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Alê Flávio · Feb 13, 2026

Inércia, reflexões e uma dose de absurdo

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Alê Flávio · Alê Flávio

Tem muito tempo que eu não escrevo. E não é como se minha cabeça estivesse vazia, muito pelo contrário: isso aqui tem parecido um vagão de trem da CPTM às 18h de uma terça-feira chuvosa.

O problema é que todas as vezes que eu sentei pra tentar colocar alguma coisa no “papel”, simplesmente fiquei absorto e inerte por minutos e minutos e minutos e minutos até que deixei pra lá.

Tenho deixado muita coisa pra lá - e não é de hoje; às vezes penso que deveria criar um encontro de deixapralazistas, uma vez que sinto como se fosse o grande patrono desse movimento tamanha a naturalidade com a qual desempenho esta função.

Não sei vocês, mas, eventualmente, eu olho pro céu e penso: “qual a razão”? E não falo num sentido místico, não, mas num sentido prático mesmo. Não à toa eu sempre volto ao trecho d’O Mito de Sísifo, do Camus, que ele fala sobre o desmoronar de cenários:

Ocorre que os cenários se desmoronam. Levantar-se, bonde, quatro horas de escritório ou fábrica, refeição, bonde, quatro horas de trabalho, refeição, sono, e segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado no mesmo ritmo, essa estrada se sucede facilmente a maior parte do tempo. Um dia apenas o “porquê” desponta e tudo começa com esse cansaço tingido de espanto. “Começa”, isso é importante. O cansaço está no final dos atos de uma vida mecânica, mas inaugura ao mesmo tempo o movimento da consciência. (CAMUS, A. O Mito de Sísifo, 1942)

Bonito, significativo e profundo, certamente. A questão é que, no meu caso, tenho a impressão que sempre me falta o tal movimento da consciência - ou, ao menos, falta mais robustamente. Talvez por isso eu entre nessa bolha que, no fundo, é um trem que pode (ou não) descarrilar e eu só pago pra ver.

Penso que o mais difícil pra Sísifo nunca foi rolar a pedra repetidamente morro acima, mas sim, ser absolutamente solitário nessa tarefa e ter todo o tempo do mundo pra refletir sobre tudo o que aquela pedra representa. Mais de uma vez.

Mas, como sempre, seguimos.

Até a próxima.

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Read the original on aleflavio.substack.com

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