Quem nunca se viu olhando para o relógio esperando a hora do almoço, de ir embora ou consultando o calendário para medir quão longe ainda está da sexta-feira?
Talvez o problema não esteja em desejar a sexta-feira, mas em precisar dela para sentir que a vida finalmente vai começar. Quando isso acontece, o descanso deixa de ser simples pausa e passa a parecer salvação. Já não se trata apenas de cansaço, mas de uma rotina vivida em modo de travessia permanente, na qual o presente é tratado como mera passagem e o sentido parece sempre estar no que ainda não chegou.
Isso pode parecer comum, até porque é nesse tempo que muita gente finalmente consegue fazer o que não fez antes, inclusive descansar.
Mas e quando o tempo deixa de ser um aliado e se torna um obstáculo?
Quando o cotidiano perde densidade, o tempo deixa de ser experimentado e passa a ser vencido. Não é normal precisar escapar da própria semana para sentir alívio. E, quando isso acontece, o dia já não é habitado, apenas suportado até o fim. É então que o presente empobrece, a rotina deixa de ser caminho e vira um estreito corredor, e até o descanso acaba se tornando fuga, não verdadeiro repouso.
Quando se vive assim, é como se apertasse um botão de adiantamento para atravessar os momentos desconfortáveis. Mas, sem esses momentos, como seria possível amadurecer e aprender a habitar a própria vida?
Nem sempre a realidade nos permite mudar de cidade, de casa ou de emprego, e muito menos viver dias perfeitos. O cansaço bate à porta, a vontade de ficar um pouco mais na cama vem como avalanche antes dos deveres do dia, e tudo o que se quer é simplesmente estar em casa e descansar.
Por isso, a primeira mudança possível mora na atitude. Viktor Frankl dizia: “Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim, transforme-a. Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se.” Nem sempre é possível mudar o cenário. Há obrigações que precisam ser cumpridas. Mas ainda é possível mudar a forma de se colocar diante delas.
A rotina tende a ser árdua, por mais que mudanças externas sejam feitas. O caminho raramente é simples. Por isso, a mudança decisiva começa em nós e no sentido que pode ser devolvido pelos dias corriqueiros. Talvez seja isso o que nos ajude a deixar de esperar tanto pela sexta-feira, porque, antes que ela chegue, ainda existem dias comuns que também pedem presença.
Existe uma grandeza no cotidiano, nos momentos em que estamos inteiramente presentes. Quando a atitude muda, muda também a forma como nos inserimos na própria realidade. E então, até um banho quente ou uma comida feita na hora, ao fim do dia, se tornam motivo de paz, ainda que esse dia seja apenas o início da semana.
Não é preciso abandonar os dias ordinários à espera do extraordinário. Sem eles, ele jamais seria alcançado.
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Nos encontramos na próxima segunda.

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