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A lâmina do redemoinho · Apr 10, 2026

De Santiago a Reykjavik

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Wellington de Melo · A lâmina do redemoinho

Como vocês vêm acompanhando nas últimas semanas, escrevo desde Santiago de Compostela, onde finalizo a primeira etapa da minha pesquisa de pós-doutorado na USC. Este é um momento de intensa imersão, de mergulho profundo em arquivos e textos que moldam a espinha dorsal do meu próximo romance. Mas a vida de um escritor é uma tapeçaria de múltiplas camadas, e a pesquisa acadêmica é apenas uma delas.

Em breve, no dia 22 de abril, embarcarei para a Islândia, onde permanecerei até o dia 28. Já sabem também que não é uma viagem de lazer: é uma reclusão estratégica, um retiro criativo para a etapa final de edição do meu romance. É lá, entre a quietude e a vastidão, que pretendo dar os últimos retoques, lapidar cada frase, cada imagem, até que a lâmina do redemoinho esteja afiada e pronta para o mundo.

Não é por causa das séries policiais, por Björk, pelo Sigur Rós ou as pelas paisagens alienígenas. Essa jornada, de Santiago à Reykjavik, é mais do que um percurso geográfico: é uma metáfora pessoal para o processo de escrita e, mais especificamente, para o desafio de transformar um manuscrito em um original publicável.

Muitos de vocês, tenho certeza, compartilham dessa angústia. Terminar de escrever é apenas o começo de uma nova travessia, onde as perguntas se multiplicam: “Meu texto está realmente pronto?”, “O que as editoras buscam?”, “Como faço para que minha voz seja ouvida em meio a tantas outras?” É sobre essas perguntas, sobre essa busca por clareza e direção, que quero conversar com vocês esta semana.

Ao longo da minha carreira, tanto como escritor quanto como editor e leitor crítico, percebi que o maior obstáculo para muitos autores não é a falta de talento ou de ideias, mas a falta de um mapa, de um método para navegar o complexo universo da publicação. Não se trata apenas de gramática ou estilo, mas de estrutura, de ritmo, de voz, de mercado e, acima de tudo, de entender o que faz um texto ressoar.

A Islândia, para mim, representa essa busca por clareza. Longe das distrações do cotidiano, posso me dedicar integralmente à tarefa de ver meu romance com novos olhos, de identificar suas forças e suas fraquezas, de lapidar sua essência. É um laboratório, um espaço de experimentação e de rigor. E foi pensando em como replicar essa experiência de clareza e foco que concebi o workshop “Como transformar seu manuscrito num livro publicável”, em parceria com a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco e do Instituto Bonança.

Eita, quero saber mais desse workshop

Este workshop, que será transmitido ao vivo de Reykjavik no dia 23 de abril, não é um atalho mágico para a publicação. É um convite a uma imersão de 3 horas, onde vamos desvendar juntos os segredos de um original publicável. Não falarei apenas da minha experiência, mas de tudo o que aprendi ao longo dos anos, analisando centenas de manuscritos e trabalhando com autores de diferentes estágios. Abordaremos desde a estrutura narrativa e o desenvolvimento de personagens até a importância da voz autoral e as nuances do mercado editorial.

O valor de R$ 27,90 é simbólico, pensado para ser acessível e para que a barreira financeira não seja um impedimento para quem busca essa clareza. Minha intenção é oferecer uma conversa honesta e direta, um espaço para que vocês possam tirar suas dúvidas e, mais importante, sair com um plano de ação concreto para o seu próprio manuscrito. Não é um curso completo, mas uma bússola, um ponto de partida essencial para a sua travessia.

E sim, para aqueles que se perguntam, durante o workshop, farei uma apresentação do meu curso “A Travessia do Manuscrito”. Ele é o aprofundamento, o caminho completo para quem deseja um acompanhamento mais detalhado e estruturado. Mas o workshop de 23 de abril é, por si só, uma experiência valiosa, pensada para entregar conteúdo prático e aplicável imediatamente.

Antes de embarcar para a Islândia, terei uma live importante na próxima segunda-feira, dia 15 de abril, às 12h30, horário de Brasília, com o jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras, Fábio Lucas, do @livronewsnoinsta. Será uma excelente oportunidade para tirarmos dúvidas sobre o mercado editorial e a preparação de originais. Considerem-na um aquecimento para o que virá.

Já falei várias vezes: jornada do manuscrito é solitária, mas não precisa ser cega. Meu objetivo é iluminar o caminho, oferecer as ferramentas e a perspectiva que muitas vezes nos faltam quando estamos imersos em nossa própria criação. A Islândia será meu laboratório, e o workshop, a forma de compartilhar as descobertas desse processo.

Fiquem atentos ao meu Instagram amanhã, 11 de abril, onde compartilharei mais detalhes sobre a live com Fábio Lucas e, nos próximos dias, sobre o workshop. A lâmina do redemoinho está girando. Vai cortar fria, a -5º.

Read the original on alaminadoredemoinho.substack.com

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