Essa semana o Soho Notes vai ser um pouco diferente.
Sem links de mercado, sem IA, sem streaming. Só uma história. Porque quinta-feira o Soho Sessions volta a São Paulo e eu queria te contar de onde ele veio.
Era 2018. Eu ainda fazia mais shows do que trabalhava nos bastidores da indústria. Ainda era artista! Toda semana, no Londra, dentro do Hotel Fasano, no Rio, eu subia num sofá com alguns músicos para cantar clássicos da música brasileira e internacional num formato acústico, intimista, quase uma jam de apartamento. Desde o começo convidei artistas jovens e independentes para dividir o palco comigo. E percebi uma coisa: muitas vezes, o momento mais especial da noite não era quando eu cantava. Era quando alguém da plateia perguntava: “Quem era aquele artista?” Acho que o Soho começou ali.
Depois veio uma temporada no Shopping Leblon. No meio dela viajei com meu sócio para Courchevel, na França. Na volta, fizemos conexão em Genebra. A cidade inteira já estava de máscara. Farmácias sem estoque, aeroporto vazio, todo mundo preocupado. Nós ainda não entendíamos direito o que estava acontecendo. Poucas semanas depois o mundo parou. Vieram quase três anos sem eventos, sem palco e sem música ao vivo.
Quando tudo voltou, eu também tinha mudado. A pandemia mexeu muito comigo. Fiz 40 anos, passei por um período de muita angústia, perdi completamente a vontade de cantar, a COVID afetou minha voz e fiquei 45 dias sem ouvir de um dos ouvidos. Eu precisava me reinventar. Sempre tive um perfil empreendedor e percebi que talvez pudesse contribuir mais para a música construindo carreiras e ajudando artistas em estágio inicial de carreira do que tentando construir a minha. Além de outras coisas no Music Business.
Foi nesse período que nasceu a Soho Music Records, minha gravadora. Passei a viver a música muito mais como diretor artístico, produtor e executivo do que como artista. E foi aí que entendi que o Soho já não precisava mais girar em torno de mim. Precisava girar em torno de quem estava começando.
Recomeçamos no Jockey Clube, no Rio. Aos poucos, o evento virou ponto de encontro de artistas, executivos, criadores, produtores, fotógrafos, galera da moda e gente apaixonada por descobrir música nova. Feats aconteceram. Negócios nasceram. Amizades também. Mais de 80 artistas passaram pelo nosso palco nesses últimos anos.
Hoje eu costumo dizer que o Soho nunca foi apenas uma jam session. Sempre foi uma desculpa para aproximar pessoas através da música. O palco importa, claro. Mas talvez o mais bonito seja tudo o que acontece depois que ele termina. Foi aí que criei o Soho Music Group, um ecossistema de música entre palco, cultura e bastidores.
Foi essa ideia que trouxe comigo para São Paulo.
Na quinta-feira, dia 2 de julho, fazemos a primeira edição do ano na Central 1926, um dos lugares mais incríveis da cidade e que eu queria ocupar desde que me mudei para cá. Meu amigo Rico Manzano, da Central Music me ajudou nessa conexão. O lineup reúne Cynthia Luz, Ryan Fidelis, Majis, Bruna Black, Pedro Emílio, Flor, Ryuchi, Carla Sol e Traemme, através do Billboard Descobre. Uma diversidade de ritmos, histórias e gêneros impressionante. Nossa house band mistura músicos do Rio e de São Paulo, com direção musical do Hygor Thomaz, ao lado de Jotapê, Yuri Ricardo e Júlio Freire. O DJ Bibiu abre a noite.
Também fico muito feliz em ver parceiros que acreditam no Soho Sessions caminhando com a gente. A Billboard Brasil entra como media partner. A Apple Music e a Dolby Atmos voltam com a experiência de áudio imersiva. A UBC, associação da qual faço parte há mais de 20 anos, apoia essa e as próximas edições. O Fanfirst apresenta uma solução que aproxima artistas e fãs sem intermediários, um tema sobre o qual eu falo bastante por aqui. E a Heineken, parceira de longa data, está de volta mais uma vez. Esses parceiros me dão a certeza de que estamos no caminho certo.
Quando comecei aquele acústico num sofá do Fasano, em 2018, jamais imaginaria que sete anos depois estaria escrevendo esse texto, numa segunda a noite de inverno no frio de São Paulo, há poucos dias do meu aniversário, preparando uma edição como essa. Olha que hoje o Brasil ainda classificou, virando em cima do Japão.
O Soho mudou.
Eu também.
Mas uma coisa continua exatamente igual: a vontade de colocar boas pessoas na mesma sala para ouvir boa música. Sem algoritmo. No offline. Na troca sincera. Na descoberta. Na música.
Os últimos ingressos estão disponíveis.
Nos vemos quinta. Segue o Soho no Instagram, você vai curtir!
A música continua sendo palco, indústria e memória. Ao mesmo tempo.
💼 Eu sou Rodrigo Lampreia (@rodrigolampreia). Executivo da música, diretor artístico, curador e empreendedor cultural. Atuo há mais de 25 anos conectando criação artística, estratégia de negócios e desenvolvimento de talentos. Sou fundador do Soho Music Group, ecossistema que integra Soho Sessions, Soho Music Records, Soundcheck Coffee e Borogodó FM, e, escrevo esse Soho Notes a partir de quem vive a música entre palco, estúdio, bastidores e mercado.
📥 Se quiser trocar uma ideia, me escreve no oi@sohomusicgroup.com.br
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