Olá, cara leitora, caro leitor de Tênebra!
Em mais uma edição de nossa newsletter mensal, trazemos os contos publicados ao longo de maio. Diferentemente de abril, que trouxe histórias de grandes nomes de nossa literatura, desta vez o conjunto foi marcado por autores menos conhecidos — ou mesmo nada conhecidos. Ainda assim, as quatro narrativas recém-chegadas, duas delas mais extensas, chamaram nossa atenção. Pelos enredos perturbadores, merecem ser lidas. Destacamos uma delas: o conto “A viúva”, publicado em 1929 pelo desconhecido Queiroz Neto. Nesta sinistra história, uma misteriosa viúva droga o protagonista para sugar seu sangue durante a noite. O relato se destaca porque, quando vasculhamos o passado de nossa literatura, não encontramos tantas obras vampíricas assim. E “A viúva” vale tanto pelo documento quanto pelo enredo. Além do conto, maio trouxe uma das narrativas mais longas que já publicamos em Tênebra: a novela “Rosais”, de Artur Lobo, que nos conquista tanto pela atmosfera quanto pelo desfecho trágico.
Agora, entre os estudos recomendados em maio, trouxemos dois artigos para complementar e embasar suas leituras de ficção. O primeiro é Modalidades do esteticismo decadentista: Uma análise comparativa entre Juca, o Letrado e Às Avessas, publicado em 2025 por Carlos Eduardo Millen Grosso. No trabalho, o pesquisador analisa o romance Juca, o Letrado, publicado em 1900 por Zeferino Brazil, e o compara a Às Avessas (1884), narrativa paradigmática da literatura decadente francesa, de Joris-Karl Huysmans. O artigo deseja lançar luzes sobre a prosa do escritor, nascido no Rio Grande do Sul, cuja obra poética, simbolista, alcançou maior repercussão crítica. Ao longo da argumentação, destacam-se os temas do esteticismo, do isolamento, da aversão urbana e das doenças como elos entre dois textos, ainda que cada um os interprete segundo suas realidades socioculturais específicas. Por fim, o articulista demonstra como a modernidade literária não ficou restrita à Semana de Arte Moderna de 1922.
O segundo artigo recomendado é “A tradição literária gótica em Humberto de Campos”, publicado em 2024 por Ana Carolina Moraes da Silva e Naiara Sales Araujo Santos. Nele, as pesquisadoras defendem que diversos aspectos góticos podem ser identificados na produção do maranhense Humberto de Campos, especialmente nos contos analisados no trabalho — “A Noiva”, “Morfina” e “Retirantes”. A análise é centrada em três aspectos narrativos basilares da literatura gótica — o locus horribilis; a personagem monstruosa; e a presença fantasmagórica do passado. As pesquisadoras observam, ainda, como, mesmo em textos não inteiramente góticos, Campos se valeu das poéticas do mal.
Agora, vamos à lista completa dos contos publicados no mês passado, para que você consiga acessá-los facilmente:
Semana 1:
“A Viúva”, publicado em 1929 por Queiroz Neto (dados biográficos não encontrados)
Sinopse: Debilitado, Felisberto descobre que Marietta, uma misteriosa viúva, o droga para sugar seu sangue durante a noite. Dividido entre o horror e a paixão pela vampira, ele pede auxílio a um amigo, que tem a ideia de aplicar veneno sobre a pele do homem.
Semana 2:
“Rosais”, publicado em 1899 por Artur Lobo (1869 - 1901)
Sinopse: Mário retorna à província para visitar seu amigo Carlos. Envolvido pela atmosfera mística da chácara que dá nome ao conto, o personagem se apaixona pela esposa do anfitrião, com trágico desfecho.
Semana 3:
“Na Encruzilhada”, publicado em 1919 por Ferreira Neto (dados biográficos não encontrados)
Sinopse: O supersticioso fazendeiro Manuel Luango está convencido de que enfrentou o diabo em plena encruzilhada, mas o boticário local tem uma explicação científica para o ocorrido.
Semana 4:
“Pai Raiol, o Feiticeiro”, publicado em 1869 por Joaquim Manuel de Macedo (1820 - 1882)
Sinopse: Seduzido pela escrava Esméria, que age sob a influência satânica do bruxo Pai-Raiol, o fazendeiro Paulo Borges assiste à desintegração de seu lar, culminando com os assassinatos de sua esposa e filhos.
É isso. Voltaremos em julho com mais novidades.
Um abraço e boas leituras tenebrinas,
Júlio França e Oscar Nestarez
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