Olá, cara leitora, caro leitor de Tênebra!
Este ano começa em grande estilo para nós. Na terceira terça-feira de janeiro, será publicada a 250ᵃ narrativa em nossa biblioteca. São duas centenas e meia de histórias sinistras brasileiras compartilhadas com você, o que nos enche de orgulho e nos motiva para seguir com o trabalho. Como de costume nestas ocasiões, publicaremos uma obra de importância, assinada por um autor consagrado de nossa literatura — ainda não podemos dar spoilers. Mas a imagem abaixo, recortada da capa da primeira publicação da obra, é uma pista:
Lembramos também que 2025 terminou com uma publicação significativa: o livro digital Tenebrálias Vol. 1 - Monstros brasileiros, com onze contos que, como o título indica, trazem monstruosidades do nosso imaginário, assim como outras de que nossos escritores e escritoras se apropriara. Com organização de Amanda Marinho e Oscar Nestarez, o ebook foi publicado pela Acaso Cultural e você pode baixá-lo gratuitamente neste link.
Quanto às publicações de dezembro: foram cinco contos e dois estudos para complementar suas leituras. Entre os trabalhos de não ficção, publicamos a dissertação Horrores femininos na literatura gótica brasileira de Júlia Lopes de Almeida, de Magda Oliveira da Silva, defendida em 2023. Nela, a pesquisadora estuda a coletânea Ânsia eterna, de Lopes de Almeida, não apenas sob o ponto de vista do Gótico Feminino, mas da poética gótica em seu sentido mais amplo. No terceiro capítulo do trabalho, dedicado à análise ficcional, Silva elenca alguns dos temas góticos que identifica na obra da autora, tais como a exploração da sexualidade, a religiosidade, a morte, a loucura, a maldição dos pecados paternos e a educação feminina baseada no isolamento. Na conclusão, defende que a escritora “se utilizou das lacunas da poética gótica para retratar os horrores e tensões do povo brasileiro”.
Também compartilhamos o artigo “‘A mania do horrível’: o grotesco e a Primeira Guerra Mundial na literatura brasileira”, publicado por Daniel Augusto Silva e Júlio França na Revista Matraga em 2024. Nele, os autores defendem que o grotesco foi a principal estratégia artística de diversos escritores nacionais para indicar a percepção de irracionalidade e absurdo que dominou o período da primeira grande guerra. A partir de contos de Coelho Neto, João do Rio, Alfredo Taunay, Júlia Lopes de Almeida, Gustavo Barroso, Mário Sette e Afonso Schmidt, França e Silva demonstram como as letras brasileiras também produziram uma “literatura rubra”, marcada pela “mania do horrível”.
Agora, vamos à lista dos contos publicados em dezembro, para que você consiga acessá-los facilmente:
Semana 1:
“O louco”, publicado em 1924 por Frota Cavalcanti (dados biográficos não encontrados)
Sinopse: Um homem desesperado busca um automóvel para chegar a tempo de ver sua noiva, que está à beira da morte. Quando consegue, percebe que o motorista, um louco, o leva em grande velocidade em uma direção diferente, acusando-o de ter seduzido sua irmã.
Semana 2:
“Angelino”, publicado em 1839 por Maciel da Costa (dados biográficos não encontrados)
Sinopse: Angelino, um órfão que descobre ser filho do carrasco de Florença, é forçado a assumir a profissão do pai, e precisa executar seu benfeitor, o Conde de Spallazi, na frente de sua amada, Júlia.
Semana 3:
“A aula dos espectros”, publicado em 1949 por Lasinha Brito (dados biográficos não encontrados)
Sinopse: Um professor recém-contratado estranha a figura do velho professor Baldomeu, que ministra aulas à meia-noite. Intrigado, ele decide assistir a uma dessas aulas noturnas e descobre um horrível segredo.
Semana 4:
“Trapo de vida”, publicado em 1919 por Lima Campos (1872 - 1929)
Sinopse: Uma mulher de aparência magra e angular vive de forma marginal. Retratada como uma "cartomante" e "andorinha infeliz", ela vaga pelas ruas da cidade à noite – uma figura melancólica e grotesca, que esconde algum terrível segredo.
Semana 5:
“Sinfonia bárbara”, publicado em 1936 por Nancy Vilar (dados biográficos não encontrados)
Sinopse: Gina, uma jovem teimosa e apaixonada por música e pelo mar, negligencia os estudos e vive de acordo com suas próprias regras. Mesmo após se casar, ela mantém seu estilo de vida, até que Gina descobre a infidelidade do marido. Levada por um misto de ciúme e raiva, ela se vingará de forma bárbara.
É isso. Desejamos um excelente 2026 para você, cheio de histórias assombrosas. E que venham mais centenas de contos brasileiros arrepiantes!
Um abraço,
Júlio França e Oscar Nestarez
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