Hoje me atrevi a escrever um conto. Sim, hoje, quase de improviso. Às vezes a vida grita e a gente precisa escutar.
Espero que quem ler isso ache, no mínimo, interessante.
Abraços.
"Perdi a hora de novo", pensei, caindo da cama como quem cai de um penhasco num pesadelo. O celular mostrava 8:40. "É, perdi".
O dia nem tinha começado e minha cabeça já estava rodopiando. Outra vez. Corri pra me trocar pegando a primeira roupa que vi pela frente sem tempo pra me preocupar com aparência. Engoli o café de máquina com cápsula velha e barata. Uma merda, como o dia prometia ser.
Saí de casa preparado pra terceira guerra mundial, mas com ânimo de ressaca. O trem já começou dando sinais de que o dia seria daqueles: lerdo e cheio, como eu.
Até o momento tudo saindo errado, como esperado. "Olha aí um ponto positivo", penso, sorrindo com ironia.
Chego no trabalho e o meu monitor não funciona. Ligo, desligo, religo. Nada. "Tem que tirar o cabo de força por uns 10 segundos", diz um colega de trabalho. A gente avança 10 anos toda semana em tecnologia, mas, aparentemente, a solução pra maioria dos problemas segue sendo soprar a fita. Loucura.
Funciona. Agradeço o amigo e começo a checar os emails... só bola nas costas. Nada diferente do usual, mas hoje parece que dói mais.
Respiro. Tomo um gole do café que peguei na entrada e começo a tentar fingir normalidade. Funciona por uns 25 minutos, até minha garganta fechar e os olhos marejarem.
"Não dá mais", sussurro. Meu corpo faz o movimento de levantar mas o cérebro, sempre ele, lembra "queridão, não funciona assim não. Senta a bunda aí, engole o choro e faz o que você tem que fazer. Tem conta no fim do mês".
Bufo e me ajeito na cadeira.
"Próxima estação, Vila Olímpia. Desembarque pelo lado esquerdo do trem". O relógio marca 20:15.
Hoje passou, mas não existiu.
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