A última sessão ao vivo de edição, transmitida da sede da Córtex Frontal foi muito produtiva. Lancei uma cena que escrevi recentemente e que pensei em incorporar ao livro. Discutimos sobre seus pontos fortes e fracos, sobre a pertinência de incorporá-la ou não. No meio da conversa, feliz com os insights que surgiam, brinquei: “É incrível, vocês me pagam para me ajudar a editar meu livro”.
Era uma brincadeira, claro, mas tem um fundo de verdade e uma pergunta escondida: por que esses momentos de vislumbrar os bastidores da escrita são tão ricos tanto para o autor como para os demais participantes? Queria conversar sobre isso hoje. Bora?
O A Lâmina do Redemoinho nasceu de um incômodo e de uma teimosia. Nunca engoli muito bem essa ideia de que o escritor precisa ser um eremita que só aparece quando o texto está pronto. Eu acho que passamos tempo demais acreditando que a literatura é um monólogo, por isso creio que o que estamos fazendo aqui é uma exploração de formas diferentes de viver da escrita.
Tem a parte da monetização (e não vou ser hipócrita de dizer que isso não importa). Só que o ganho real, aquele que me faz sentar na frente da câmera em Arraiolos, Reykjavík, Santiago ou Aldeia é a construção de comunidade. Tu percebe que a literatura ganha corpo quando o processo é compartilhado.
O valor do olhar do outro aparece no momento em que a massa ainda está quente.
Eu me sinto de fato privilegiado por ter um time de leitores/autores acompanhando a escrita do meu romance atual. Privilégio é a palavra, sim, porque tudo o que estamos vivendo muda não só minha percepção sobre o meu processo de escrita, mas amplia as possibilidades para cada um de vocês. Ou vão dizer que não saem de cada sessão com a cabeça fervilhando? Eu sai, vou?
Estamos chegando perto dos seis meses de projeto. Vou dizer uma coisa que me deixou mexido: tem gente aqui que já assinou o plano de um ano. Já desde o começo, quando vi isso, bateu uma responsabilidade e um gás enorme.
Saber que vocês acreditam no que escrevo a ponto de garantir esse lugar no redemoinho por doze meses é o que me mantém focado na página em branco. O meu muito obrigado a quem está aqui desde o primeiro rascunho. Vocês fazem parte da fundação disso tudo.
Tenho uma coisa importante a dizer: chegamos a um ponto de virada. Terminei o primeiro rascunho do romance atual em Arraiolos. Agora, ele precisa daquele descanso obrigatório, para que o texto esfrie. Só assim eu vou conseguir olhar para ele sem querer apagar tudo ou achar que sou um gênio.
Na nossa próxima sessão, faremos uma pausa na edição direta para eu te apresentar as linhas gerais do que vem por aí. Vou entrar em um novo projeto: um horror corporal distópico. É algo que me cutuca faz tempo e mal posso esperar para te mostrar como essa nova obsessão vai tomar forma.
Antes de eu mergulhar nesse novo texto, queria te ouvir.
O que te atrai nesse espiar pelo buraco da fechadura da criação? Tu prefere ver a técnica sendo aplicada ou a dúvida do autor sendo resolvida ao vivo?
Comenta aqui embaixo. Isso vai me ajudar a pensar as próximas sessões.
O redemoinho só continua girando porque vocês estão nele.

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