Quando entramos no tema de quem é interessante e quem não é, logo imaginamos nos assuntos que elas têm, no repertório, quantos livros leu, quantos filmes assistiu, quantos lugares visitou. E em meio as conversas com essa pessoa, você sente até vontade de saber a opinião dela sobre algum determinado assunto.
Mas será que o que torna essa pessoa interessante de trocar ideias é o seu repertório?
Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante...
-Antonie de Saint-Exupéry
Essa frase do livro “O pequeno príncipe” fala do que realmente torna algo importante para nós. Não são necessariamente apenas o que consumimos, mas como o consumimos e o tempo que dedicamos a ela.
Palavras difíceis, quantidade de livros na estante, horas acumuladas de documentários assistidos. Isso não faz uma pessoa ser interessante.
Ser uma pessoa realmente interessada.
A curiosidade momentânea é o início do aprendizado, mas isso pode te fazer se contentar com a primeira resposta encontrada. O interesse, por outro lado, permanece. Ele não busca apenas respostas prontas, mas procura fazer perguntas mais pontuais. Quer compreender as causas, as relações e as implicações de um assunto. Não se satisfaz em saber o que é, mas procura entender porquê o é.
E isso só reforça o que G. K. Chesterton nos diz na seguinte frase: Não há assuntos desinteressantes; apenas pessoas desinteressadas.
Imagine uma pessoa que leu 60 livros no ano e outra que leu 10.
Podemos cair na armadilha e achar que quem leu 60 livros sabe mais, até porque, 60 livros é um baita número. Isso não significa que quem leu 10 tenha menos profundidade ou compreensão.
Aqui, a diferença não está na quantidade, mas em como cada um se relacionou com suas leituras. Por incrível que pareça, quem se envolve e se aprofunda nos seus interesses, muitas vezes, acaba compreendendo e internalizando mais do que quem acumulou números.
Quando uma pessoa interessada consome algo, ela não tem pressa. Ela sublinha palavras que não sabe o significado, busca o contexto histórico, analisa termos. Demora muito em uma leitura, não porque é lenta, mas porque quer extrair o máximo que conseguir dela.
E é quando o que é lido é conectado com o que se vive que começamos a perceber o que realmente significa se interessar por algo.
Você se torna uma pessoa mais observadora.
Quando passamos tempo suficiente diante de um assunto, aprendemos a notar detalhes que antes passariam despercebidos. O hábito de observar não fica restrito aos livros, aos filmes ou aos documentários. Ele começa a se expandir para a forma como enxergamos o mundo.
Não exatamente por ter inúmeros assuntos, mas por que a dedicação que uma pessoa assim tem em seus interesses, tornam ela interessada não apenas em ficar presa em um quarto lendo, mas em ver como o mundo é diante de tudo que aprendeu com as palavras adquiridas.
Ela adquire uma certa sensibilidade, presta mais atenção aos detalhes, tem mais empatia por experiências diferentes das suas e aumenta sua capacidade de conexão.
Aprendemos não apenas sobre um tema, sobre um roteiro ou sobre o conteúdo do documentário assistido, aprendemos a ser presentes. Aprendemos a deixar perguntas que ficam na memória. Tanto em nossas leituras, quanto em nossas relações com o outro.
Absorver um interesse profundamente te torna interessante não apenas pelo conhecimento, mas por causa da transformação que teve ao absorvê-lo.
Talvez Saint-Exupéry e Chesterton estivessem falando da mesma coisa. A rosa se torna importante pelo tempo que dedicamos a ela. Os assuntos se tornam interessantes pela atenção que lhes oferecemos. E nós nos tornamos interessantes pelas marcas que essas experiências deixam em nós.

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