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Olhar de Raposa 🦊 · Jun 5, 2026

🦊 Eu estava errado sobre amizade

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Tales Gubes · Olhar de Raposa 🦊

Tenho pensado bastante sobre amizades na vida adulta. Entre trabalho, cansaço e rotinas de manutenção, é fácil perder de vista o cuidado com as pessoas que compõem nossas teias de relacionamentos. Por exemplo, não é incomum que eu passe uma semana inteira sem ver outros humanos além do meu namorado e de prestadores de serviço.

Com isso em mente, fiz uma listinha de pessoas com as quais quero manter contato. A ideia é simples: já tenho anotado diariamente com quem eu interajo, a fim de observar padrões de presença e ausência, e ter uma lista acessível pode me ajudar a me (re)aproximar intencionalmente de pessoas queridas.

Enquanto fazia a lista, ponderei sobre um dos nomes. Pensei comigo: “não sei se essa pessoa tem feito esforços para cultivar nossa relação, por que eu o faria?”…

E pensando nisso, lembrei de um Tales de doze anos atrás.

A conversa aconteceu em 2014, dentro de um avião. Eu estava me mudando de Goiânia para São Paulo, onde moro hoje em dia, e tive a sorte de compartilhar o voo com uma amiga. Enquanto conversávamos sobre meus próximos passos na vida, que incluíam alugar um apartamento, ela sugeriu:

“Você poderia falar com o Marcelo”, se referindo a um conhecido em comum.

“Acho melhor não,” respondi. “Nos quatro anos em que vivi em Goiânia, o Marcelo e eu tivemos várias oportunidades de sermos amigos e isso nunca aconteceu, então não acho que é agora que isso vai mudar.”

Eu tinha certeza do que estava falando. Nós compartilhamos os mesmos círculos de relacionamento em Goiânia e frequentemente nos esbarrávamos em eventos pela cidade, mas nossa relação se resumia ao esporádico e acidental. Amizades precisam de algo a mais para se firmarem, não é mesmo? Bem, era nisso que eu acreditava na época, e decidi que não o procuraria.

No dia seguinte à minha chegada em São Paulo, errei o caminho para minha livraria favorita e acabei fazendo uma volta maior do que precisava. Enquanto caminhava, ouvi alguém chamando meu nome: era o Marcelo. Seguimos o restante do caminho até a livraria conversando e descobri que havia um quarto vago no apartamento no qual ele morava. Atualizamos nossos contatos, nos despedimos e depois passamos os próximos quatro ou cinco anos morando juntos em diferentes apartamentos.

Viramos amigos.

Hoje em dia, quando penso em relacionamentos que quero manter na vida, minha principal regra é celebrar pessoas que fazem questão que eu esteja na vida delas. Ser recíproco me parece um jeito inteligente de nutrir o que já está funcionando e de celebrar e agradecer quem está fazendo esforço pela relação.

Porém, essa é apenas uma parte da equação. A outra parte é iniciar, convidar, chamar de novo, criar oportunidades para que pessoas que estão ou estiveram presentes possam se reaproximar.

O cultivo dos relacionamentos acontece nesse balanço entre convidar e ser convidado, entre querer e ser bem quisto. Por isso, dada a oportunidade de nutrir uma relação, quero apostar nessa direção em vez de me acomodar no assossego do que já acredito que sei.

Há mais vida no encontro do que no isolamento.

Com carinho,

Tales

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Read the original on talesgubes.substack.com

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