Durante séculos a humanidade depositou suas esperanças em diferentes promessas de salvação. Houve um tempo em que deus ocupava esse lugar; acreditava-se que o sofrimento encontraria sentido na fé e que as grandes respostas para a existência estavam na religião. Depois, com a modernidade, a confiança foi transferida para a razão, acreditou-se que o avanço científico, a organização das leis, a política e o progresso seriam capazes de construir uma sociedade mais justa e sábia, uma vida mais feliz.
Ou seja, houve épocas em que os seres humanos acreditavam que a salvação viria de fora; primeiro dos deuses, depois a razão. Mais tarde, do progresso, da ciência, das leis, da política. Em cada período histórico se construiu uma promessa diferente para suportar o peso de existir.
Mas a esperança é esse bichinho que, além de nunca morrer, vive mudando de endereço!
Hoje, convenhamos, essas promessas perderam parte do seu brilho. Nós já não confiamos tanto nas instituições, nós desconfiamos de discursos políticos, a ideia de progresso já não nos soa tão convincente e até mesmo a religião deixou de ocupar um lugar central para muita gente. Mas, humanos que somos, ainda necessitamos acreditar em alguma coisa pra viver, porque talvez seja impossível viver sem depositar a esperança em algum lugar.
É aí que o amor ocupa esse espaço… não apenas o romântico, mas toda a experiência do encontro amoroso e da sexualidade. Nós esperamos que alguém nos faça sentir vivos, que alguém nos devolva ou nos apresente uma versão mais bonita de nós mesmos, que organize o nosso caos particular, que alivie a nossa solidão, que nos ofereça um sentido. É como se tivéssemos transferido para o outro uma tarefa que, antes, pertencia a deus.

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