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Jorge Verlindo · Jul 12, 2026

Copas e Seleções

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Jorge Verlindo · Jorge Verlindo

É uma merda ser eliminado numa Copa. Não digo nem “perder uma Copa”, porque seria, hoje, muita ambição. Mas a Copa tem essa coisa dramática de encenar uma luta que atrai a nossa identidade. A gente quer mais ganhar uma Copa do que ser tratado como cidadão brasileiro, por exemplo.

Embora eu não acompanhe muito futebol, também fico triste com isso, pelo menos pelo entretenimento. Me faz bem ver uns caras com a camisa do meu país dando alguma demonstração mundial de competência, garra, criatividade. E quando isso não acontece, é chato.

Mas, justamente por eu não acompanhar o futebol, talvez eu veja mais facilmente outras copas que acontecem simultaneamente a essa, com algumas seleções surpreendentes.

Irã, por exemplo, levou uma punhalada pelas costas; o oponente é dono da bola, do estádio, dos juízes e da torcida. E os iranianos ainda lhes deram uma taca; foram dignos do começo ao fim; venceram no gol de dronezinho, jogada bonita de rua. O enterro do líder do Irã levou milhões de iranianos às ruas em homenagem. Pensemos apenas em quantos comemorariam efusivamente nas ruas do mundo se o atacante do oponente morresse amanhã?

Nem precisava ser por guerra...

A copa das classes, na minha opinião, tem melhorado nos últimos anos. Embora o sistema tenha vencido o torneio de destruir o custo de vida, arrasar as metrópoles, desgraçar a natureza, há mais gente com consciência. Ganharemos essa Copa este ano? Não. Mas pensemos em Cabo Verde e na importância de manter a esperança na luta.

A Copa da política se parece um pouco com a de classes. Com o time dos que odeiam o pobre, muito bem financiado pelo crime organizado e por emendas obscuras, joga com maioria em campo, com toda a violência de um Paraguai e a desonestidade de uma Fifa. E os juízes apitam apenas quando lhes interessa.

E a Copa da qual a China está invicta nos últimos anos, com planos quinquenais cada vez mais ambiciosos? Que nome vamos dar a ela?

Há outras copas, mas vamos abreviar. Você pegou a ideia.

A outra questão é a seguinte: o esporte é incrível. Mas o próprio sistema, que ganha a Copa fora do esporte, já o está destruindo, infiltrando apostas, cooptando esportistas. Nem mesmo um cartão vermelho mais pode ser dado seguindo o que é justo.

Vale a pena olhar para essas copas, essas que realmente mudam tudo. Dar força às seleções de Cabo Verde que jogam nelas.

Porque se vencermos nesses campos, talvez haja esperança de que o Brasil um dia conquiste um hexa.

***
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