Vivo conectando a surdez com o que quer que eu esteja lendo, observando ou vivendo. Seja enxergando uma orelha numa nuvem enquanto tomo sol na praia ou imaginando uma campanha publicitária com saídas do armário da surdez ao passar por uma loja de móveis, meu cérebro nunca para de fazer essas associações. Recentemente, li o livro “O segredo judaico da resolução de problemas”, do rabino Nilton Bonder, cujo trabalho admiro muito.
Ele propõe que muitos problemas permanecem insolúveis porque ficamos presos ao que parece óbvio. A realidade não se resume ao que está visível: ela pode ser observada em diferentes camadas — o aparente do aparente, o oculto do aparente, o aparente do oculto e o oculto do oculto. Resolver um problema exige reconhecer que sempre existe alguma coisa que ainda não sabemos, não percebemos ou sequer imaginamos.
Essa ideia ajuda a compreender por que não devemos julgar as escolhas feitas por outras pessoas surdas.

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