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The Soho Club · Jul 14, 2026

🎧 Soho Notes: Soho Sessions, AI, Copa do Mundo, Jay-Z, ECAD, SM58, Nirvana, OUT NOW! e mais!

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SMG · The Soho Club

Bonjour mes élèves!

Semana passada levei falta aqui. Depois de Soundcheck Coffee e Soho Sessions seguidos, fui pro Rio a trabalho, passei mal 3 dias e voltei com um feriado em São Paulo que só descobri um dia antes. We back!

Ah, quinta, dia 16/7 é meu aniversário!

Beijos,
Rodrigo Lampreia

📱 A música está em todo lugar essa semana. Nos estádios, nas plataformas, nos tribunais e nas paradas.

Jay-Z vendeu três noites seguidas no Yankee Stadium e bateu o próprio recorde de público, com 45.832 pessoas em uma única noite. Beyoncé, Eminem, Pharrell, Nas e Alicia Keys apareceram como convidados. No dia 19 de julho, Madonna, BTS, Shakira, Justin Bieber, Burna Boy e Coldplay sobem ao palco do MetLife Stadium para o primeiro halftime show da história de uma Copa do Mundo, diante de uma audiência potencial de 1,5 bilhão de pessoas. Aqui no Brasil, Liniker lotou o Nubank Parque com 48 mil pessoas na estreia da turnê Bye Bye Caju. Cinco anos entre o primeiro álbum solo e os estádios. Sem seguir fórmulas. Sem abrir mão da própria identidade.

Mas enquanto os palcos crescem, as regras da indústria continuam sendo reescritas.

Gravadoras, entidades de classe e a Recording Academy finalmente propuseram um sistema de identificação para músicas criadas com inteligência artificial. Dois selos: “Gerada por IA” e “Assistida por IA”. A Deezer já recebe 75 mil faixas totalmente geradas por IA por dia, quase metade de tudo que chega à plataforma. Pela primeira vez, a discussão deixa de ser apenas tecnológica e passa a ser uma questão de transparência. O ouvinte tem o direito de saber quem, ou o que, criou a música que está ouvindo.

Ao mesmo tempo, um novo tipo de fraude surge no streaming. A música Earrings, de Malcolm Todd, chegou ao topo do Spotify nos Estados Unidos impulsionada por bots e apostas financeiras ligadas às paradas. Depois da investigação, meio milhão de reproduções desapareceram. O streaming já não disputa apenas atenção. Agora disputa também credibilidade.

No Brasil, o mercado segue dominado pela produção nacional. Das 50 músicas mais ouvidas no primeiro semestre, 48 são brasileiras. Sertanejo e funk continuam liderando o consumo, enquanto o Ecad distribuiu mais de R$ 1 bilhão em direitos autorais, uma alta de 16,5% em relação ao ano passado.

O Spotify passou a permitir que ouvintes filtrem o Radar de Novidades por gênero e artistas emergentes. O mercado de shows caminha para um novo modelo, com residências substituindo grandes turnês e festivais independentes enfrentando dificuldades. E o SM58, o microfone mais famoso da história, completa 60 anos praticamente inalterado. A Shure nunca precisou reinventar o produto. Só encontrou novos contextos para ele.

Talvez esse seja o retrato da música em 2026. Tudo muda muito rápido. Mas aquilo que realmente atravessa gerações continua sendo construído da mesma forma: uma boa canção, um bom artista e um palco cheio de gente disposta a ouvir.

Fizemos a primeira edição do ano do Soho Sessions em São Paulo. Foi uma noite antológica. E ainda mais especial porque aconteceu no meio de imprevistos e surpresas na produção que, como sempre, se resolveram a tempo de a magia acontecer. Se quiser ver como foi, o aftermovie está no link. E o Instagram está cheio de posts, fotos e vídeos dos bastidores da montagem, da passagem de som e do momento em que o ao vivo começou. Vem ver. Em breve anunciamos a próxima data, também em São Paulo.

Um dia antes, no dia 1º de julho, o Soundcheck Coffee fez uma edição espetacular no Le Jazz Boulangerie em Pinheiros. E foi nossa despedida do espaço. Vamos sentir muita saudade desse lugar. O tema da noite foi “Até Onde Vale a Pena Ser Independente?” e a conversa foi conduzida por Dani Lage com os speakers Arthur Fitzgibbon, Tiago Agostini e o artista Ryan Fidelis. O papo já está disponível no YouTube e no Spotify. Não deixa de assistir.

