A entrada massiva da IA nos processos de aprendizagem promete um nível de personalização que os formatos tradicionais de educação nunca conseguiram entregar. Essa personalização robótica – a ascensão de professores particulares universais –, no entanto, é tão eficiente quanto paradoxal, uma vez que gera problemas novos na ânsia de resolver os velhos. Dentro desse cenário de futuro que já virou presente, me pergunto se é desejável delegar uma atividade tão estratégica e tão produtora de sentido como é a educação humana para uma inteligência não humana (e que, cá entre nós, mal sabemos o que é).
Mas não adianta se perguntar isso, pois assim como a lógica educacional escolarizada tornou-se dominante na esteira da modernidade capitalista, o rolo compressor da IA vai passar de qualquer jeito. Boa parte da educação vai se artificializar, e se não estivermos aprendendo com IA, precisaremos ao menos aprender a trabalhar com IA. A questão, portanto, não é escolher entre as empoeiradas salas de aula humanas e nossos novos professores sintéticos, mas como inventar um modelo que supere essa dicotomia.
De um lado, o formato educacional clássico insiste na transmissão de conhecimento, uma função que, em muitos casos – e com honrosas exceções –, a IA já performa melhor. Metodologias ativas, salas de aula invertidas e demais esforços de atualização didática simulam liberdade, mas ainda permanecem centrados na figura de quem transmite o saber. Por outro lado, as “máquinas de ensino inteligente” podem até suscitar descobertas úteis e interessantes nos aprendizes, mas ao mesmo tempo selam a vácuo o processo, gerando uma instrumentalização do aprendizado e um esvaziamento de vínculo, afeto, companhia – e toda a riqueza, epistêmica inclusive, que nasce disso.
Tentar reviver o que está morto não é o caminho. Ceder ao impulso da novidade que produz mais do mesmo também não. Que tal aprender uma abordagem realmente nova?
No Nibs 0→1 nós vamos reunir as pessoas que irão construir as “salas de alma” do futuro através do Metaprompt, meu novo método de aprendizagem.
De 15 a 22 de abril. Gratuito e online.

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