cada um, gosto de olhar tudo antes da consulta e fazer anotações com possíveis dúvidas e ideias de otimização. Também anoto qualquer sintoma, curiosidade ou comportamento da minha saúde nos últimos meses. Não sei se meu clínico me acha uma enxerida chata ou uma paciente interessada que chega com uma pauta válida para guar nosso encontro, mas sou comedida e nunca houve reclamações!
Livros favoritos entre os muitos lidos sobre o tema nos últimos anos: os mais didáticos Outlive, Young Forever (agora em português) e Energia sem Limites. Os específicos Revolução dos Músculos (nota abaixo – livro um pouco prolixo, mas tema fascinante), Sugarless (sem versão em português, sobre açúcar) e The New Menopause (da Dr Mary Claire Haver, que vai lançar The New Perimenopause a tempo 😅 neste mês). E também Joyspan (foco em 3ª idade) e AtmaSoma (foco na saúde hormonal como base).
Resumos de Energia sem Limites na minha newsletter vizinha (na segunda metade da edição linkada) e AtmaSoma (nesta edição passada da Amo News).

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