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The Design Edition · Jul 27, 2026

Uma reflexão sobre nossas referências

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Al Lucca · The Design Edition

Quando eu paro pra pensar nesse assunto a minha cabeça entra em um nó desgraçado. Geralmente eu consigo expressar minha opinião sobre algo com uma certa clareza, sem ficar no muro, mas nesse caso é mais complicado. Esse texto estava nos meus rascunhos fazia tempo já, até que vi o Tweet abaixo e a discussão que levantou e resolvi publicar.

Ou em outras palavras: você deveria virar referência em um mercado pela sua habilidade de comunicação e consistência de publicação em redes sociais, YouTube, etc… ou pelo conjunto do trabalho feito?

Vamos começar com o lado positivo do “influencer”, temos a divulgação da disciplina, debates abertos, compartilhamento de ideias, processos, realidades do mercado e da função em si. Super interessante e necessário, até aqui ponto positivo para os criadores de conteúdo.

O problema começa a vir à tona quando o mercado promove criadores de conteúdo com uma falsa percepção de que essas pessoas, por estarem na tela, com um microfone na mão ou um teclado escrevendo 🙋🏻‍♂️, são instantaneamente elevadas à categoria de profissionais qualificados. E a partir desse engano, que acredito nem seja maldoso por natureza, tem início um ciclo de erros que vemos hoje em várias profissões, não somente Design.

Em um mundo ideal, você analisa a experiência de alguém pelos projetos feitos, times coordenados, decisões tomadas, números entregues e por aí vai.
Você NÃO avalia experiência vendo quantos seguidores a pessoa tem, quantos plays tem o podcast ou quantos comentários tem o vídeo. É o conjunto da obra que deveria definir um profissional. E sinceramente, eu de alguma forma, entro no pacote, visto que já publiquei um podcast, tenho vídeos no YouTube e escrevo essa newsletter. Mas quero acreditar que meu currículo me autoriza a fazer isso e escrevo hoje como reflexão mesmo. Esse texto na verdade seria o meu terceiro round sobre o assunto, já escrevi no passado “o gatekeeper não existe mais“ (2023), e também esse aqui “escassez parou de funcionar como filtro“ (2021). Que por sinal peguei trechos para colocar aqui.

Como fazemos, então, pro mercado entender que habilidade de comunicação e consistência de publicação não significa competência em design ou seja lá qual for a indústria? Temos como buscar um modelo novo, com as fundações do passado onde publicações, escolas ou instituições checavam se você tinha bagagem antes de te dar uma página ou um microfone? Não era perfeito claro, víamos elitismo, panelinha, o de sempre. Mas pelo menos separava quem sabia de quem só parecia saber. A partir do momento que o filtro não existe mais e o algoritmo que só busca engajamento entra no lugar da curadoria, quem posta mais e melhor vira referência.

O problema é difícil de resolver

Pro recrutador, contratar o famoso é seguro; pro organizador de evento, o famoso vende ingresso. E pro designer que está entrando no mercado hoje, fica muito fácil confundir popularidade com competência, e isso acaba alimentando o ciclo porque é mais cool perseguir o palco do que o ofício.

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O que podemos fazer então?

  • Se você contrata: pare de procurar pelo “quem é conhecido?” Aprenda a reconhecer um bom portfólio (dica, não são post-its na parede).

  • Se você organiza eventos: você tem uma responsabilidade grande nisso tudo. Cada espaço que você dá pro famoso vazio, você tira de alguém que realmente teria algo a ensinar. Curadoria é um ato editorial.

  • Se você tá começando: siga quem faz, não só quem fala. E desconfie de todo mundo que fala muito mais do que mostra — inclusive de mim :)

  • Se você é bom mas invisível: para muitos pode ser frustrante ver o raso ser reconhecido enquanto você entrega trabalho real. Lembre-se que contamos nos dedos da mão os designers excelentes que acham tempo e coragem para criar conteúdo.

  • E pra quem cria conteúdo? Sei lá… continue(?) mas talvez seja mais auto-crítico quanto a sua própria história e experiência e o quanto isso dita o tipo de conteúdo que você compartilha. Talvez se pergunte antes de tudo se você é Designer? Defina o que é opinião, de fatos, definir fontes de regras e tomar cuidado em generalizar essas mesmas regras. Tomar cuidado com tendências?

Popularidade é distribuição. Competência é o produto. A gente anda confundindo os dois. 😌

Abraço e até a próxima
Al Lucca - vamos nos conectar lá no Linkedin

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Read the original on thedesignedition.substack.com

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