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Pitadas Acostuma · Apr 5, 2026

Clube do livro ACOSTUMA

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Paula Valansi & Luisa Zuffo · Pitadas Acostuma

[PV] A gente sabe como é difícil engrenar em um hábito novo. E não é por falta de vontade nem de interesse. Muito menos de conteúdo. Hoje, se você quiser ler mais, cozinhar melhor, treinar todo dia ou meditar, não falta informação. Falta exatamente o oposto.

Falta ritmo, companhia e um pequeno compromisso que te puxa de volta quando a vida atravessa. Eu estava pensando que falta a nossa professora do primário. Aquela que cobrava o dever de casa.

A gente começa empolgada, compra o livro, salva receitas, organiza a semana. E de repente… ihuuu. O livro ficou na mesa de cabeceira; viajou pelo mundo na mala de mão, mas ler que é bom? Nada. É raro, mas eu passei por isso muitas vezes até conseguir engrenar de novo. Virava mais uma boa intenção do que uma prática.

Eu estudo muito sobre hábitos. Sobre como a gente cria hábitos de verdade. Não os ideais. Os possíveis. Hábitos alimentares são foco do meu estudo há muito tempo. Mas a verdade é que a forma como introduzimos os hábitos na nossa vida pode ser aplicada a várias áreas. Uma delas é o contágio social. Ele arrasta. Arrasta um grupo. De fato, aquele ditado “fale-me com quem andas que te direi quem és” tem uma boa dose de verdade. Então, se você quer trazer ou resgatar esse hábito, venha com a gente!

Hábito não é só força de vontade. Tem muito mais a ver com contexto. Um horário marcado ajuda, um pequeno combinado também. E ter alguém do outro lado, mesmo que seja só pra aparecer e ouvir, faz mais diferença do que a gente imagina.

Não precisa ser um grupo enorme. Às vezes, é só saber que, no terceiro domingo do mês, às 9h, tem um encontro e que você vai aparecer ali, com o livro lido inteiro, pela metade ou só com vontade de ouvir. Sem performance.

A ideia do Clube do Livro Acostuma nasceu daí. Não de um lugar de “vamos ler mais”, mas de “vamos criar um espaço onde ler caiba na nossa vida”. Nesse lugar caótico que é a cabeça de uma mulher.

Ao longo dos próximos meses, a gente vai passar por histórias que misturam comida, memória, cultura, relatos gastronômicos, afeto. Livros que atravessam a cozinha, mas não ficam só nela. E, de vez em quando, sentar para conversar sobre isso com alguém.

Se você quiser participar, o clube faz parte da nossa newsletter. É um benefício para os assinantes pagantes do Pitadas Acostuma. É por aqui que vamos enviar o link dos encontros que serão realizados no Zoom, compartilhar os livros e construir esse espaço com calma.

[LZ] Eu sempre fui uma grande entusiasta da leitura. Desde pequena. Fui aquela criança que devorava revistinha da Turma da Mônica e tinha um carinho absurdo pela Coleção Vagalume. Fico muito feliz de ver David, hoje com 6 anos, alfabetizado em inglês lendo e se deliciando com as mesmas revistinhas que fizeram parte da minha infância, obrigada Maurício de Souza.

E como ler sempre foi um hábito que eu considero importante, quando David nasceu um dos meus grandes objetivos era contribuir para que ele também desenvolvesse amor pelos livros. Eu me lembro exatamente do dia quando eu estava no turbilhão de emoções do puerpério e decidi que o momento da leitura faria parte da nossa rotina. Ele tinha pouco mais de dois meses e os livros eram emborrachados e com ilustrações muito simples, mas eu tenho viva essa imagem na memória de quando começamos a passar tempo de qualidade lendo juntos.

No começo, ele podia até não interagir com o livro em si, mas eu entendi que nosso momento de leitura era um momento de conexão. Com o passar do tempo eu comecei a fazer vozes diferentes e até a dramatizar a leitura.

