Nos últimos dias, as redes sociais entraram em ebulição com uma notícia aparentemente trivial: Virginia Fonseca, a influenciadora com mais de 50 milhões de seguidores, foi anunciada pela Globo como repórter especial da Copa do Mundo 2026.
A reação foi imediata. Jornalistas veteranos se revoltaram. Nas redes, o debate se dividiu entre quem acha um absurdo e quem acha uma jogada inteligente da emissora.
Mas calma. Antes de você tomar partido nessa guerra cultural, deixa eu te fazer uma pergunta diferente:
Por que você acha que a Globo escolheu a Virginia?
Mais do que questionar as credenciais técnicas da Virginia para o cargo, a pergunta que realmente importa é: o que fez com que ela fosse a escolha estratégica para essa oportunidade?
A resposta pode não agradar muita gente, mas ela revela uma realidade importante sobre o mercado de trabalho:
Competência importa.
Experiência importa.
Formação importa.
Visibilidade também importa. E, muitas vezes, ela importa mais do que gostaríamos de admitir.
Existe uma crença muito comum de que basta estudar, trabalhar duro e entregar bons resultados para que as oportunidades apareçam naturalmente. Eu, como boa estudiosa gostaria que a vida fosse assim mas a realidade é mais complexa.
Todos os dias encontramos profissionais extremamente capacitados que permanecem invisíveis para o mercado. Pessoas com certificações, cursos, experiência e excelentes resultados, mas que raramente são lembradas para projetos estratégicos, promoções, palestras ou posições de liderança.
Ao mesmo tempo, vemos profissionais que construíram uma presença forte, desenvolveram relacionamentos, compartilharam conhecimento e criaram uma audiência conquistando espaços que muitos consideram inalcançáveis.
Isso não significa que a competência deixou de ser importante. Significa apenas que competência sozinha nem sempre é suficiente.
O mercado não premia apenas quem é bom. Ele premia quem é bom e consegue fazer com que as pessoas saibam disso. Essa é uma reflexão especialmente importante para as mulheres.
Pense no seguinte cenário, provavelmente familiar: uma vaga de liderança se abre. Há duas pessoas internas concorrendo a vaga. A primeira pessoa é tecnicamente brilhante, resolve os problemas mais difíceis do time, mas trabalha em silêncio, raramente aparece nas discussões estratégicas, e fora da sua squad ninguém sabe exatamente o que ela faz. A segunda pessoa é um pouco menos precisa tecnicamente, mas está sempre presente nas conversas de produto, tem boa relação com times de negócio, escreve posts internos sobre o que aprende, e tem o nome na boca de vários gestores.
Quem leva a vaga? Na teoria, deveríamos torcer pela primeira pessoa. Na prática, sabemos a resposta.
Durante muito tempo fomos ensinadas que nosso trabalho deveria falar por si só. Que bastava fazer bem feito. Que alguém eventualmente perceberia nosso esforço. Mas as carreiras não são construídas apenas por mérito técnico, elas também são construídas por conexões, reputação, confiança e visibilidade.
As pessoas indicam quem conhecem.
Convidam quem lembram.
Contratam quem já acompanham.
É por isso que construir uma rede de relacionamentos não é algo supérfluo. Compartilhar conhecimento com outras pessoas não é vaidade. Participar de eventos não é perda de tempo. Produzir conteúdo não é apenas uma busca por seguidores. Tudo isso faz parte da construção da sua presença profissional.
E presença profissional não significa ser famosa, Significa ser lembrada pelas razões certas quando uma oportunidade aparece.
Enquanto a internet discute se Virginia deveria ou não estar na Copa do Mundo, talvez exista uma reflexão mais útil para cada uma de nós:
Será que estamos investindo na mesma intensidade em nossa visibilidade
que investimos em nossa qualificação?
A polêmica da Virginia não é sobre futebol. É sobre como o mundo real distribui oportunidades.
Porque diplomas abrem algumas portas e competência mantém as portas abertas. Mas, muitas vezes, é a visibilidade que faz alguém bater na sua porta primeiro.
E essa pode ser uma das habilidades mais importantes para construir a carreira que você deseja nos próximos anos.
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