Boa segunda-feira, queridos amigos leitores da 300 Noise.
Hoje o editorial da 300 será composto de um breve jabá internacional. Caso você esteja em Barcelona, Espanha, no próximo dia 3 de junho, às 13h (horário da Espanha), considere ver o nosso pitch no Ideas Showroom do Primavera Sound. Mais informações no site. Dê um oi para nossa equipe presente no festival. Não se esqueça também de prestigiar headliners menos importantes como The Cure, Massive Attack, Pink Pantheress, Geese, mbv ou Doja Cat.
Também registramos que, ao longo desta programação de junho, enquanto parte de nossa equipe estiver ocupada em Barcelona cuidando de negócios internacionais, a outra divisão da 300Noise segue na labuta no curso Além do Streaming: Táticas Independentes para Lançamento Musical, com entrada franca, às 19h, no Sesc Avenida Paulista. Chegue antecipadamente para garantir sua entrada. A última aula lotou.
Feitos os jabás, vamos para os temas deste mês de maio:
A Virada Cultural acerta por conta de sua própria crise
Se você é de São Paulo, ou esteve por aqui no último final de semana, dificilmente conseguiu desviar de um dos eventos mais emblemáticos do calendário da cidade. A Virada já tem mais de 20 anos de idade e já passou por diversas transformações antes de sua ‘volta às origens’.
Mais que uma ocupação do espaço público por 24h, o evento busca construir uma identidade que abrace as diversas manifestações culturais de São Paulo. Com altos e baixos, a cidade já foi palco de muita coisa memorável e, claro, de cenas que externavam ainda mais os problemas da metrópole.
Em 2026, mais de 1200 artistas se apresentaram. Música, teatro, artes cênicas e circenses, cinema, performance. O centro, que atualmente é foco central da segurança pública, teve 5 palcos principais, além dos espaços secundários e menores, das tendas e do Teatro Municipal. Outros 16 espaços ficaram espalhados pelas demais regiões.
Nas principais manchetes do evento, seguindo a cartilha de falsas polêmicas, esteve o valor de cachê dos principais artistas do evento. 4.4 milhões de reais distribuídos entre Péricles, Luiza Sonza, Thiaguinho e outros. Se você esteve com a gente desde nossa última análise no ano passado, já entende onde esse texto vai parar.
Uma boa hora para relembrar que você pode ajudar a 300Noise com uma assinatura por aqui:
O valor de 4.4 milhões entre os principais cachês não deveria assustar. A última virada teve um orçamento de 56 milhões de reais. Se você comparar os valores entre as duas edições, verá que a quantidade de artistas reconhecidamente caros caiu. Abaixo você poderá ver as comparações:
Maiores cachês Virada Cultural 2025
Um dos pontos para a mudança nos gastos com a virada talvez esteja no Carnaval, ou melhor, em uma denúncia que surgiu nessa mesma época. Estamos falando da SPTuris e das suspeitas de fraude de 138 milhões de reais, que são alvo de investigações do MP. Some a isso o corte do orçamento de fomento e a abertura de uma data de mega-shows na Paulista para tentar competir com o Gaga/Shakira/Madonnacabana… Sobrou aos gestores, no meio do perrengue, voltar a ideia de dar à Virada um olhar mais plural no que se refere às atrações.
Sem apelar para gigantes do sertanejo, por exemplo, tivemos até um palco dedicado ao Karaokê, rap lotando palcos às 16h de um domingo e uma multidão que não se deixou vencer pelo frio ou pela chuva para assistir ao rock doido de Gaby Amarantos, artista que não poupou críticas à própria estrutura do evento.
Aliás, o encolhimento da verba não reduz a crítica dos trabalhadores da cultura em relação ao pagamento de técnicos e produtores no evento.
Com a necessidade de olhar para camadas menores do consumo de cultura, ou melhor, para um universo que está além do poder midiático de uma Rede Globo da vida, a Virada dialoga ainda mais com a própria pluralidade da cidade.
Ao tentar replicar um Todo Mundo No Rio, a Prefeitura está deixando passar batido a galinha dos ovos de ouro de seu calendário e os 99% de aprovação levantados ao entrevistar os frequentadores. Veja bem, não há como um festival de música nos moldes tradicionais conseguir replicar a dinâmica e profundidade cultural de uma Virada.
Somos a cidade mais populosa do hemisfério sul, temos um Coldplay para cada tribo, uma Madonna para cada nicho. E, por fim, nossos nichos têm milhares de pessoas. Na última virada, tivemos a circulação de mais de 4 milhões de pessoas pelos palcos da Virada. Isso dá 40 Rock in Rios.
SAIA DO INSTAGRAM E VÁ:
ASSISTIR UNS FILMES…
Sounds Of The West - Straight Outa Bristol
Documentário que foi ao ar em 1996 e traz diversas entrevistas sobre a formação do famoso “Bristol Sound”, ou como costumamos chamar, Trip Hop. Desde o Wild Bunch, até a popularização de grupos como Massive Attack, temos a influência do dub jamaicano e um processo diaspórico que criou uma sonoridade muito própria para os anos 90.
In-Edit 2026
O In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical apresenta os títulos internacionais de sua 18ª edição, que acontece de 17 a 28 de junho, em São Paulo.
Destaques para:
Sun Ra: Do The Impossible — O filme revisita o universo visionário de Sun Ra e sua fusão entre jazz experimental, afrofuturismo e imaginação cósmica.