E já que essa semana é o Dia Mundial do Rock, não poderia deixar de falar de uma das bandas que mais me influenciou na adolescência. O disco antigo pra ouvir de hoje é do Nirvana.

A música continua sendo palco, indústria e memória. Ao mesmo tempo.

🔗 [clique nos links para ler]

🔗 Show do intervalo da final da Copa: Madonna, BTS, Shakira, Justin Bieber e mais num espetáculo de 11 minutos

👉🏾 O primeiro halftime show da história de uma Copa do Mundo acontece no dia 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova York. Madonna, BTS, Shakira, Justin Bieber, Burna Boy e Coldplay num espetáculo curado por Chris Martin para uma audiência potencial de 1,5 bilhão de pessoas.

🔗 Jay-Z vende três noites no Yankee Stadium e bate recorde histórico

👉🏾 Celebrando os 25 anos de The Blueprint e os 30 anos de Reasonable Doubt, Jay-Z vendeu 45.832 ingressos na segunda noite, o recorde absoluto de shows no Yankee Stadium. Beyoncé, Eminem, Nas e Alicia Keys entre os convidados.

🔗 Liniker lota estádio na turnê Bye Bye Caju e mostra que é possível ser popstar seguindo a própria cartilha

👉🏾 Diante de 48 mil pessoas no Nubank Parque, Liniker estreou a turnê que encerra o ciclo de Caju. Cinco anos entre o primeiro álbum solo e os estádios. Sem sertanejo, sem funk, sem fórmula alheia. 350 milhões de reproduções e um Grammy Latino no caminho.

🔗 Indústria propõe sistema de rotulação de IA para plataformas de streaming

👉🏾 RIAA, IFPI, Grammy, SAG-AFTRA e outros propõem dois rótulos: “Gerada por IA” e “Assistida por IA”. A Deezer já recebe 75 mil faixas totalmente geradas por IA por dia, 44% de tudo que chega à plataforma. A pergunta que a indústria finalmente está respondendo: o ouvinte tem direito de saber.

🔗 Por que geradores de música com IA não concedem copyright aos usuários

👉🏾 A Suno é tecnicamente a autora de tudo que gera. O usuário recebe uma licença, não um copyright. Isso não é acidente, é design de produto. E enquanto labels e plataformas negociam, os artistas que criam com essas ferramentas seguem sem assento na mesa.

🔗 Spotify remove 500 mil reproduções após suspeita de manipulação ligada a apostas

👉🏾 A música “Earrings”, de Malcolm Todd, chegou ao topo do Spotify nos EUA com crescimento de 70% em um dia. Bots, apostas na Kalshi e retornos de 20 vezes o valor investido. Depois da investigação, 500 mil streams desapareceram. Um novo tipo de fraude no streaming.

🔗 Spotify atualiza Radar de Novidades com filtros de gênero e artistas novos

👉🏾 Agora é possível ajustar as sugestões por gênero e escolher priorizar artistas ainda desconhecidos. Uma atualização simples com impacto direto para artistas independentes que dependem de descoberta orgânica nas plataformas.

🔗 Pro-Música: Top 50 no streaming tem 96% de faixas brasileiras, com sertanejo no topo

👉🏾 No primeiro semestre de 2026, 48 das 50 músicas mais tocadas no Brasil foram nacionais. Sertanejo lidera com 19 faixas, funk vem com 15. As únicas internacionais no Top 50: BTS e Taylor Swift.

🔗 Ecad distribui mais de R$ 1 bilhão em direitos autorais no primeiro semestre de 2026

👉🏾 Alta de 16,5% em relação ao mesmo período de 2025, com mais de 312 mil titulares remunerados. Shows cresceram 25,4% com novos processos de identificação de roteiros. Mas a inadimplência pública ainda limita o que chega aos criadores.

🔗 Como foi o 1º Soho Sessions em São Paulo em parceria com o Billboard Descobre

👉🏾 A primeira edição do ano na Central 1926 reuniu nove artistas independentes numa noite de descobertas. Cynthia Luz apresentou músicas inéditas. Majis teve seu primeiro show com banda. Traemme estreou a parceria com o Billboard Descobre.

