Eu tinha começado um outro texto pra escrever aqui, mas assim como a vida é de um dinamismo ímpar, minha cabeça também é.
No último sábado completei quatro décadas de existência nesse mundão de meu Deus. E, como esperado, uma série de reflexões passou pela minha cabeça; sobre mim mesmo, sobre minha “trajetória” até aqui, sobre o que esperar do futuro, sobre as pessoas, enfim, sobre tudo que você, nobre leitor, pode imaginar.
Como já mencionei em outros textos, nunca fui um grande comemorador de aniversários, mas eu sempre gostei e me senti querido com os desejos de parabéns (sabia que parabéns é plural de parabém?) de todo e qualquer tipo. É muito bom e revigorante ser lembrado, sobretudo em momentos em que a vida não tá esse morango todo.
Creio que a maior parte das pessoas passa boa parte da vida tentando deixar sua marca e se fazer ser vista e, em seu aniversário, é quando seus amigos, conhecidos e familiares tiram aqueles segundinhos preciosos da correria de cada um pra dar aquele salve, pessoalmente ou virtualmente.
Todo esse preâmbulo pra dizer que no fim de ontem, domingo, estava pensando sobre como de alguns anos pra cá não só as conexões pessoais têm se tornado cada vez mais frágeis e/ou irrelevantes, mas também, como virou praxe culpar a correria do dia-a-dia pra não se fazer minimamente presente na vida das pessoas. Há muito tempo (muito mesmo: 11 anos) escrevi um texto sobre “ser protagonista na vida dos outros”) em que discuto justamente isso e falo sobre levar a “inevitabilidade da separação” com um pouco mais de leveza, argumentando que as pessoas não o fazem de propósito e que, obviamente, cada pessoa segue seu caminho.
Embora, impressionantemente, depois de 11 anos eu ainda assine embaixo de quase tudo que ali escrevi, uma coisa que tem me cutucado nos últimos anos é justamente como - roubando esse termo de algum lugar que agora não lembro - todas as relações se tornaram líquidas e, de certa forma, transacionais. Não há tempo pra nada, é verdade. Mas, sobretudo, vejo que sacrificar relações se tornou tão rotineiro quanto beber água. É claro que nós sempre temos a tendência de medir as ações dos outros pela nossa régua, ou, em outras palavras, esperar que os outros façam o que nós faríamos - e essa ponderação precisa ser levada em conta. No entanto, não acho que isso seja razão pra uma absolvição irrestrita.
Há, reafirmo, toda uma sorte de razões válidas pra que um indivíduo acabe alienando seus amigos e familiares. Todavia, tem me impressionado como a cada minuto que se passa, caminhamos mais rapidamente ao isolamento ou, de certa forma, em busca de relações egoístas, em que o foco seja somente “o que tem de bom pra mim aqui” e não olhe pro todo (não olhando o fato de que às vezes não tem nada de bom mesmo).
Portanto, nesses meus 40 anos (e 1 dia), deixo aqui meu pedido (e provocação, pra aquelas pessoas fãs de jargões corporativos) pra que você avalie e reveja a importância que dá pras pessoas da sua vida. Como o Alê de 29 anos um dia disse “não desista de marcar a vida daqueles que você gosta”.
Um abraço.
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