The Best Summer – Filmado durante o verão australiano de 1995, o documentário revela shows explosivos, bastidores caóticos e muita festa ao lado de algumas das bandas mais importantes do rock alternativo dos anos 1990 como Beastie Boys, Sonic Youth, Foo Fighters, Pavement, Rancid, Beck e Bikini Kill.
La 42 (42nd Street) — Nas noites de Santo Domingo, o dembow vira expressão de liberdade, identidade e sobrevivência urbana.
(Programação completa em breve)
OUVIR UM SOM
أحمد Ahmed - Play Monk
Ahmed é um grupo de jazz que trabalhou em reimaginações e experimentações para as obras de Ahmed Abdul-Malik, contrabaixista que incorporou diversos elementos do Sahel dentro de sua carreira, em especial a Nigéria. Nesse novo trabalho, o grupo foca em um grande parceiro de composição de Abdul-Malik: Thelonious Monk.
World Peace - For No Man Shall See Me and Live
10 músicas, 6 minutos e uma quantidade ridícula de peso nesse powerviolence feito só com baixo, bateria e muita distorção.
Juçara Marçal e Thaís Nicodemo – Dessemelhantes
Trabalho lindíssimo e muito bem estruturado (principalmente a escolha do repertório). Mesmo com a atmosfera mais minimalista, há muita versatilidade e melodia no disco. As teclas da pianista Thaís Nicodemo guiam os ouvidos, mas também operam como objeto de transformação das versões apresentadas nesse disco. Destaque para a versão de Maria (de Maria Beraldo) e a faixa título (de Juçara e Tiago França).
Happy Today - Jeff Parker
Uma das guitarras mais importantes do jazz contemporâneo, Jeff Parker é um cara que às vezes passa despercebido. Neste álbum, apesar de ser apenas duas músicas de 20 min cada gravado em uma apresentação ao vivo, já mostra o tamanho da genialidade dele e da banda que o acompanha. Se você curte um jazz bem experimental com um leve toque do post rock é muito bom dar uma chance para o jeff parker.
TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANÁS E OUTRAS BRASILIDADES - FBC & BAKA
FBC lançou um álbum de funk com o BAILE, depois foi para MPB com O AMOR, O PERDÃO E A TECNOLOGIA VÃO NOS LEVAR PARA OUTRO PLANETA, ano passado o incrível álbum de boombap ASSALTOS E BATIDAS e neste ano quebra tudo com um álbum de rock. Se você gosta de Rage Against The Machine e Planet Hemp você vai gostar neste novo lançamento.
Muito Romântica - Maui
EP de uma das maiores vozes da nova geração. Incrível como ele consegue seguir lançando músicas incríveis misturando gêneros como R&B, Funk e música pop, sempre sem perder sua essência e a sua potência. Acho que vale muito a pena a atenção, em especial por ser um material bem compacto e rápido de ouvir. Caso não conheça ele, você também deveria ouvir o resto da discografia.
LEIA
Se você vai ao curso da 300Noise no Sesc Avenida Paulista desta terça-feira (2), aqui vai uma leitura: neste mês de maio, tivemos comemorações dos 100 anos do imortal Milton Santos. Assim vale lembrar de um dos comentários mais importantes sobre a nossa constituição e democracia que vivemos atualmente, seu livro Espaço do Cidadão.
Apesar de ser da mesma época do processo de escrita e promulgação da Constituição de 1988, o livro traz uma visão profunda sobre a formação dos direitos sociais no Brasil e uma crítica ao legado histórico de injustiça social que, apesar dos avanços da constituição, estão longe de ser solucionados. Ele consegue também dar um aspecto geográfico e territorial aos direitos fundamentais, demonstrando como no Brasil o lugar que você nasce e vive altera profundamente o acesso e respeito aos direitos fundamentais que todo brasileiro deveria ter. Aqui, não existem cidadãos, apenas classes privilegiadas e classes excluídas.
E como que isso pode ser refletido dentro da cultura? Bem, a aula ‘O Espaço público como palco’ acontece no Sesc Av. Paulista, às 19h30. Chegue com meia hora de antecedência.
não se esqueça…
Foi mal a publi, precisamos pagar as contas e olha que curioso: temos roupitchas maravilhosas em queima de estoque da última coleção porque logo mais vem a próxima (sem spoilers).
Dá uma olhada na nossa lojinha. Tem produtos com até 20% off, como dizem os shoppings.
Por fim…
S.A.C. da 300Noise:
Perguntas enviadas por vocês para a nossa equipe. Críticas, sugestões, dúvidas e tudo mais. Envie sua pergunta agora mesmo!
Vocês aceitam envio de material de bandas? Qual a melhor maneira de enviar?
R: Utilizamos o Groover para receber material e oferecemos consultorias e outros trampos. Quer a visão da 300Noise em seu projeto? Entre em contato no 300noise@gmail.com
Onde acesso os projetos da 300noise?
Quer dizer que você trabalham com consultoria e pesquisa para bandas ou empresas?
R: Sim, estamos operando em várias frentes. 300conteúdos, 300empresas, 300festas e em breve 300pendrives (ok, esse é brincadeira!) Quer entender melhor o que oferecemos? Quer contratar a 300noise? Mande um email para 300noise@gmail.com
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