RSS Amplifier

O destino do verso · Aug 14, 2025

Homero em SP

0
Sign in to vote or save

Zé Luis Bomfim · O destino do verso

Semi-cego e quase-surdo, como narraria o poeta a Babilônia de corpos e mercadorias formigando entre carros e caminhões nas cinzas ruas do Brás? Saberia o GPS lhe dar as coordenadas para não cair nas mãos de famintos cracudos?

Nada será como antes, nada é como antes. No Pari já não se vende vinho barato, na praça da igreja de Santo Antônio um homem sustenta a própria cabeça como se fosse uma estátua. Do outro lado da praça o pastor dentro de seu templo rival leva nas mãos uma maquininha, aceita PIX.

Em Pinheiros ainda servem acepipes dignos do palácio real de Tebas. Brigadeiros belgas na estrada do cruel bandeirante, massas quase-italianas em cantinas com motoboys esperando a nova leva de fastfood. Holofotes e neons zumbindo no azul do céu congestionado, caminho agudo da serra fria que silencia a metrópole.

Mensagem gravada no WhatsApp: infelizmente nos confundimos, você já não pode cantar em nossa livraria. Procure outro lugar.

Já não se fazem livreiros como antes. Mas eles que fiquem cortejando as Penélopes da hora com a ponta da lança. Com a ajuda de uma servidora fiel, arranjamos um novo solar para conversar sobre os versos publicados à espera do verde louro da amizade.

Hoje, quinta-feira, 14 de agosto, espero vocês, leitores, no Botequim Verde Louro: rua Aureliano Coutinho, 338 — São Paulo. Bate-papo com Fábio San Juan e Dionisius Amendola da Livraria [trabalhar cansa].

Nenhuma publicação

Read the original on zebomfim.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.