Eu sou uma defensora ferrenha da teoria. Do embasamento, do repertório, do aprofundamento. Acredito que é justamente isso que diferencia o nosso trabalho de quem simplesmente gosta de moda ou se acha boa em montar looks.
Mas também acho que, quando o assunto é consultoria de estilo, teoria sem prática é desperdício.
E não é incomum que eu encontre personal stylists super estudiosas, transbordando repertório, mas com muita dificuldade de colocar esse conhecimento todo em prática.
A partir da minha experiência como consultora e professora, vou listar algumas coisas que acho importantes para entender melhor as etapas práticas, do ponto de vista de quem as executa e de quem as recebe.
Para a cliente, não importa tudo que você sabe sobre história da moda, contexto histórico-social ou semiótica, se na hora de montar um look você trava, se na hora de fazer compras você fica perdida, se na hora de editar o armário você tá insegura.
A cliente precisa perceber que gastar esse dinheiro valeu a pena e quer ver a mágica acontecer no corpo, na vida.
O seu conhecimento teórico pode, sim, ser muito valorizado por ela, desde que ela perceba que aquele conhecimento tem um ganho prático. Afinal, ela não contratou um curso. Ela contratou um serviço de personal stylist.
O conhecimento teórico é, em grande parte, o que nos diferencia de quem gosta de moda. Mas tem uma outra habilidade fundamental: ter fluência nas etapas práticas.
Quando a gente vai ao shopping com a cliente, monta look ou edita armário, ela precisa ter clareza de que está com uma profissional conduzindo aquele processo e não com uma amiga batendo perna e papo - isso rende satisfação e recontratação.
Esse profissionalismo fica evidente com boa gestão de tempo, etapas organizadas, um plano claro, fazer muito com poucos recursos e também ao conseguir justificar o que está sendo feito. A cliente PRECISA entender o PORQUÊ de cada escolha.
Para muitas pessoas, o vestir é uma experiência ruim, conflituosa, frustrante. Fazer compras, então, nem se fala. Montar look de manhã, verdadeira tortura.
O trabalho da personal stylist é também o de mostrar que o vestir pode ser tranquilo — e até prazeroso!
Acontece que a gente só consegue proporcionar isso se também estiver confiante, com clareza dos processos, sem perder tempo, sem insegurança no meio do caminho.
Eu me lembro de uma cliente que me disse que toda vez que eu chegava na casa dela parecia que uma mágica tinha acontecido: em pouco tempo, eu resolvia questões que ela tentava há meses resolver sem sucesso — e ainda fazia isso de um jeito que parecia fácil, que o tempo passava rápido e era tudo divertido.
Experiência boa não acontece por milagre. Ela acontece porque existe planejamento.
A cliente precisa sair da consultoria com a sensação de que tirou coisa do armário e mesmo assim parece que tem mais coisas pra vestir.
Que com o orçamento que tinha, comprou muito mais do que compraria sozinha.
Que está conseguindo fazer o armário render mais.
Sabe qual a única forma tirar coisas do armário e, ainda assim, a cliente ter a sensação de que tem mais coisas pra usar? É você entender sobre proporção de armário e saber como mapear isso.
Sabe quando o orçamento da cliente realmente rende? Quando você tem repertório de marcas, conhece opções para todos os corpos, oferece alternativas de todos os preços e sabe fazer uma boa pesquisa.
Sabe quando o armário da sua cliente fica excelente? Quando você compra com inteligência e faz coordenações guiadas pelas demandas da rotina dela e não por mera vaidade criativa.
Otimização de recursos não acontece por sorte ou acaso; precisa de técnica e estratégia - essa palavrinha meio batida, mas que cabe bem aqui.
Esse ponto tem mais a ver com a consultora do que com a cliente, mas é importante.
Quando não se tem clareza nas etapas práticas, algumas coisas muito comuns acontecem: você não consegue terminar o atendimento no tempo combinado e acaba dando horas extras de graça; você encerra o processo assim mesmo e fica com a sensação de que não entregou o suficiente; ou, pior, como não havia um objetivo claro, você entregou tudo e um pouco mais, mas finaliza sua consultoria achando que foi insuficiente.
Em todos esses cenários, lamento dizer, o resultado objetivo é muita insegurança na hora de cobrar pelos seus serviços.
Não é achismo: uma pesquisa que fiz recentemente mostra como as consultoras estão cobrando menos do que deveriam. E isso tem tudo a ver com a clareza sobre a própria entrega.
Se você está se comportando como uma amiga acompanhando o rolê do vestir, vai sentir que precisa cobrar como amiga. Ou seja, nada.
Ter segurança nas etapas práticas é fundamental. E essa segurança começa quando você entende que uma etapa prática não é solta; a boa fluidez do processo depende sim da sua condução.
Se a gente organiza a teoria, estuda, aprofunda — precisa fazer o mesmo com a prática. Processos claros, etapas definidas, entregas consistentes: é isso que transforma todo conhecimento em resultado para a cliente e em negócio sustentável para a gente.
E no fim, acaba o dilema em cobrar direito: você vai cobrar o que o seu trabalho vale. Sem espaço pra dúvida.
Te espero nos comentários, pra me contar em quais etapas práticas estão as suas maiores dificuldades — shopping, edição de armário, montagem de looks?!
Um beijo e até a próxima.
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