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A bussola de sentido · May 18, 2026

Se não agora quando?

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Thais Nascimento · A bussola de sentido

Em algum momento no decorrer de sua vida, um de vocês que está lendo este texto já se sentiu perdido. Se perguntando qual o sentido do seu trabalho, qual o sentido de tanto esforço, qual o sentido do sofrimento e principalmente: qual o sentido da vida?

Existe um risco que se corre em estar à deriva, a paralisia.
Mas vamos por partes.Boécio, em “A consolação da filosofia” relata que quanto mais estamos a margem de nós mesmos, mais nos tornamos instáveis e sem direção e quanto mais no centro, mais sabedoria, equilíbrio e permanência apresentamos.


A ausência de identidade firmada nos distancia do nosso verdadeiro propósito, o movimento até existe, mas sem um motivo forte para sustentar nossas escolhas. Não saber quem verdadeiramente somos nos mantém a deriva.

Fernando Pessoa já dizia: Viver não é preciso, navegar é preciso.
E não navegar nos deixa em uma espera silenciosa, da qual permitimos que tomem decisões importantes por nós, nos privando assim até mesmo de assumir a responsabilidade que a vida nos pede.

Isso é perigoso, pois sem uma firmeza de posicionamento nos tornamos facilmente manipuláveis.

A resposta para essa pergunta pode até parecer confusa, pois para nos conhecermos precisamos ir para o nosso centro, saindo da margem onde fatores externos nos distraem, mas se movimentar para o centro não é necessariamente pensar somente no nosso bel prazer.

À luz da logoterapia, Viktor Frankl é claro ao dizer que nossa identidade não é algo que nasce pronto conosco, vamos construindo conforme as decisões que tomamos, conforme as respostas que damos a vida, até mesmo, as que não damos. Ou seja, não nos conhecemos primeiro para viver depois, mas sim, nos conhecemos exatamente enquanto vivemos.

Isso nos exige coragem, entrega e uma busca que não envolve o nosso ego preenchido, pelo contrário, é preciso sair dessa introspecção que o mundo insiste em nos colocar, para dar voz à consciência e assumir a responsabilidade.

Toda escolha carrega uma renúncia.
Sempre que dizemos sim para algo, inevitavelmente estamos dizendo não para outra coisa. E a pergunta que fica, para o quê está dizendo sim e para o quê está dizendo não?

Mas não paramos por aqui.


Quando nos perdemos de nós, justamente pensando apenas no que nos faz feliz, nos dá prazer e não nos direciona para ordem de valores, nós paralisamos. Podemos até acreditar que o movimento está acontecendo, trabalhamos, fazemos dinheiro, compramos coisas, conhecemos pessoas, criamos laços, adquirimos experiências, temos liberdade para fazer qualquer coisa que quisermos.
E é exatamente aí que reside o maior alerta de todos:

Liberdade sem responsabilidade gera arbitrariedade.

Achamos que podemos tudo, mas esquecemos de uma coisa bem importante: as consequências.

Se perde critérios ao tomar decisões, se perde honra, se perde força, respeito e até dignidade. Quando a liberdade impera sem a responsabilidade, a paralisia é inevitável, os anos vão passando e a distração vai roubando o tempo de algo que poderia lhe render algo claramente mais significativo.

Não é difícil cair nesse conto do vigário, hoje nós temos várias fontes de venenos espalhados por aí, e é difícil não se corromper.

Mas a escolha continua sempre em nossas mãos: permanecer na distração e continuar se perdendo, ou ordenar os próprios valores e assumir a responsabilidade pela própria existência. Se encontrar, não é ser feliz o tempo todo, mas ser satisfeito com a vida que tem, por saber que o que faz com ela é de sua total responsabilidade.

Amadurecer é exatamente isso, parar de viver à deriva e assumir o leme.
Por que no fim, a vida continuará a nos fazer perguntas, e nossas respostas definirão quem iremos nos tornar.

Read the original on abussoladesentido.substack.com

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