Olá!
O novo relatório da Organização Meteorológica Mundial da ONU, divulgado este mês, não trouxe surpresas – pelo menos para quem já acompanha os alertas científicos que mostramos aqui. O planeta seguiu batendo recordes que ninguém quer: mais calor, mais gases de efeito estufa na atmosfera, oceanos mais quentes.
E enquanto a temperatura sobe, algumas decisões desafiam a lógica. O avanço da mineração sobre áreas de conservação, por exemplo, segue firme e ignora a conta que já está chegando para todo mundo. Trazemos aqui três exemplos.
Mas nem só de más notícias se faz a Veredas. O Mapa de Soluções Ambientais do Projeto Preserva mostra iniciativas de quem rema contra essa maré. Porque, felizmente, há quem prefira plantar futuro a destruição.
Boa leitura!
Ambientalistas estão em campanha contra um projeto de lei da Prefeitura de Araçuaí que tenta reduzir os limites da APA (Área de Proteção Ambiental) Chapada do Lagoão. Dos 75 processos minerários situados no entorno da APA ou em sobreposição com a área de preservação municipal, 30 deles seriam beneficiados com a redução da área de proteção. (Observatório da Mineração)
Chapada do Lagoão, Araçuaí - Vale do Jequitinhonha - Foto: MAB Minas Gerais
O ICMBio ainda não assinou o decreto que estabelece a zona de amortecimento, uma borda de proteção, do Parque Nacional criado há 10 anos na região central de Minas Gerais. Essa medida é essencial para proteger o entorno da unidade de conservação, formado por aquíferos e que podem desaparecer devido aos grandes empreendimentos, como a mineração. Sem essa definição, áreas vitais para a recarga hídrica e a biodiversidade da região permanecem vulneráveis. Nesta segunda-feira 24/3, o jornalista Odilon Amaral traz os detalhes na coluna do Projeto Preserva no jornal Diário do Comércio.
Na Serra do Botafogo, em Ouro Preto, há sete empresas de mineração em processo de licenciamento. É uma região de aquíferos (águas subterrâneas) fundamentais para o abastecimento. (Estado de Minas)
🌍 SOLUÇÕES AMBIENTAIS QUE INSPIRAM:
Toneladas de peças, entre sapatos, camisetas, casacos, vestidos, formam uma montanha nos arredores do Deserto do Atacama, no Chile. Agora uma ação desenvolvida pela Artplan e assinada pela VTEX, em parceria com Fashion Revolution Brasil e Desierto Vestido, vai disponibilizar parte dessas roupas gratuitamente na internet.
O projeto Atacama Re-commerce é uma iniciativa que quer transformar desperdício da indústria da moda em oportunidade. A ideia é permitir que peças de marcas renomadas, algumas nunca antes usadas e em ótimo estado, ganhem uma nova chance.
A Ong The Ocean Cleanup criou tecnologia própria para limpar a Grande Mancha de Lixo do Pacífico e bloquear detritos em cursos de água de países como Estados Unidos, Guatemala e Indonésia.
A Cleanup usa um sistema que consiste em barreiras flutuantes de cerca de 800 metros, em forma de U, semelhantes a uma rede de pesca, puxadas por barcos. Acopladas à “barreira”, câmeras capazes de escanear a superfície da água identificam manchas de lixo e direcionam os barcos.
A Coalizão Brasil lançou a publicação “Brasil sem desmatamento: 12 propostas integradas para a conservação e o desenvolvimento sustentável”.
A nova publicação propõe seis ações para zerar o desmatamento ilegal e outras seis medidas para desestimular o desmatamento legal, trazendo uma abordagem integrada e considerando os desafios específicos de cada cenário.
A partir de uma solução caseira criada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, invenção do mecânico Alfredo Moser, nasceu o projeto Litro de Luz. Hoje, presente em 15 países, a iniciativa já ilumina 120 comunidades no Brasil, impactando mais de 30 mil pessoas.
A solução original para iluminar ambientes sem o uso da eletricidade criada por Moser em 2002 leva seu nome: lâmpada de Moser. Trata-se de uma garrafa pet transparente cheia de água e um pouco de água sanitária que, quando acoplada a um telhado, ilumina o espaço usando um fenômeno ainda mais antigo, descoberto no século XVI: a refração da luz.
Hoje, a solução original foi substituída por outra com alguns incrementos, como as placas solares. Mas a base da “tecnologia” original de Moser permanece: a garrafa pet transparente. (Diário do Comércio)
A Veredas é uma newsletter mensal e gratuita do Projeto Preserva, instituto sem fins lucrativos dirigido pelos jornalistas Juliana Perdigão e Odilon Amaral. Se ainda não é assinante, venha fazer parte:
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