Olá pessoal,
Espero que tenham tido um ótimo feriado e conseguido descansar, porque a próxima semana promete, e muito!
Teremos o maior IPO da história da SpaceX no dia 12 de junho.
Semana do dia dos namorados.
Início da Copa.
E, na terça-feira, teremos uma palestra de Tyler Cowen em São Paulo sobre IA.
Sobre a Copa, é impossível pensar nela sem falar da CazéTV. É simplesmente surreal o que eles construíram. Todos os jogos serão transmitidos gratuitamente pelo YouTube.
Com certeza vou falar mais sobre isso ao longo deste mês 😉
O artigo de hoje aborda 4 conceitos que são importantes para mim enquanto empreendedor, que vão do tático ao estratégico.
Mas antes de avançar, um recado:
Esta newsletter é oferecida pela Onfly:
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Pedir intros da forma correta
O mundo das startups é impulsionado por networking. Seu investidor da Série B pode ser amigo dos seus investidores seed. Sua diretora comercial pode ter trabalhado por dois anos em uma empresa investida pelo mesmo fundo de VC que quer liderar o seu round. O fundador da empresa que você deseja adquirir pode ter uma excelente relação com um dos seus melhores amigos no mundo das startups. Dito isso, é essencial abrir portas corretamente.
Uma oportunidade “low-hanging fruit” para abrir portas de forma eficiente é aprender como pedir intros. Uma introdução bem elaborada pode abrir grandes portas. Contatar pessoas via LinkedIn ou cold emails geralmente tem uma baixa taxa de resposta. Em vez disso, seja apresentado por alguém que tenha bom relacionamento com a pessoa que você deseja conhecer e prepare um modelo de mensagem nesses moldes:
“Olá [nome da pessoa fazendo a introdução], espero que esteja tudo bem. Percebi que você está conectado com [nome da pessoa que você deseja conhecer] no LinkedIn [ou de qualquer outra forma]. Adoraria conhecê-lo, já que ele possui experiência em nosso ramo. Você poderia me apresentar? Se sim, aqui está um modelo rápido de e-mail que você pode copiar e colar. Sinta-se à vontade para modificar o que quiser.
“Olá [nome da pessoa que você deseja conhecer], tudo bem? Meu amigo, [nome do amigo], trabalha na [nome da empresa], um dos principais fundos de VC da América Latina. Ele está analisando o mercado de fintech B2B no Brasil. Acredito que vocês deveriam se conhecer. Posso fazer uma introdução?”
Lembre-se de que uma das regras da vida é que “ninguém te deve nada”, então quanto mais você descrever o contexto, a introdução e as informações necessárias, maiores serão suas chances de sucesso.
Hack simples, mas que já me ajudou muito.
Diferenciação é sobrevivência
Na sua última carta como CEO da Amazon, Jeff Bezos escreveu que: Differentiation is Survival.
Este argumento vai além do mundo dos negócios: seja na PF ou na PJ, ter um diferencial é essencial para o sucesso. Somente focando no que diferencia sua empresa ou você que é criado uma proposta de valor única.
Esse princípio está relacionado ao famoso statement de Peter Thiel de que “a competição é para perdedores”. Em seu livro “Do Zero ao Um“, Thiel argumenta que as empresas devem se concentrar em criar algo novo e único, em vez de simplesmente competir em um mercado existente. Ele acredita que a verdadeira inovação vem da criação de um novo mercado ou categoria, em vez de tentar vencer jogadores existentes em seu próprio jogo.
Da mesma forma, o princípio da “diferenciação é sobrevivência” indica que as empresas devem se concentrar no que as torna únicas, em vez de tentar competir diretamente com seus concorrentes. Esse conceito foi reforçado quando aprofundei no s-1 da SpaceX. Houve uma frase, em particular, que ficou na minha cabeça:
SpaceX is the only company that has cracked the code on accessing space at scale.
