RSS Amplifier

Olhar de Raposa 🦊 · Jul 30, 2026

🦊 Seja alguém que participa na vida dos outros

0
Sign in to vote or save

Tales Gubes · Olhar de Raposa 🦊

1.

Recebi o convite no grupo de alunos do Kaospilot de 2017: uma amiga estaria lançando o primeiro livro dela em São Paulo naquele mesmo dia. A mensagem chegou num bom momento. Tipicamente, fui arredio à ideia de planos de última hora, especialmente se já decidi o que faria no mesmo horário, mesmo que fosse fazer nada.

Assim que li o convite, pensei comigo: quero ser alguém que participa na vida das pessoas ao meu redor, então eu vou.

Desenhando a Macchiato enquanto ela faz pãozinho.

2.

No mestrado, fiz um amigo que sempre estava presente na vida dos outros. Festa de aniversário, carona para o aeroporto, grupo de estudos, churrasco, companhia na polícia, protesto… Qualquer que fosse o momento, ele estava lá acompanhando alguém. Na época, eu o achava social demais e só conseguia imaginar o quanto uma vida assim deveria ser cansativa.

Hoje, mais de uma década depois, me percebi querendo ser convidado para participar da vida dos meus amigos e, com frequência, não recebendo tantos convites quanto gostaria. Seria fácil dizer que isso é resultado de “amigos ruins”, mas não acho que seja o caso. Isso é, na verdade, resultado de como tratei convites ao longo da vida.

3.

Conheci um moço numa festa. Fiquei muito interessado nele em vários sentidos, mas na época estava em um relacionamento monogâmico e o único jeito que eu sabia manter relações com outros homens era por meio do sexo, então todo o encanto da noite em que nos conhecemos se dissipou num contato de Instagram sem conversa.

Acredito que falei com ele um par de vezes dentro de uns anos, e certa vez ele me disse: “você só fala comigo quando quer alguma coisa”. Ele estava certíssimo. Todas as minhas interações sociais eram mediadas por uma clareza de intenção e propósito. Se não fosse útil para meus planos e vontades, eu não investia tempo na relação, e desse jeito, sem perceber, eu havia criado um muro separando a minha vida e a das outras pessoas.

4.

Gosto de pensar que tudo o que serve para a vida criativa serve também para a vida.

Por isso, quando leio essas regras no livro Aprender de coração: práticas para libertar o espírito criativo, de Corita Kent e Jan Steward, penso não apenas no que posso usar nos meus processos e grupos, mas também no que posso trazer para a vida:

Gosto sobremaneira da Regra 4: considere tudo um experimento. Esse me parece um jeito muito apropriado e brincante de existir. Neste momento, meu experimento é ser a versão de mim que tenho mais orgulho de ter sido.

Sinto orgulho de ter escrito? Então escrevo.

Sinto orgulho de ter desenhado? Então desenho.

Sinto orgulho de estar presente no lançamento de uma amiga que não vejo há anos, mesmo que tenha recebido o convite de última hora no mesmo dia e talvez não nos vejamos de novo por sei lá quantos anos? Então vou.

E se meus amigos estão desacostumados a chamar-me para participar da vida deles porque passei tantos anos recusando a maioria dos convites, não seja por isso: sinto orgulho de ser alguém que convida e sinto orgulho de corresponder a quem me quer nas suas vidas, então é isso que faço.

  • Assisti ao seriado Widow’s Bay, que é definido como uma “comédia de terror”. Super apropriada essa definição, devo dizer, porque ri e me assustei assistindo aos episódios, uns mais risonhos, outros mais amedrontadores. Super recomendo.

  • Também assisti ao novo filme do Homem-Aranha. Se tu gosta de quadrinhos e super-heróis, acho que vale assistir. Saí do filme com a sensação de que conseguiram fazer uma adaptação bacana do que costuma ser a experiência de leitura os quadrinhos do Miranha: fantástico, bobo e divertido com pitadas de humanidade aqui e acolá.

  • Desinstalei um joguinho de celular que vinha jogando compulsivamente nos tempos livres. Feito erva daninha, a quantidade de “tempo livre” vinha se expandindo nos meus dias, e achei que jogar para me distrair em um aplicativo desenhado para me frustrar com anúncios e me fazer pagar por progressão não era um bom uso do meu tempo.

  • Li um trechinho do livro Universos da arte, da Fayga Ostrower. É sobre o trabalho dela ensinando arte para operários de uma fábrica. Gostei muito desse trecho:

Com carinho,

Tales

Nenhuma publicação

Read the original on talesgubes.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.