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Amo 40+ · Apr 3, 2026

Denúncia: o poliéster de um milhão de dólares

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Ale Garattoni · Amo 40+

Por conta da meta deste post aqui, no qual listo meus planos de investimentos de moda do ano, ando dedicada na escolha consciente de cada nova peça-investimento do meu armário. E, vou contar, às vezes dá vontade de voltar pra Zara: uma infinidade de marcas brasileiras com tradição e preço$ elevados simplesmente enlouqueceu na precificação de suas composições.

Por mais que existam diferentes tipos de qualidade tanto em tecidos sintéticos quanto em tecidos naturais, por mais que a modelagem possa levantar uma “composição pior” ou derrubar uma “composição melhor”… nunca vai entrar na minha cabeça uma peça 100% poliéster que custa 3 mil, 5 mil reais ou até mais.

A pegadinha é tão perigosa que até lojas que eram reconhecidas por vender qualidade andam, como quem não quer nada, enxugando seus preços de custo e aumentando suas margens à base de tecidos duvidosos. O motivo? 90% do público desconhece esta avaliação – o percentual talvez seja ainda maior entre o público fiel das empresas em questão e/ou entre compradores guiados por looks do dia instagramáveis que veem na etiqueta x um quê de pertencimento ao universo das blogueiras dos provadores. Eu realmente não lembro de ver há 10 ou 15 anos em marcas caras esta infinidade de composições com carinha de fast-fashion barata.

Uma famosa loja que eu amava e que dominava meu armário entre o fim dos anos 90 e o início dos anos 2010 deixou de ser cara para virar supercara – sim, obviamente estou considerando a inflação de tudo nesta conta; outra que era “A” referência brasileira de qualidade (tenho peças de lá compradas há mais de 15 anos que seguem intactas) segue cobrando os mesmos preços elevados por composições que em nada se assemelham às dos tempos passados. Isto sem contar nas que estrearam no mercado na última década, que sempre usaram o preço final como mero balizador de posicionamento, sem sentir necessidade de justificar o valor na matéria-prima. Por quê? Porque o consumidor compra, desconhece, ignora a formação de custo.

Nunca fui exatamente uma especialista em tecidos, mas depois de cobrir backstages em algumas semanas de moda para a Vogue nos anos 00 (e também depois de uma pós em jornalismo de moda), aprendi o básico sobre etiquetas de composição, caimento e toque. E hoje eu simplesmente não consigo alcançar razão para tratar como seda pura quem trata meu cartão de crédito como poliéster ruim…

Em tempo: nas minhas buscas, três marcas nas quais tenho visto composições e modelagens que justificam os preços (inclusive preços menores do que algumas concorrentes rainhas do poliéster com acabamento duvidoso) são Andrea Marques, Mondepars e Juliana Lenz. Aceito novas ideias!

“Quando cheguei na antessala da entrevista para o emprego (na Calvin Klein), estava entre várias meninas chiques do Upper East Side. Eu então disse para a pessoa do RH: ‘estas garotas podem ter pedigree, mas eu não tenho um plano B, eu não sou herdeira.. eu tenho que fazer isto dar certo’. Eles me ofereceram o cargo.”, Carolyn Bessette em cena de Love Story

Às vezes a falta do plano B é o melhor motor para qualquer coisa dar certo!

Modas, comportamentos, músicas e até personagens: por que estamos cada vez mais olhando para os anos 90/00?

Read the original on amo40.substack.com

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