Das poucas mulheres importantes na história do cristianismo, a única verdadeiramente respeitada e admirada é Maria. A primeira, Eva, a culpada pelo pecado original; a outra, Maria Madalena, puta.
“Existem outras mulheres que foram importantes, como Fulana de Nazaré, segundo o Salmo Tio Zé 12,15.” Aqui estou falando dos conhecimentos gerais da religião, de quem se formou até a 5ª série no evangelho, de quem leu a Bíblia só folheando o livro encontrado na mesa de cabeceira do hotel. O que eu acredito que seja 98% dos brasileiros.
Então fomos criados com o ensinamento implícito de que a mulher que merece respeito é mãe. E virgem. Ou seja, não existe.
A sociedade até aceitou o sexo procriador como uma exceção à regra. Como se a mãe tivesse tido relação sexual com o pai sem a busca do prazer: apenas um sacrifício para receber a semente e transformá-la na vida do alecrim-dourado que, anos depois, não aceita a mãe como indivíduo, e sim como divindade provedora da vida. A mãe que não pode ter tesão. Afinal, ter tesão é coisa de Maria Madalena.
Esse conceito parece exagerado exposto dessa maneira, mas repare que todo machista se defende com a máxima: “Não sou machista, tenho mãe”, mostrando que a instituição MÃE é tão imaculada que serve de argumento para se exigir respeito e se eximir de qualquer culpa.
Esse mito implica em duas coisas: a mãe que perde o direito de ser mulher e a mulher que não é mãe que perde o direito de ser respeitada. Porque os homens não admiram as mulheres, admiram as mães. E, infelizmente, só a própria mãe.
É como se a gente fosse obrigada a gestar o próprio respeito. Obrigada a ter um filho para ter alguma defesa.
Mas a verdade é que toda mulher é um pouco Nossa Senhora, um pouco Eva, um pouco Maria Madalena. E uma não apaga a outra. O que apaga a mulher é o homem.
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