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The Design Edition · May 24, 2026

O relatório de IA no Design 2026

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Al Lucca · The Design Edition

Voce já deve ter visto o relatório do Designer Fund que saiu cobrindo IA no Design. Mas como o post que escrevi no ano passado sobre o relatório foi bem recebido, resolvi escrever um sobre esse também.

É um resumão ok, tem muito conteúdo lá. Eles entrevistaram e pesquisaram vários designers em empresas de diferentes tamanhos, desde early-stage até empresas de capital aberto. E como dá pra imaginar, as conclusões, dependendo de onde você está na carreira, vão confirmar o que você já sentia, ou te dar um belo choque de realidade.

91% dos designers usam IA pelo menos uma vez por semana. No ano passado era 54%.

Mas o número que realmente me interessou foi outro: a média de ferramentas por designer saltou de 3 para 7. Quer dizer que a gente está num momento de experimentação caótica, não de consolidação. Quase metade dos respondentes ainda está procurando a ferramenta que vai “ficar”. Não tem um Figma da nova era ainda. Tem um monte de gente tentando muita coisa ao mesmo tempo.

O Claude (78%) ultrapassou o ChatGPT (65%) como ferramenta de IA mais usada por designers. Pra quem acompanha o mercado isso não é surpresa, mas é simbólico, e a conversa sobre qual modelo é “o melhor” vai continuar por um bom tempo.

Aqui está o dado que não me surpreende em nada, e que vale uma nota especial.

Quando o report lista os casos de uso de IA no design, o topo da lista mostra: ideação, prototipagem, copy/UI e research. O que aparece lá embaixo, com adoção bem mais tímida? High fidelity visual design.

A IA consegue dominar o ofício técnico, composição, hierarquia, cores, espaçamento. Ela produz interfaces que “parecem certas”. Mas tem uma diferença enorme entre parecer certo e ter qualidade. O design de alta fidelidade não é sobre seguir padrões, é sobre quebrá-los no momento certo. É sobre aquela decisão de tipografia que não tem regra escrita, sobre o espaçamento que parece errado em teoria mas respira melhor na prática, sobre a paleta que não é standard mas cria contexto naquele caso.

Isso é o famoso taste que falam tanto por aí. O “gosto” nasce de anos olhando bom design, vivendo referências fora da tela, errando, refazendo, desenvolvendo um olho que sabe definir excelência versus mediano. Já leram o livro “Fora da Série”?

Por isso o High Fidelity ainda (provavelmente não por muito tempo) é território humano, e não é à toa que 80% dos respondentes ainda preferem o julgamento humano quando o assunto é visual polish. É o reconhecimento de que existe uma camada do nosso ofício que ainda não foi comoditizada. Mas por quanto tempo?

Metade dos designers no estudo já publicou código em produção. 50%. Inclui designers de produto, de marca, não só design engineers.

Esse número seria impensável dois, três anos atrás. Hoje é realidade porque as ferramentas de vibe coding (Claude Code, Cursor, Lovable e companhia) baixaram a barreira de entrada de forma absurda. Você não precisa saber programar, você precisa saber descrever o que quer.

Mas o que me interessa não é só o dado, é o que ele revela sobre a natureza do trabalho. Designers que estão indo direto pra implementação estão eliminando a camada de tradução que sempre existiu entre o que foi desenhado e o que foi construído. O Figma ainda existe, e continua sendo o mais usado segundo outros dados de mercado, mas o papel dele parece estar mudando. Alguns usam como ponto de partida para exploração, outros como uma ferramenta de acabamento depois de prototipar em código. Tem gente que nem usa não mais o Figma. Não existe uma resposta certa.

O capítulo de times está completamente alinhado ao último texto que escrevi em Abril.

65% dos designers estão fazendo trabalho que antes era de PM ou engenheiro. 40% dizem que seus PMs e engenheiros estão fazendo mais trabalho de design. As fronteiras estão sumindo, e 34% dizem que a colaboração ficou mais bagunçada, com ownership menos claro do que antes.

Escrevi isso aqui no post passado:

“Acho que estamos vendo isso acontecer no nosso mundo profissional: é o engenheiro falando que não precisa mais do designer, o designer falando que não precisa mais de ninguém, o PM criando protótipos… estamos todos enfiando IA goela abaixo e com isso, varrendo os controles de qualidade pra debaixo do tapete.”

Ao mesmo tempo, 87% dizem receber suporte moderado ou forte das suas empresas para adoção de IA. Só que apenas 28% dos líderes mudaram formalmente os processos da organização.

Aqui vemos uma tensão real: as empresas apoiam a experimentação, mas não ajudam a organizar as regras do jogo. Os designers estão evoluindo mais rápido do que as estruturas que os cercam. E o aprendizado ainda é majoritariamente peer-to-peer. A gente aprende um com o outro, no Slack, no LinkedIn, no “ei, olha o que eu descobri aqui”.

No final, o report confirma que a IA não vai substituir o designer que sabe o que está fazendo, vai acelerar ele. E vai deixar pra trás quem sempre dependeu do processo pra esconder a falta de fundamento.

Quem souber o que é um bom design, não só o que passa no A/B teste, mas o que provoca, que respira, que tem personalidade vai usar essas ferramentas pra escalar algo que nunca conseguiu antes. Quem não souber vai produzir mais do mesmo, só que mais rápido.

O report tem 3 capítulos completos (Tools, Craft e Teams) e vale muito a leitura, link tá aqui: stateofaidesign.com. Os case studies de Framer, Stripe, Anthropic, Notion e outros ainda estão como “coming soon”, então tem mais por vir.

Abraço e até a próxima
Al Lucca - vamos nos conectar lá no Linkedin

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Read the original on thedesignedition.substack.com

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