Quantas vezes você traçou um plano no papel e não conseguiu executá-lo?
A lista é grande. Vou dar um exemplo simples: a academia.
Você prepara um plano, compra roupas confortáveis, suplementos, busca dietas na internet, monta uma playlist com as músicas mais motivadoras. Absorve tudo que o mundo fitness oferece antes mesmo de começar. Você se matricula e voilà, está pronta para dar tudo de si, entrar em forma e fortalecer seu corpo.
No primeiro dia procura treinos alinhados ao seu objetivo, sente dor no dia seguinte, precisa faltar para se recuperar, e quando chega sexta-feira, pensa em recomeçar na segunda. Os dias passam e aquela animação inicial vai se dissipando.
Porque a motivação muitas vezes depende de fatores externos, emoções passageiras ou até negociações internas com a própria vontade.
A palavra motivação nada mais é do que “motivo para ação”. Se não há um motivo forte, um sentido claro para o que você está se propondo, é natural que falhe. O sentido precisa estar claro para que o foco se mantenha.
Na logoterapia, existe um espaço entre o estímulo (a tarefa, o compromisso) e a resposta (a ação, a decisão). É exatamente nesse espaço que reside a nossa liberdade para escolher se vamos seguir o plano e cumprir o compromisso que fizemos conosco ou desistir.
Compreender esse espaço de liberdade é o primeiro passo.
O próximo é exercitá-lo diariamente, transformando o sentido em ação concreta. Isso não vale só para a academia, mas para tudo: carreira, estudos, relacionamentos. Encontrar sentido no que faz fortalece seu poder de decisão a ponto de, mesmo sem vontade, mesmo desmotivado, você se levantar para executar qualquer tarefa.
No começo, é desconfortável. Você vai querer fugir, se dispersar, fazer mil outras coisas em vez do que precisa. Não digo que é fácil, nem ousaria. Mas a escolha permanece livre. A pergunta que você deve fazer é: isso me fará evoluir ou me manterá no limbo que tanto me incomoda?
A liberdade de escolha existe, mas as consequências também. Encontrar sentido na decisão que toma clareia o caminho. Quando isso acontece, a jornada que antes parecia difícil pode até se tornar prazerosa. Assim como antes você buscava prazer imediato em dopamina barata, passará a sentir satisfação ao executar tarefas que no início eram árduas, mas que te levarão a algum lugar.
Não é a quantidade de informação ou o planejamento grandioso que nos leva adiante, mas a disciplina de executar o básico bem feito todos os dias.
É nesse cuidado com as tarefas simples que construímos resultados sólidos, autoconfiança e um caminho que nosso eu futuro agradecerá.
A escolha é sua: assumir a responsabilidade pela sua liberdade e construir seu caminho, ou continuar deixando a vida te levar.
Qual caminho vai escolher?

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