O episódio desta semana é sobre a história da SpaceX, que fará o maior IPO da história amanhã. Contamos sua história, desde a malária que transformou a vida de Musk, até o S-1 da empresa.
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SpaceX é mais do que o a empresa de foguetes do Elon, mas a soma de três monopólios:
Monopólio #1 — Lançamento ao espaço. A SpaceX fez 80% dos lançamentos orbitais dos EUA em 2025. A vantagem de custo é tão extrema graças a reusabilidade que funciona como barreira de entrada estrutural.
Monopólio #2 — Internet via satélite. Mais de 9.500 satélites ativos e 11.992 lançados, mais do que todos os outros operadores do mundo somados.
Monopólio #3 — Infraestrutura de próxima geração. A Starship V3 fez o primeiro voo de teste em março de 2026, com o sonho de alcançar no futuro um custo abaixo de US$100/kg — uma redução de 27x em relação ao Falcon 9 hoje. Nesse custo, mercados que hoje não existem viram viáveis: manufatura em órbita, logística lunar, data centers no espaço.
Em abril de 2026, a SpaceX assinou com a Cursor um acordo de compute mais uma opção de compra. A opção dá à SpaceX o direito — não a obrigação — de comprar a Cursor inteira a um equity value implícito de US$60 bilhões, exercível numa janela de 30 dias após o IPO.
O nível de comprometimento aparece na multa: se desistir da opção, a SpaceX deve à Cursor US$1,5 bilhão de termination fee mais US$8,5 bilhões de deferred services fee.
Por que coding? Porque programação é um dos melhores casos de uso de IA — gera dado de altíssima qualidade, verificável, e demanda constante de inferência, além de se retroalimentar. Cada prompt, cada ciclo de iteração da Cursor realimenta o treino do Grok. (Eu falei muito disso no episódio da Anthropic)
Aí o segmento de IA ganha forma, em três camadas: compute na base (os data center Colossus e Colossus II, hoje a parte mais valiosa), modelo no meio (o Grok, treinado em casa com dado em tempo real do X), e apps no topo (X, Grok e, se exercerem a opção, a Cursor rodando em cima do próprio compute e do próprio modelo). É o flywheel da SpaceX aplicado ao software: verticalizar até o consumidor, dono de cada camada.
Uma das partes menos faladas desse IPO: Michael Grimes, o banqueiro de confiança de Elon Musk que voltou ao Morgan Stanley para liderar a oferta pública da SpaceX.
Por que ele é tão relevante? Tem várias respostas, mas uma delas: ele se importa e estuda exaustivamente as empresas que assessora.
- No IPO do Facebook (hoje Meta), ele passou muitas horas jogando farmville.
- No do Uber, ele chegou a trabalhar de forma oculta como motoristas.
Aqui é menos sobre SpaceX, mas uma lição de que o extra mile é um diferencial.
Todo IPO precisa do contraponto, e aqui ele é forte.
O key-man risk é gigante — mais do que em qualquer outra empresa dessa magnitude. O filing revela ações Class B com 10 votos cada, que dão a Musk e aos insiders controle de voto permanente depois do IPO. Na prática, ele não pode ser removido como CEO. O acionista público entra carregando o risco econômico sem direito de governança proporcional. Comprar essa ação é, antes de tudo, uma aposta na capacidade de alocação de capital de uma só pessoa — a mesma que divide a atenção entre Tesla, X e política.
O IPO é de outro negócio. O IPO não é de uma empresa espacial, mas de uma aposta em explorar o monopólio espacial da SpaceX com aplicações em IA, data center nos espaço (e na terra também como colossus). De certa forma, é um negócio que mal existe hoje. Quem entra aposta na história do amanhã, não nos números de ontem (!!!)
O EV/sales é muito superior à média. O múltiplo de valuation é da ordem de 100x a receita de 2025. Mesmo dando crédito ao receita futura pós-deals de AI e jogando pra 20-25x, ainda é acima pra qualquer régua tradicional.
Nada disso é, necessariamente, motivo pra não comprar. É motivo pra saber exatamente o que você está comprando.
Tem uma frase do Morgan Housel que eu uso pela quinta vez numa newsletter:
“O valor de uma empresa são os números de hoje multiplicados pela história do amanhã.”
O premium da SpaceX está inteiro na história do amanhã. A primeira frase do S-1 já é futurística, e boa parte do documento segue a perspectiva multiplanetária. Como está escrito:
“AI accelerates SpaceX’s mission to make life multiplanetary, to understand the true nature of the universe, and to extend the light of consciousness to the stars.”
O auge é o gráfico que viralizou, do addressable market de mais de US$28 trilhões — onde a maior parte não tem nada a ver com espaço, mas com IA.
Só que aqui está o ponto que separa storytelling de Musk dos outros: ele ganhou o direito de fazer promessa dessa magnitude, graças ao track record de entregar projetos que ninguém mais entregou. Esse é o lastro.
E se conecta com outro atributo: a escassez que mencionei no ponto 1.
A escassez são os três monopólios — launch, internet via satélite, infraestrutura de próxima geração — onde a SpaceX não tem concorrente à altura. O storytelling é a promessa multiplanetária que estica essa escassez décadas pra frente.
Recomendo ouvir o episódio: tentei adicionar o máximo de insights por minuto, então ele tem 44 minutos de duração e passa um overview geral dessa história completa, terminando com o IPO, com a participação do querido Bernardo Brega, investidor que tem um fundo chamado Codex Fia.
+ Algumas referências se quiser aprofundar:
- SpaceX — Form S-1 (prospecto do IPO)
- Harvard Business School — “SpaceX, Economies of Scale, and a Revolution in -Space Access”

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