🔗 Luminate: mercado de shows muda de formato, residências e nostalgia vencem

👉🏾 Beyoncé gerou US$ 306 milhões em 23 datas com residências em vez de turnê tradicional. Festivais independentes colapsam com 107 cancelamentos globais. Gen Z gasta mais em shows do que Millennials. O “blue dot fever” não é o fim do ao vivo, é o fim de um modelo.

🔗 60 anos do SM58: lições de branding que toda a música poderia aprender

👉🏾 O microfone mais famoso do mundo completa 60 anos em produção contínua. A Shure nunca mudou o produto, só o contexto ao redor dele. Uma aula de como construir um ícone que atravessa gerações sem perder identidade.

🎧 Os melhores lançamentos semanais do Brasil e do mundo na Playlist Out Now! by Rodrigo Lampreia no Spotify.

Eis meu Top 5 | Semana 10 de Julho

1️⃣ YOWA — Rashid, Ajaxx, Pai David Dias (YOWA)

2️⃣ Você Já Sabe Que Eu Te Amo? — Bruno Berle, Hyron Higor (Sem Fronteiras)

3️⃣ Mr Charm — The Rolling Stones (Foreign Tongues)

4️⃣ HELL — Russ (HELL)

5️⃣ Disco Tropical — Lucas Pretti (Disco Tropical)

Uma semana de encontros e profundidade. Rashid, Ajaxx e Pai David Dias entregam uma das faixas mais densas e espirituais do rap brasileiro recente. Bruno Berle e Hyron Higor constroem juntos algo delicado e muito bonito. Os Rolling Stones provam, mais uma vez, que ainda têm muito a dizer. Russ mergulha em seu universo mais cru e direto. E Lucas Pretti fecha com leveza e identidade, num som que é brasileiro e cosmopolita ao mesmo tempo.

A playlist reúne músicas das últimas semanas. Ouve tudo na minha playlist no Spotify. Atualização toda sexta-feira. Segue, salva e volta semana que vem!

💿 Alguns discos não nascem para ser grandes. Nascem para ser honestos. E às vezes isso é mais do que suficiente. Em homenagem ao Dia Mundial do Rock, celebrado ontem no mundo todo.

Bleach — Nirvana (1989)

O Nirvana foi uma das primeiras bandas que me marcou de verdade. Junto com os Beatles, foi o som que me fez pegar uma guitarra pela primeira vez e querer aprender a tocar. Mas Bleach, curiosamente, foi um dos últimos discos do Nirvana que conheci.

Gravado em Seattle entre dezembro de 1988 e janeiro de 1989, Bleach custou US$ 606 e foi produzido por Jack Endino no Reciprocal Recording. A Sub Pop tinha pedido apenas um EP. O Nirvana entregou um disco completo. Kurt Cobain, Krist Novoselic e o baterista Chad Channing gravaram a maior parte em sessões de poucas horas, algumas letras escritas na noite anterior, outras no caminho para o estúdio. O resultado foi cru, pesado e completamente fiel ao que a cena de Seattle respirava naquele momento.

“About a Girl” já anunciava que havia algo além do grunge dentro de Cobain. Mas era “Negative Creep”, “Paper Cuts” e “Blew” que definiam o espírito do álbum: distorção, urgência e nenhuma concessão. Dois anos depois, Nevermind mudaria o mundo. E todo mundo voltou para cá para entender de onde isso tudo veio.

Eu adoro esse disco. E talvez ele seja ainda mais especial justamente por ter chegado por último.

👉🏾 Ouça aqui!

💼 Eu sou Rodrigo Lampreia (@rodrigolampreia). Executivo da música, diretor artístico, curador e empreendedor cultural. Atuo há mais de 25 anos conectando criação artística, estratégia de negócios e desenvolvimento de talentos. Sou fundador do Soho Music Group, ecossistema que integra Soho Sessions, Soho Music Records, Soundcheck Coffee e Borogodó FM, e, escrevo esse Soho Notes a partir de quem vive a música entre palco, estúdio, bastidores e mercado.

📥 Se quiser trocar uma ideia, me escreve no oi@sohomusicgroup.com.br

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