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O destino do verso · Jan 8, 2026

Epifania

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Zé Luis Bomfim · O destino do verso

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Nascerá?
Não sei, mas aqui estou
outra vez
ruminando ao pé da manjedoura:
um bebê pasto, comida boa,
papo para boi dormir?
Ao certo nunca saberei.
A estrela no cinzento céu
de São Paulo é difícil de ver,
as dores do parto
nunca terminam de começar
e de repente
é hora do coração aguardar
o sol romper a noite mal dormida.
Ele vem sangrando como na Cruz,
os filhos dos homens
tem essa marca de fábrica
— fazer o quê? —
gravada nos abraços que se abrem.
Mas ele, como Deus,
é pequeno e demora aprender
amar e sofrer.

Poema inédito, parte do meu próximo livro, a ser lançado em breve se os céus e as noites mal dormidas deixarem.

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