A viagem a Reykjavík e ao sul da Islândia foi, sem exagero, o golpe de misericórdia na conclusão do meu romance. Mas, como mencionei na semana passada, cruzar a fronteira entre a imaginação e a realidade geográfica exige um cuidado cirúrgico. É o momento em que os novos dados tentam, a todo custo, embaralhar o que já estava solidificado na narrativa.
Escrever sobre um lugar que você conhece apenas por telas é um exercício de projeção. Quando você finalmente pisa no solo, surge um dilema: o que fazer quando a realidade é mais (ou menos) interessante que a sua ficção? Estar aberto ao que pode mudar os rumos do rascunho exige uma tomada de decisão que, embora não seja fácil, é simples. Você precisa escolher entre a precisão do guia de viagens e a verdade emocional da sua história.
O ethos contra o clichê nórdico
Um dos maiores riscos de escrever sobre a Islândia, ou qualquer cenário “exótico”, é cair no clichê do isolamento frio e solene. Nas livrarias de Reykjavík, encontrei o antídoto: um livro de sátira sobre as sagas islandesas.
Ali, entre mitos formadores e autoironia, percebi que o islandês médio se considera um dos povos mais divertidos do mundo, algo que a materialidade da cidade confirmou. Essa descoberta mudou o ethos dos meus personagens. Eles deixaram de ser figuras de mármore sob o gelo para se tornarem pessoas que usam o humor como escudo contra o clima. Se eu tivesse ficado apenas no Google Maps, Dalla ainda estaria presa em um estereótipo de “nórdica melancólica” que simplesmente não respira.
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A partir daqui, o redemoinho se fecha. Vou mostrar como transformei a topografia real de Reykjavík e o contraste entre dois barcos impossíveis em estrutura narrativa pura. Se você quer entender como a escala de uma pizzaria em Vík salvou a verossimilhança do meu livro, assine agora.

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