Esse é o diferencial que pauta tudo da empresa: ela tem um monopólio do acesso ao espaço (em breve ep!!). Outra forma de ilustrar esse argumento é através da frase de Edwin Land, fundador da Polaroid (grande ídolo de steve jobs):
Don’t do anything that someone else can do.
Risco de mercado é inversamente proporcional ao risco técnico
O insight de Tom Perkins sobre risco é um dos modelos mentais mais poderosos para startups. Sua famosa lei diz que:
Market risk is inversely proportional to technical risk.
O risco de mercado é inversamente proporcional ao risco técnico.
Basicamente, em qualquer empresa, há esses dois riscos:
O técnico nos diz sobre a dificuldade em construir um produto complexo.
O de mercado está relacionado à capacidade de manter um diferencial competitivo diante da concorrência que inevitavelmente surgirá.
Por exemplo, no case da Embraer, que foi o último episódio do Aura, eu mostrei que a empresa alcançou 100 milhões de dólares em receita em 6 anos, lá nos anos 70. Isso acontece porque é tão difícil construir uma fabricante de aviões que, uma vez que ela funciona, dificilmente quebrará por problemas de mercado.
A lógica, levada para o extremo, seria:
Se uma empresa curar o câncer, haverá pessoas para comprar o remédio? Sim. Se o teletransporte fosse criado hoje, haveria mercado? Sim. Dito isso, o risco de mercado é perto de zero. O que nos deixa com um grande risco técnico.
Por outro lado, um restaurante possui um risco técnico baixíssimo, enquanto tem um risco de mercado gigante uma vez que há diversos competidores lutando pelos clientes.
Expanda sua visão ao pensar em “first-principles”.
A nossa forma de pensar em negócios tende a ser incremental, focando na melhoria de um setor em vez de considerar a reinvenção. No entanto, Elon Musk adota uma abordagem baseada em princípios fundamentais que pode nos ajudar a expandir nossa visão de mundo.
Tomemos como exemplo a indústria de pagamentos. Existem muitas startups trabalhando em soluções que visam melhorar ou otimizar soluções pré-existentes. Isso pode ser visto como pensar por analogia, uma abordagem mais rápida e fácil, mas que limita nossa visão do todo. Em contraste, a abordagem de first principles nos leva a pensar em como construir uma rede de pagamento do zero, considerando questões como: “Se a rede Visa ou Mastercard fosse construída hoje, como ela seria?”
Um dos melhores exemplos de first principles aconteceu quando Elon Musk descobriu nos primórdios da SpaceX que o custo de comprar um foguete era astronômico -chegando a US$ 65 milhões. Dado o alto preço, ele começou a repensar o problema.
“Eu tendo a abordar as coisas a partir da física.. A física ensina você a raciocinar a partir de princípios fundamentais em vez de por analogia. Então eu disse, ok, vamos olhar para os princípios fundamentais. Do que é feito um foguete? Ligas de alumínio aeroespacial, além de titânio, cobre e fibra de carbono. Então eu perguntei, qual é o valor desses materiais no mercado de commodities? Descobriu-se que o custo dos materiais de um foguete era de cerca de dois por cento do preço típico de compra” - Elon Musk
Em vez de comprar um foguete acabado por dezenas de milhões, Musk decidiu criar sua própria empresa, comprar os materiais brutos por um preço baixo e construir os foguetes ele mesmo.
Em poucos anos, a SpaceX reduziu o preço de lançamento de um foguete em quase 10 vezes. Musk usou o pensamento baseado em princípios fundamentais para decompor a situação em seus elementos essenciais, contornando os altos preços da indústria aeroespacial e criando uma solução mais eficaz.
Pensamento baseado em princípios fundamentais é o ato de reduzir um processo aos elementos fundamentais que você sabe serem verdadeiros e construir a partir daí.
Até a próxima semana. E já deixo a recomendação para ouvir o episódio da Embraer:
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