Fotos: Juliana Teixeira

Algumas dicas para quem gostaria de incorporar o hábito da leitura com as crianças:

1) Entender que a leitura é uma forma de brincar. É uma atividade de conexão, que aproxima o leitor e a criança. Eu nunca fui a mãe que gostou de sentar no chão para brincar de carrinho, mas sempre adorei estar disponível para ler um livro.

2) Se escolhermos livros interessantes, com ilustrações bonitas, a gente vai se empolgar mais para ler e reler com o bebê! Tem muitos ilustradores que arrasam e fazem dos livros verdadeiras obras de arte! Podemos acreditar no potencial das crianças de se interessarem por livros mais complexos!

3) Livros musicais são super legais e os nenéns adoram! Dá para investir em livrinhos com sons dos instrumentos e até trechos de obras clássicas e ninguém precisa ficar irritado com o galo cantando numa repetição eterna! Para bebês eu AMO os indestrutíveis, feitos de material atóxico e que podem ir da boca ao banho. Costumo presentear amigas com bebês com esses porque são realmente indestrutíveis. (Tem algumas sugestões nessa lista)

E eu não sou a pessoa que julga livros. Eu sou uma grande entusiasta da leitura por entretenimento. Nem todo livro precisa necessariamente agregar uma lição de vida para ser considerado um bom livro (no meu julgamento). A leitura amplia vocabulário, repertório e pode até ser clichê, mas realmente permite viajar sem sair do lugar. Eu considero qualquer leitura positiva, todo e qualquer livro é válido. O importante é construir o hábito da leitura.

E eu comemoro muito ter contribuído para que David se apaixonasse pela leitura, assim como eu. Eu sei que não posso considerar o jogo vencido, que em cada fase da criança novos desafios vão surgir e continuar lendo vai ser um exercício de escolha. O Bookster sempre fala que não precisa ler muito, mas tem que ler um pouquinho todos os dias.

Eu já tive fases de ser leitora voraz, fases de ler menos. Mas nunca deixei de ler. Eu já tive a fase em que fui resistente ao kindle e ficava apegada em virar as páginas no livro de papel, sentir o cheiro. Mas depois já tive a fase de me render totalmente a tecnologia. A facilidade de acessar um livro instantaneamente no kindle é realmente incrível. Eu já tive fases de devorar muitos livros de uma única autora, ficar apaixonada por fórmulas seguras em romances que sempre atendiam às expectativas. Também me lembro que a partir do momento que meu inglês ficou fluente o suficiente para eu realmente desfrutar da leitura em outro idioma um portal se abriu: de disponibilidade de livros que as vezes são lançados primeiro em inglês e a tradução para o português chega bem mais tarde, ou até de acesso, porque eu sempre achei livros no Brasil caros. Em alguns outros países comprar livros e ter acesso a excelentes bibliotecas é algo menos oneroso.

Minha experiência com audiolivros foi algo recente, começou em 2024 e se consolidou em 2025. Só consegui manter o ritmo de leitura do último ano graças as muitas horas de áudio que me fizeram companhia no trânsito.

Muitas vezes a gente se acomoda em um estilo literário e acabamos sempre escolhendo ler mais do mesmo. Não tem nada de errado com isso, porque como eu já disse, o importante é ler. Participar de grupos de leitura são uma ferramenta incrível para expandir nossas escolhas. Muitas vezes a gente acaba lendo estilos ou autores que não escolheríamos sozinhos e fazendo descobertas muito agradáveis. Além da diversidade de leitura, os debates são muito enriquecedores. É sempre surpreendente perceber diferentes perspectivas sobre uma mesma obra dentro de um grupo. Muitas vezes alguém se identifica muito com um trecho que na nossa leitura pode até ter passado batido. Todo e qualquer debate respeitoso traz inúmeros benefícios. E é essa troca que queremos proporcionar no clube do livro Acostuma. Além de incentivar esse hábito tão benéfico, queremos nos divertir, ampliar nosso repertório e trocar com vocês. Vai ser um prazer ter a sua companhia nessa nova jornada!

Read the original on acostuma.substack.com

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