Fala investidor,
Sempre que surgem notícias sobre a dificuldade dos jovens em encontrar emprego, a primeira explicação costuma ser a inteligência artificial (AI). Afinal, estamos vivendo uma revolução tecnológica sem precedentes, e é intuitivo imaginar que algoritmos estejam substituindo profissionais em início de carreira.
Mas os dados apontam para outra direção!
Um estudo recente do Federal Reserve Bank de Nova York demonstrou que o trabalho remoto explica cerca de 64% do aumento do desemprego entre jovens recém-formados nos Estados Unidos desde a pandemia. Aposto que no Brasil não é muito diferente não.
Mais importante ainda, os pesquisadores argumentam que o momento em que esse aumento ocorreu indica que o home office, e não a IA , é o principal fator por trás dessa mudança.
Essa conclusão desafia uma das narrativas mais difundidas dos últimos anos.
Entre 2017 e 2019, a taxa média de desemprego entre graduados universitários na América com menos de 29 anos era de 3,1%. No período entre 2022 e 2025, ela subiu para 3,7%.
O mais curioso é que esse movimento não aconteceu com profissionais mais experientes. Entre graduados acima de 29 anos, o desemprego permaneceu praticamente estável, caindo ligeiramente de 1,9% para 1,8%.
Ou seja, o problema não é uma deterioração generalizada do mercado de trabalho. Ele está concentrado justamente nos profissionais que estão tentando dar os primeiros passos na carreira.
Os pesquisadores dividiram as ocupações em dois grupos.
O primeiro reúne profissões cujas atividades podem ser realizadas remotamente, como desenvolvimento de software, análise financeira, marketing, design e diversas funções administrativas.
O segundo inclui ocupações essencialmente presenciais, como enfermagem, engenharia de campo e outras atividades que exigem interação física constante.
Foi aí que apareceu a grande diferença.
O aumento do desemprego entre jovens ocorreu quase exclusivamente nas ocupações compatíveis com o trabalho remoto. Nessas profissões, a taxa de desemprego dos recém-formados aumentou quase um ponto percentual desde antes da pandemia.
Já nas profissões presenciais, o aumento foi temporário durante a pandemia e rapidamente voltou aos níveis anteriores.
Em outras palavras, a dificuldade dos jovens em entrar no mercado está concentrada exatamente onde o home office se tornou predominante.
Nos últimos anos tornou-se comum atribuir qualquer dificuldade no mercado de trabalho à inteligência artificial. Esse outro gráfico aqui é clássico, da diferença do lançamento do ChatGPT e da abertura de vagas de emprego nos EUA, que caíram drasticamente.
Apesar desse gráfico, o estudo mostra que essa hipótese, pelo menos até agora, possui pouca sustentação. O aumento do desemprego começou antes da rápida disseminação da IA generativa, que só ganhou escala após o lançamento do ChatGPT no final de 2022.
A diferença continua sendo entre trabalhos presenciais e trabalhos remotos.
Isso não significa que a IA não afetará o mercado de trabalho nos próximos anos. Muito provavelmente afetará. Mas ela ainda não parece ser a principal explicação para o que aconteceu com os jovens desde a pandemia.
E o retorno do mercado de ações americano S&P500, com certeza não foi ruim.
Talvez o ponto mais interessante do estudo seja a explicação para esse fenômeno. As empresas não afirmam que trabalhadores remotos produzem menos.
O problema está em formar novos profissionais.
Funcionários experientes já conhecem processos, possuem autonomia e precisam de pouca supervisão. Já um recém-formado depende de algo muito mais difícil de reproduzir por chamadas de vídeo.
Ele aprende observando colegas.
Faz perguntas rápidas ao longo do dia.
Recebe correções imediatas.
Participa de conversas informais.
Entende como a empresa funciona sem que isso esteja escrito em um manual.
Grande parte do desenvolvimento profissional acontece justamente nesses momentos aparentemente triviais. O cafezinho na copa, aquela conversa no corredor…
Em outras palavras, empresas parecem perfeitamente dispostas a contratar profissionais iniciantes quando conseguem treiná-los de perto. Quando isso não é possível, preferem pagar mais por alguém que já chega pronto.
Por fim, esse estudo não significa que o home office deva acabar. O trabalho remoto trouxe inúmeros benefícios como redução do tempo perdido no trânsito, maior flexibilidade e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional para muitos.
Mas talvez ele tenha criado um efeito colateral inesperado.
Quanto mais experiente o profissional, maiores tendem a ser os benefícios do home office. Quanto menos experiência ele possui, maior pode ser o custo dessa distância.
Só quem normalmente mais deseja o HO são exatamente os jovens.
É um paradoxo interessante.
O modelo que oferece mais liberdade para quem já está consolidado pode ser justamente aquele que fecha portas para quem ainda está tentando entrar no mercado.
Agora… de volta ao trabalho!
Era isso…
Se gostou, por favor, compartilhe com um amigo e nos ajude a disseminar a nossa newsletter!
Um grande abraço e até a próxima semana!
-
Disclaimer:
As informações fornecidas neste site são de natureza geral e não se destinam a substituir conselhos individualizados e específicos sobre recomendações, impostos, legislação ou planejamento de investimentos. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O autor dos artigos pode possuir posições em alguns dos ativos comentando. Nada neste site deve ser considerado uma oferta ou recomendação de investimento!

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.